Não é incomum ouvir relatos de mulheres que descobrem cistos no ovário de forma inesperada em uma consulta de rotina. A outra parte, no entanto, segue sem diagnóstico mesmo convivendo com sintomas que impactam a saúde física, emocional e reprodutiva.

Os cistos ovarianos podem surgir naturalmente ao longo da vida, mas quando se acumulam de forma anormal e persistente, podem indicar a síndrome dos ovários policísticos (SOP), uma condição crônica e hereditária que afeta milhões de mulheres em todo o mundo.

Apesar de ser uma das alterações ginecológicas mais comuns, até 70% das mulheres com SOP não recebem diagnóstico. “Como cistos são frequentes ao longo da vida reprodutiva, muitas mulheres desconhecem suas características e não percebem a necessidade de acompanhamento”, explica Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE),

Para explicar o que está por trás da SOP, condição que afeta entre 6% e 13% das mulheres em idade fértil, o ginecologista reúne as principais informações sobre a síndrome com base em referências da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na SOP, os folículos não amadurecem adequadamente, formando pequenos cistos. Fatores genéticos, resistência à insulina e alterações hormonais estão entre os principais gatilhos.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Menstruação irregular
  • Cólicas intensas
  • Aumento da testosterona
  • Desconforto abdominal e pélvico
  • Dificuldade para engravidar

“Os primeiros indícios costumam aparecer na adolescência, mas o quadro pode se transformar ao longo da vida”, reforça o especialista.

“A síndrome é a principal causa de anovulação, condição em que a mulher não libera óvulos regularmente. Apesar disso, hoje existem diversas técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), que aumentam consideravelmente as chances de gestação”, complementa.

Saúde mental

Alterações de humor, baixa autoestima e insatisfação corporal são comuns entre mulheres com SOP, devido a fatores como:

  • Ganho de peso
  • Excesso de pelos
  • Acne
  • Irregularidade menstrual
  • Infertilidade

“O impacto emocional é enorme e afeta trabalho, relações sociais e qualidade de vida. Cuidar da saúde mental também faz parte do tratamento”, pontua o especialista.

Mas o diagnóstico não significa que “o jogo acabou”. Segundo Marcos, uma rotina estruturada faz toda a diferença. “As escolhas alimentares e o hábito de se exercitar com regularidade reduzem as chances de desenvolvimento de outras doenças associadas”, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia, colesterol e triglicerídeos altos, doenças cardiovasculares e câncer de endométrio.

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Além disso, o especialista ressalta que o acompanhamento médico é fundamental para a evolução do tratamento.

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