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Estado de Minas COLUNA

O clube do Groucho: o que esperar do ingresso do Brasil na OCDE?

N�o teremos nem mais disciplina de boas pr�ticas nem qualquer certificado de boa conduta no trato de investidores externos s� por sermos membros desse clube"


29/01/2022 04:00 - atualizado 29/01/2022 08:13

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Os ministros do Exterior, Carlos Fran�a, da Casa Civil, Ciro Nogueira, e da Economia, Paulo Guedes, comemoram o convite para o Brasil ingressar na OCDE (foto: S�rgio Lima/AFP- 25/1/22)
Uma das tiradas mais engra�adas de grandes comediantes do s�culo passado � a disjuntiva do Groucho Marx (1890 – 1977) – l�der do grupo americano Irm�os Marx – ao afirmar que jamais poderia fazer parte de um clube que o admitisse como s�cio! Imposs�vel n�o lembrar dessa observa��o, ao mesmo tempo t�o humilde e sagaz do velho Groucho Marx, quando o governo brasileiro vem de anunciar que a Organiza��o para a Coopera��o e Desenvolvimento Econ�mico (OCDE) teria convidado o Brasil a ser candidato a fazer parte dessa institui��o, fundada em 1961 e sediada em Paris, Fran�a.
 
O convite teria sido feito dias atr�s e virou notici�rio, competindo com estat�sticas da COVID-19 e com imagens das inunda��es Brasil afora. O ministro da Economia, de m�os vazias de fatos positivos h� bastante tempo, correu para engrandecer o convite da OCDE, como se o Brasil tivesse tido um reconhecimento internacional de bom comportamento, mas esquecido da frase de Groucho Marx sobre desconfiar desse inesperado acolhimento do nosso pa�s num “clube de pa�ses ricos”.
 
Para sermos precisos, a OCDE, fundada pelos Estados Unidos e alguns dos seus aliados pol�ticos europeus em plena guerra fria, contra o bloco dos pa�ses socialistas e comunistas, passou a recepcionar membros bem mais modestos como Gr�cia, Turquia e M�xico, por motivos da estrat�gia geopol�tica mundial desse bloco identificado como ocidental, frente ao bloco oriental. Em seguida, j� neste s�culo, p�s-queda do Muro de Berlim, a OCDE passou a admitir como membros novos pa�ses politicamente alinhados ao Ocidente, em especial alguns antigos membros da ex-Cortina de Ferro sovi�tica, como Pol�nia, Est�nia e Litu�nia. Aqui na regi�o sul-americana, os dois membros da OCDE s�o Chile e Col�mbia, o que dispensa maiores explica��es sobre o grau de alinhamento aos “primos ricos”.
 
A OCDE traria para o Brasil uma disciplina e um certificado. A disciplina seria a de n�o fugir muito a certas pr�ticas econ�micas, trabalhistas e ambientais consideradas boas pol�ticas para o pa�s. E o certificado viria pela maior seguran�a dada pela admiss�o � OCDE quanto �s decis�es de investimento de empresas estrangeiras no pa�s. Mas qualquer olhar mais acurado sobre essas supostas vantagens nos dir� que n�o teremos nem mais disciplina de boas pr�ticas nem qualquer certificado de boa conduta no trato de investidores externos s� por sermos membros desse clube.
A lista de transgress�es de pa�ses, atuais membros da OCDE, �s mais diversas recomenda��es de pol�ticas “racionais” � grande demais para ser mencionada aqui. A OCDE simplesmente n�o disp�e de mecanismos para advertir ou punir “maus membros”. Nenhum pa�s deixar� de quebrar, por exemplo, como aconteceu com a Gr�cia, s� por ser membro desse clube de na��es ilustres.
 
O rol de boas pr�ticas da OCDE n�o � segredo para os pa�ses n�o-membros. O Brasil pode, a qualquer hora, adaptar e adotar uma, v�rias ou todas essas boas pr�ticas. Se n�o o fazemos, n�o ser� por indu��o do ingresso ao clube da OCDE que nos corrigiremos. A decep��o dos comportamentos desviados persistir�. Ou algu�m duvida de que nossa vizinha Argentina – outra rec�m-convidada a ingressar no clube – somente por conta do convite da OCDE, ir� agora se aprumar da enorme crise secular em que est� afundada desde a emerg�ncia do peronismo naquele pa�s?
 
Definitivamente, o ingresso do Brasil na OCDE, al�m de n�o nos resolver nenhum problema interno, pode se tornar, uma nova fonte adicional de embara�os diplom�ticos, j� que a desastrosa administra��o fiscal do pa�s costuma atrasar at� anuidades de organiza��es e alugu�is de nossos im�veis no exterior.
 
Convenhamos: a lista do que precisa ser decidido e implementado por Bras�lia nunca dependeu de opini�es de organiza��es internacionais. A OCDE ser�, com boa vontade, apenas mais um atrativo posto diplom�tico a ser preenchido por um felizardo a ser expatriado para Paris. Assim como, na mesma toada, a recente inven��o de mais um posto de representa��o diplom�tica do Minist�rio da Economia em Washington, por decreto assinado ainda nesta semana por Bolsonaro – criando mais uma despesa redundante de representa��o na capital americana, j� repleta de graduados funcion�rios brasileiros dedicados a fazer a mesma coisa, reflete a apoteose da inefici�ncia da nossa m�quina p�blica e uma inequ�voca manifesta��o da completa falta de rumo deste governo em fim de feira.
 
Pena que o grande Groucho Marx n�o esteja mais entre n�s. Se convidado a Bras�lia, para dar uma consultoria � equipe de Bolsonaro, � prov�vel que lembrasse que com�dia � equipe de Bolsonaro, � prov�vel que lembrasse que com�dia � vida e esperan�a e que um comediante n�o pode produzir o riso num pa�s vestido com o luto das ilus�es perdidas.

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