
O tema � t�o importante que a maior capital do pa�s, S�o Paulo, formou um grupo de trabalho espec�fico para trat�-lo, estabeleceu puni��o pesada para infra��es e s� no primeiro semestre disparou 2,4 mil multas contra donos de im�veis. Mas em Belo Horizonte basta dar uma volta pela cidade para perceber o descaso com as cal�adas: buracos, caixas de telefonia abertas, grades de canaletas d’�gua retiradas e t�buas que escondem estragos da constru��o civil podem ser encontrados em alguns dos pontos mais movimentados e nobres da cidade. Ao propriet�rio do im�vel cabe a responsabilidade de construir e manter o passeio em bom estado de conserva��o. Por�m, muita gente tem fechado os olhos para essa regra. Foi o que comprovou da pior maneira poss�vel a manicure T�nia Demaria Passos, de 50 anos, que caiu em um buraco coberto por uma camada de cimento fresco, sem isolamento, em plena Rua Esp�rito Santo, no Centro de BH. O acidente aconteceu na ter�a-feira, quando T�nia se encaminhava para uma consulta ao ortopedista, j� que se recuperava de uma cirurgia no joelho.
No dia em que a manicure anunciava a inten��o de processar a prefeitura e a firma respons�vel pela armadilha, que ainda n�o foi nem identificada pelo munic�pio, a reportagem do Estado de Minas foi �s ruas da capital conferir a condi��o dos passeios. E os flagrantes de descuido e de perigo foram muitos. Cenas como as que s�o testemunhadas diariamente pela dona de banca de revistas Maria L�cia Alves Batista, de 56 anos, na Rua Goi�s, esquina de Avenida �lvares Cabral. Trabalhando a um quarteir�o da sede da Prefeitura de Belo Horizonte, a comerciante precisa todos os dias ajudar pessoas a se levantar, ap�s tombos provocados pela falta de uma grade em uma canaleta de �gua no passeio. “Todo dia algu�m cai ou trope�a aqui. � tanta gente que �s vezes estou ocupada e nem d� para vir ajudar. Um dia, a v�tima foi um desembargador (do Tribunal de Justi�a, tamb�m na Rua Goi�s). Tem idoso, crian�a, gente adulta que passa correndo. E isso est� assim h� cerca de seis anos”, denuncia.
A diarista Maria Jos� Magalh�es, de 61, constata o que est� � vista de todos os que usam as cal�adas do Centro: falta fiscaliza��o. “A prefeitura precisa tomar conta disso. Tem que fiscalizar, porque passeio malconservado � um sinal de desrespeito com as pessoas”, cobra, enquanto tenta desviar de um buraco na Avenida Francisco Sales, altura do n�mero 1.663, no Bairro Santa Efig�nia.
Mudam as �reas da cidade, mas o descaso se repete. Em 15 minutos na mesma Rua Esp�rito Santo em que a manicure T�nia se acidentou, mas na esquina com a Avenida Amazonas, pelo menos tr�s pessoas se desequilibraram ao passar pela cal�ada malconservada. O que � primeira vista nem parece um grande buraco torna-se um enorme percal�o para pedestres. “Esse � um lugar por onde muita gente passa e nem assim resolvem o problema. Todos os dias, mais de 10 pessoas trope�am aqui. S� hoje foram seis. Algumas apenas se desequilibram, mas outras s� param no ch�o”, conta o pipoqueiro Cl�udio Pereira, que mant�m o carrinho bem em frente � armadilha no passeio.
Entre as pessoas surpreendidas pelo buraco est� a operadora de caixa Rosalice Saraiva de Almeida Silva, de 30 anos. “Passei olhando para os lados, porque aqui � muito movimentado. Nem percebi o buraco. Quando vi, j� estava caindo em cima de uma mulher. Ainda bem que ela me amparou, porque eu poderia ter me machucado”, disse. Minutos depois foi a vez de a operadora de telemarketing Taciane Ad�o, de 23, quase ir parar no ch�o. “Passeio � coisa s�ria. Tem que estar em bom estado, porque a gente pode se ferir com tanto buraco. Foi por um triz que n�o ca�.” Delaine Louren�o, de 22, que trabalha como atendente de telemarketing em um pr�dio pr�ximo, reclama: “Os passeios em Belo Horizonte s�o de p�ssima qualidade. Os problemas est�o por toda parte. No Centro a gente percebe mais, mas nos bairros � a mesma coisa”.
CAIXA ABERTA Armadilha perigosa tamb�m deixou quem passava pela Avenida Get�lio Vargas, na Savassi, indignado. No cruzamento com Rua Santa Rita Dur�o, uma caixa aberta de uma operadora de telefonia expunha pedestres ao risco de desabar em um buraco de aproximadamente um metro e meio. Relatos de quem passou pelo local d�o conta de que a situa��o ocorria desde a segunda-feira. Provid�ncia? Apenas a sinaliza��o prec�ria com peda�os de isopor, feita por funcion�rios de uma loja em frente . “O pessoal do estoque colocou o isopor, com o objetivo de sinalizar para quem passa, pois o movimento de pessoas aqui � grande e tem quem ande distra�do, falando ao celular ou correndo”, contou o vendedor Leandro de Souza, de 27 anos. O porteiro Altair Mateus Ferreira, de 54, se impressiona com o perigo. “Essa situa��o � absurda. Um desrespeito com o cidad�o. Quem cair aqui pode bater a cabe�a e ter um traumatismo s�rio”, constatou.
