
Demora no atendimento, problemas no isolamento e falta de equipamentos de prote��o individual para os funcion�rios. Esses s�o alguns dos problemas apontados pela Associa��o Sindical dos Trabalhadores da Fhemig (Asthemg) sobre a situa��o do Hospital Infantil Jo�o Paulo II, o antigo CGP, e o Hospital Jo�o XXIII, diante da pandemia do novo coronav�rus.
O presidente da associa��o, Carlos Martins, disse que a equipe da entidade esteve no hospital infantil na tarde de segunda-feira ap�s receber diversas den�ncias da situa��o. Chegando ao local, eles encontraram a parte externa da unidade lotada. "De forma inadequada, colocaram um monte de cadeiras, uma do lado da outra, as pessoas n�o estavam nem a um palmo uma da outra, algumas em p� com as crian�as", contou. Tamb�m n�o havia dispensers ou frascos de �lcool gel para que acompanhantes e pacientes se higienizassem.
Uma t�cnica ficou respons�vel por fazer uma pr�-triagem na porta antes que as crian�as passassem por uma enfermeira para a classifica��o de risco. Ap�s essa segunda etapa, elas voltavam para fora para aguardar o m�dico. A� a espera chegava at� a 12 horas.
Crian�a com suspeita de coronav�rus
Segundo Carlos Martins, por volta das 17h, chegou ao hospital uma ambul�ncia vindo de um posto de sa�de trazendo uma crian�a com suspeita de COVID-19. Ela foi encaminhada um corredor. "Toda vez que chegava uma crian�a da qual a t�cnica suspeitasse de contamina��o ou doen�a como sarampo, rub�ola ou coronav�rus, a m�e e a crian�a ficavam em um corredor lateral na entrada do hospital, que d� pra um muro da rua. Estavam misturando todos os pacientes com risco de cont�gio, era s� uma forma de n�o deixar junto das outras m�es. Quando estivemos l� tinha em torno de 15 m�es nessa �rea aguardando. Por ser lateral, a m�e e o paciente ficavam isolados, sem estar � vista de um profissional do hospital", contou.
"Entrei no hospital e verifiquei que havia macas e ber�os vazios do lado de dentro. Tinha espa�o para atender as crian�as internamentes. De oito consult�rios m�dicos, apenas quatro estavam utilizados porque havia quatro m�dicos", disse Carlos, completando que o clima ontem era de muita revolta e reclama��o. "Havia m�es brigando. Fomos l� mostrar que a culpa n�o era dos profissionais e que tinham que fazer a cobran�a do governo, e n�o dos deles. Estamos ressaltando que l� os profissionais n�o est�o em greve", completou.
Os funcion�rios da Funda��o Hospitalar de Minas Gerais est�o em greve desde janeiro. Entre as reivindica��es est�o o pagamento do 13º sal�rio, incorpora��o de ajuda de custo e melhoria nas condi��es de trabalho.
Jo�o XXIII
Conforme o presidente da Asthemg, no maior pronto-socorro de Minas Gerais, os trabalhadores decidiram manter 100% do efetivo na urg�ncia e interna��o e 50% nos demais setores.
L�, uma das situa��es que mais preocupa a associa��o � a falta de estrutura e equipamentos para a demanda de pacientes infectados pelo coronav�rus que pode chegar. "N�o temos EPIs (equipamentos de prote��o individual), estamos sem m�scaras, prote��o ocular, e n�o h� uma conduta determinada para suprir isso. Antes de ter a quest�o do corona j� tinhamos den�nciado falta de estrutura e materiais, isso � um dos motivos da nossa greve", disse Carlos Martins.
"Hoje se chegar algu�m e falar que est� com febre, tossindo, vai para ambulat�rio cl�nico ser avaliado pelo m�dico. Nesse per�odo vai ficar em um lugar lotado em uma cadeira com pacientes com v�rios tipos de caso aguardando uma defini��o. Quando o m�dico conseguir concluir a avalia��o, j� ter�o se passado v�rias horas com ela no ambiente", afirma o presidente da entidade.
Martins diz que a Asthemg j� esteve com a diretoria da Fhemig, a Promotoria de Justi�a de Defesa da Sa�de, do Minist�rio P�blico de Minas Gerais, mas ainda n�o foi apresentada uma solu��o para os problemas. Nesta ter�a-feira, eles procuraram deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para tentar uma intermedia��o junto ao secret�rio de Estado de Sa�de, Carlos Eduardo Amaral. "Os profissionais de sa�de n�o podem ficar em casa, n�s vamos ser a linha de frente, e para n�s n�o h� nenhuma medida sendo tomada para nos proteger e instrumentos para cuidar direito dos pacientes", pontua o presidente da Asthemg.
Procurada pelo Estado de Minas, a Fhemig informou que, no Jo�o XXIII, est�o sendo fornecidos os equipamentos de prote��o individual (EPI), especialmente as m�scaras, de forma limitada aos profissionais cujo atendimento � indispens�vel. “Sabemos que esses itens se encontram em falta no mercado e � necess�rio que haja um contingenciamento para evitar extravios e o uso indiscriminado, o que acarretar�, realmente, em riscos para servidores e pacientes. Para se ter uma ideia, nos �ltimos 15 dias foi consumido um estoque previsto para atender toda a demanda no prazo de 4 meses”, afirmou.
Quanto � falta de �lcool em gel no Hospital Infantil Jo�o Paulo II, a funda��o disse que possui estoque da mercadoria, mas ressaltou que, com ao surto epidemiol�gico, a demanda est� acima do habitual, o que compromete o abastecimento dos dispensadores. “A unidade est� repondo esses itens nas alas e setores”, ponderou.
Por fim, em rela��o � superlota��o, a Fhemig ressaltou que est� com chamamento emergencial de profissionais para o Hospital Infantil Jo�o Paulo II. “Esses m�dicos ser�o contratados temporariamente, com in�cio imediato. A sele��o no final do processo e as vagas devem suprir a quantidade necess�ria de profissionais para os pr�ximos meses”, finalizou.
