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Estado de Minas

Mineiros recebem chefs de outros estados nos tradicionais festins do Festival de Tiradentes

Com as portas abertas e vontade de dividir experi�ncias, chefs de Tiradentes mostrampor que Minas continua a ser reconhecido como o estado que sabe receber e acolher


postado em 25/08/2019 04:00 / atualizado em 24/08/2019 23:20

Sorvete de banana, doce de leite com café, farofa de canela e banana fatiada(foto: Nereu Jr/Divulgação)
Sorvete de banana, doce de leite com caf�, farofa de canela e banana fatiada (foto: Nereu Jr/Divulga��o)


Minas � sin�nimo de acolhida, de mesa farta, de receber com boa comida. No Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, que continua at� o pr�ximo domingo, a tradi��o est� mantida. Chefs da cidade hist�rica abrem as portas de seus restaurantes para convidados de fora nos tradicionais festins. Para o p�blico, � uma oportunidade de descobrir como a cozinha local pode se fundir com outras culturas.
 
Rafael Pires tem bastante experi�ncia como anfitri�o. Ele at� j� perdeu a conta de quantos festins j� participou, de pequeno (como curioso) e enquanto esteve � frente do Pacco & Bacco. Agora, o chef recepciona os colegas no seu novo restaurante, Mia, aberto h� quatro meses, com menos lugares e mais frescor nos pratos. “Sempre deixo os meus convidados livres para criar, depois penso em harmonizar os meus pratos com os deles”, destaca.
 
Ravióli de tapioca recheado com queijo canastra e molho de ervas(foto: Capim Santo/Divulgação)
Ravi�li de tapioca recheado com queijo canastra e molho de ervas (foto: Capim Santo/Divulga��o)
 
No segundo dia do festival, Rafael cozinhou ao lado do paranaense Alberto Landgraf, atualmente no comando da cozinha do Oteque, no Rio de Janeiro. O convidado serviu peixe defumado, pupunha com creme de castanha de caju e molho de mexilh�o como entrada e barriga de porco, emuls�o de salsinha e iogurte e vinagrete de pimenta-de-cheiro e azedinha como segundo prato.
 
J� o anfitri�o criou o primeiro prato, que unia camar�o na brasa, torta de mandioca e vinagrete de ora-pro-n�bis, e a sobremesa, panqueca de coco queimado com sorvete de bolo de mandioca. “Hoje o Alberto est� no Rio de Janeiro, trabalha com muitos frutos do mar, mas n�s dois buscamos os melhores produtos. Ele o melhor peixe e eu a melhor carne de porco”, analisa. Para o mineiro, 60% de um prato depende da qualidade dos ingredientes, o restante envolve criatividade e t�cnica.
 
Três restaurantes recebem os festins desta edição(foto: Luiz Cesar Costa/Divulgação)
Tr�s restaurantes recebem os festins desta edi��o (foto: Luiz Cesar Costa/Divulga��o)
 
 
No pr�ximo s�bado, o Mia recebe Henrique Gilberto, que tamb�m tem uma hist�ria antiga com os festins. Aos 17 anos, ele conseguiu o seu primeiro emprego como assistente em um dos jantares. Em 2013, cozinhou com Felipe Rameh e Leo Paix�o. Dessa vez, retorna como chef do Cozinha Tupis, bar no Mercado Novo, Centro de BH. “Os festins representam o que acontece na cidade nesta �poca, a intera��o entre os chefs do interior e da capital. Al�m disso, eles s�o uma oportunidade muito legal de conectar o nosso estado com o resto do Brasil”, opina.
 
De entrada, Henrique servir� tomate defumado, couve-flor frita e queimada e acelga a milanesa para comer com as m�os. O segundo prato tem nhoque de angu, ragu de galinha caipira ao molho pardo, ovo cozido e couve marinada no lim�o. O segredo dessa receita est� no molho, uma mistura de caldo de galinha (h� 11 meses sendo “cultivado”) e sangue fresco. “Ele � a representa��o do movimento da cozinha de utilizar 100% dos ingredientes, n�o perdendo nada.”
 
Magret de pato, aligot de mandioquinha com três queijos e caramelo de cereja amarena(foto: Rubens Kato/Divulgação)
Magret de pato, aligot de mandioquinha com tr�s queijos e caramelo de cereja amarena (foto: Rubens Kato/Divulga��o)
 
 
LOCAL Ambos representantes da nova cozinha mineira, Henrique e Rafael seguem o caminho da valoriza��o dos ingredientes locais. O chef do Mia escolheu preparar, para o primeiro prato, copa-lombo (marinada na cacha�a, assada por 12 horas e prensada) com ab�bora moranga e quiabo assados e mostarda folha refogada, ou “fogada”, como se fala em Tiradentes. Desde que abriu uma confeitaria, que hoje divide espa�o com o restaurante, ele est� mais pr�ximo dos doces. Por isso, tamb�m assina a sobremesa: broa de milho verde com recheio de goiabada e sorvete de queijo defumado.
 
Anfitri�o pela primeira vez, Felipe Oliveira est� feliz em receber convidados em seu novo restaurante, Ora, reflexo de tudo o viveu em 11 anos de carreira. “Isso representa a valoriza��o do meu trabalho. � um prazer mostrar a minha cozinha e aprender um pouco com eles”, diz o chef de S�o Jo�o del-Rei, que escolheu abrir o neg�cio em Tiradentes, cidade que para ele “respira gastronomia”.
 
Os produtos locais s�o protagonistas em todas as receitas de Felipe. Para o jantar com Marcelo Petrarca, ga�cho que vive em Bras�lia, nesta sexta-feira, ele criou para servir de entrada tostada (receita espanhola tipo bruscheta) com truta defumada do Sul de Minas, mini quiabos e emuls�o de a�afr�o-da-terra. Na sequ�ncia, levou � mesa lula grelhada recheada com ragu de lingui�a artesanal, arroz negro, ora-pro-n�bis, tomate rama e vinagrete de pimentas (dedo-de-mo�a, biquinho e de macaco, muito comum na regi�o de Tiradentes).
 
No comando de tr�s restaurantes em Bras�lia – Bloco C, Reverso e Lago, Marcelo come�ou a sua participa��o pelo segundo prato, que continha magret de pato, aligot de mandioquinha com tr�s queijos e caramelo de cereja amarena. Em seguida, o chef convidado encerrou o primeiro festim desta edi��o com churros de banana com doce de leite caseiro.
 
Como um bom anfitrião, Rafael Pires gosta de deixar os meus convidados livres para criar(foto: Inês Rabelo/Divulgação)
Como um bom anfitri�o, Rafael Pires gosta de deixar os meus convidados livres para criar (foto: In�s Rabelo/Divulga��o)
 
Todos em casa 
 
Apesar de ser um estreante, Felipe Oliveira se sente confort�vel como anfitri�o. “Mineiro do interior sabe fazer bem isso, ent�o trabalho para que todos se sintam como se estivessem em casa.” Na sexta que vem, o chef do Ora divide as panelas com Morena Leite, do restaurante Capim Santo, em S�o Paulo. Al�m da lula recheada, como segundo prato, ele vai preparar de sobremesa sorvete de banana, doce de leite com caf�, farofa de biscoito de canela e banana in natura fatiada.
Morena Leite sempre se sente muito acolhida em Minas. “Minas tem uma cultura gastron�mica muito afetiva e sempre tem muita generosidade com a cultura brasileira”, observa a chef, tamb�m adepta da cozinha de temperos e do refogado com alho e cebola.
 
No festim, ela servir� dois cl�ssicos do Capim Santo. De entrada, ravi�li de tapioca recheado com queijo serra da Canastra ao molho de ervas. “Trago um derivado da mandioca, que para mim � o maior �cone da gastronomia brasileira, com o maior s�mbolo de Minas.” Nascida em Trancoso, na Bahia, Morena gosta de cozinhar com peixes. O primeiro prato � linguado assado empanado na quinoa e recheado com palmito pupunha refogado. Para acompanhar, petit gateau de banana da terra.
 
Dois chefs do Senac v�o recepcionar o chef portugu�s Marco Gil, do restaurante Rosa Celeste, em Fortaleza, em um festim que mistura Minas com Cear�, terra e mar. Mauro de Paula quer confundir o paladar com o “brownie” de porco na lata, prato com cara de sobremesa, mas que tem sabores salgados. “Fazemos o porco em baixa temperatura na banha, depois prensamos. � uma t�cnica muito utilizada no s�culo 17 com roupagem mais moderna.” Ainda tem p� de banana para representar o a��car peneirado, molho glace parecendo calda de chocolate e creme de milho de canjica fazendo as vezes do chantili.
 
"� um prazer mostrar a minha cozinha e aprender um pouco com eles", diz o chef de S�o Jo�o del-Rei, Felipe Oliveira (foto: Rafael Tavares/Divulga��o)
 
 
No fim, vem a sobremesa criada por Ronie Peterson, que homenageia as serras de Minas. A massa de bomba ser� coberta por craquelado de a��car de capim santo e recheada com queijo da Canastra. Para completar, crumble c�trico de azeite da Mantiqueira, mousse de requeij�o moreno do Espinha�o, gel com hidromel do Cara�a e algod�o-doce em refer�ncia �s brumas da Piedade. “A nossa ideia �, al�m da degusta��o, criar uma experi�ncia para mostrar as riquezas de Minas”, diz.
 
Marco Gil aposta em ingredientes bem tradicionais do Cear�. “Para mim, � uma oportunidade incr�vel de mostrar todo o trabalho de pesquisa sobre os insumos cearenses.” De entrada, tem o atum de sol, que passa por um processo de cura com sal e rapadura de 12 a 14 horas. A carne, apenas selada, vai acompanhada de espuma a base de coco fresco e ralado, biju de tapioca e molho glace de rapadura.
 
J� no primeiro prato, o chef de Fortaleza apresentar� lagosta assada. Com o crust�ceo, ele ainda vai preparar uma pa�oca e um azeite para finalizar o prato, que tem tamb�m picles de caju e emuls�o de manteiga da terra (nome da manteiga de garrafa no Cear�) com alho confitado. 
 
 
Ravi�li de tapioca com queijo da Serra da Canastra e molho de ervas

Ingredientes

60g de cebola cortada em cubinhos; 200ml de leite integral; 200g de tapioca granulada; 200ml de leite de coco; 200g de queijo da Serra da Canastra ralado; 140g de queijo da Serra da Canastra em cubos; 80ml de azeite; 20g de alho picado; 120g de cebola em cubos; 600ml de creme de leite fresco; 100g de salsinha picada; ervas frescas a gosto (manjeric�o, tomilho, alecrim e s�lvia); sal e pimenta a gosto

Modo de fazer

Para o ravi�li, hidrate a tapioca com metade do leite integral e reserve. Em seguida, caramelize a cebola em uma frigideira. Bata no liquidificador a cebola caramelizada com o queijo ralado e a outra parte do leite integral. Adicione esta mistura na tapioca hidratada. Adicione sal e pimenta-do-reino na massa e misture. Usando um rolo, abra a metade da massa. Fa�a bolinhas com os cubos de queijo e distribua em cima da massa aberta. Abra a outra metade da massa e coloque por cima das bolinhas. Corte os ravi�lis. Reserve na geladeira por 30 minutos. Em uma frigideira, grelhe os ravi�lis at� dourar os dois lados. Para o molho, doure o alho no azeite. Junte a cebola e refoque. Tempere com sal e pimenta e acrescente o creme de leite. Adicione a salsinha e as ervas frescas picadas, deixando reduzir. Tempere novamente com sal. Sirva os ravi�lis com o molho de ervas. 
 
 
FESTINS

30/08 (sexta)
Felipe Oliveira e Morena Leite
Restaurante Ora

31/08 (s�bado)
Rafael Pires e Henrique Gilberto
Restaurante Mia

Ronie Peterson, Mauro de Paula 
e Marco Gil Pousada Escola Senac

Os festins come�am �s 20h e custam 
a partir de R$ 380. Reservas pelo 
telefone (31) 98512-9220 

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