A defesa da Tilma das Gra�as Teles, de 53 anos, acusada de torturar o filho tetrapl�gico em Rio Acima, na Regi�o Central de Minas Gerais, vai entrar nesta quinta-feira com um habeas corpus para tentar a liberdade da m�e. Ela est� presa no Complexo Penitenci�rio Estev�o Pinto, no Bairro Horto, em Belo Horizonte, e cumpre pris�o preventiva determinada pela Justi�a ap�s den�ncia de Minist�rio P�blico por crime de tortura. A advogada, Maria Helena Medeiros de Moraes, vai mostrar que o hist�rico de sofrimento da m�e com o filho drogado a levou ao limite da viol�ncia.
A advogada est� recolhendo documentos, desde 7 de maio quando Tilma foi presa, para comprovar o hist�rico problem�tico do rapaz de 27 anos. O caso de viol�ncia foi denunciado pelo pr�prio filho, que mesmo deficiente, instalou uma c�mera no quarto e gravou as agress�es da m�e. Aos 25 anos ele sofreu um acidente que o deixou tetrapl�gico.
Segundo a advogada, o rapaz era usu�rio de crack e cola de sapateiro h� mais de 10 anos e causou in�meros transtornos � Tilma, � fam�lia e outros moradores da cidade. “Era frenquentemente acusado de furto e roubos que eram realizados para que sustentasse seu v�cio”, relata. Segundo Moraes, o acidente que o deixou tetrapl�gico ocorreu quando o jovem subiu no telhado da casa de um tio para furtar solvente para se entorpecer. Ele caiu e sofreu uma grave les�o. “Embora fosse muito inteligente - chegou a ser servidor p�blico em Nova Lima - o v�cio o levou ao estado de mendic�ncia. S� no Hospital Andr� Luiz esteve internado por 22 vezes, sem contar em v�rias outras institui��es de interna��o”, conta a defensora.
C�rcere
A advogada n�o tenta justificar a agress�o de Tilma, mas quer reverter a situa��o de c�rcere. Moraes afirma que h� outras medidas cautelares que poderiam afastar a m�e do filho sem que sua cliente fique presa. “Ela pode morar com outros familiares, pode se comprometer a comparecer em ju�zo. N�o tem certo ou errado, v�tima ou vil�o nas rea��es humanas. Estou tentando mostrar isso para o juiz. � com c�rcere que v�o tratar isso?”, questiona a advogada.
Moraes relata que Tilma procurou ajuda do estado durante anos, para tentar internar o filho ou trat�-lo do v�cio. “Ela n�o foi omissa em rela��o ao filho, ela procurou autoridades p�blicas que nunca tinham agido. Ela foi adoecendo. A pessoa vai enlouquecendo”. A advogada relata que a m�e passava noites em claro porque o filho, em crise de abstin�ncia, n�o parava de gritar. Para a criminalista, o crack � um problema de sa�de p�blica que deveria ser tratado com interven��es do estado. “Esse evento mostra que o estado s� chega quando a situa��o est� limite, quando n�o tem mais jeito, quando essa m�e est� doente por correr atr�s do filho a vida inteira."
Filho arrependido
Para a defensora, o v�deo com as agress�es mostra uma realidade parcial, um momento em que Tilma estava descontrolada e nervosa. Para ela, o rapaz pegou uma parte da conviv�ncia e mostrou aquilo. Mas o delegado que comandou as investiga��es, disse na �poca da descoberta do crime, que as agress�es eram frequentes. Moraes argumenta que n�o h� provas. “O filho falou que era com frequ�ncia, mas n�o tem nada provado. Eles discutiam muito, era uma rela��o desgastada h� anos. Ele manipulava as coisas. Ele � totalmente l�cido”, afirma Moraes.
O rapaz atualmente est� com cuidadoras e sob a responsabilidade de um padrinho. De acordo com Moraes, a pris�o de Telma gerou n�o s� o arrependimento do filho, mas tamb�m como��o na cidade de Rio Acima, dos moradores que acompanharam a luta da m�e durante anos para livrar o filho das drogas.


