

Ap�s fazer parte dos protestos pr�-democracia que culminaram com a ren�ncia do ent�o presidente Hosni Mubarak, um grupo de jovens eg�pcios organizou um centro para v�timas, em um local secreto, para buscar informa��es de mortos, feridos e desaparecidos. Segundo o grupo, a ideia surgiu quando muitos deles se conheceram ainda na pra�a Tahrir, no centro do Cairo, em que se concentraram as manifesta��es contra o governo de Mubarak.
N�o h� um n�mero total de jovens volunt�rios porque mais chegam para ajudar. A maioria tem n�vel superior e vem das classes m�dia e alta. V�rios pertencem a diferentes grupos ativistas e se revezam para coletar informa��es de v�timas e colocar em um banco de dados.
Uma das coordenadoras dos trabalhos, Nehal M., assistente de pesquisa de uma organiza��o feminista, disse � BBC Brasil que, logo ap�s a ren�ncia de Mubarak, v�rios jovens na pra�a trocaram ideias para montar um call center e, al�m de coletar o n�mero de v�timas, dar assist�ncia a pessoas feridas e ajudar na busca por desaparecidos. “Sentimos que muitos dos mortos, feridos e desaparecidos eram de fam�lias mais humildes, que precisavam de ajuda. E sab�amos que a lista de mortos e feridos do governo n�o era verdadeira. Ent�o decidimos fazer algo.”
Ela contou que uma senhora de classe alta ofereceu seu apartamento espa�oso para a montagem da central de dados e ajuda. Integrantes do grupo foram trazendo computadores e impressoras. “Essa mulher foi t�o doce e tamb�m vem trazendo comida para as pessoas que est�o aqui”, disse Nehal, explicando que o local n�o foi divulgado por raz�es de seguran�a.
Ajuda
Nehal explicou que uma operadora de telefonia celular doou telefones e linhas com cr�ditos ilimitados para que fossem usados nos trabalhos. Os jovens se dividiram em tr�s turnos para manter o call center funcionando 24 horas por dia.
Pessoas telefonam para deixar o nome, endere�o e um n�mero de contato. Em seguida, segundo Nehal, um volunt�rio liga de volta para coletar os dados. Caso a pessoa esteja ferida, o grupo tenta encaminh�-la para m�dicos volunt�rios ou hospitais privados que se dispuserem a trat�-la gratuitamente. “Algumas vezes, pessoas ligam para informar que um vizinho foi morto ou ferido nos protestos e precisa de ajuda. H� um clima muito grande de solidariedade”, disse.
Na mesa central, um grupo trabalhava sem parar, anotando dados em planilhas para serem cadastradas em um banco de dados central. Entre eles estava a diretora-assistente de cinema Nadine Salib, que entre uma liga��o e outra conseguiu falar com a BBC Brasil.
Ela contou que est� no local desde o �ltimo domingo e que estava sem dormir havia v�rias horas. A todo momento o telefone tocava e ela atendia para anotar dados de pessoas. “Eu fa�o isso porque h� pessoas que precisam de assist�ncia. Nos pr�ximos dias n�o irei trabalhar porque isto aqui � mais importante”, declarou Nadine. “Cada pessoa aqui est� fazendo a diferen�a. Assim como nos protestos, tudo aqui est� sendo feito de forma espont�nea. As pessoas querem ajudar, ser solid�rias.”
Segundo ela, as pessoas que foram mortas, feridas ou est�o desaparecidas s�o os "verdadeiros her�is' e que, sem eles, “n�o teria sido poss�vel derrubar o regime” de Mubarak.
N�meros
Nehal disse que ainda n�o foi feito um levantamento final do n�mero de v�timas, mas, pela “quantidade de liga��es dever� ser bem acima dos n�meros do governo”. “Estamos na fase de inserir todos os dados no computador e dar assist�ncia m�dica e apoio aos que est�o feridos. Depois fecharemos os n�meros finais”, explicou ela.
Nos primeiros dos 18 dias de protestos antigoverno, tropas da pol�cia reprimiram violentamente os manifestantes. Houve tamb�m confrontos entre simpatizantes de Mubarak e os ativistas acampados na pra�a Tahrir. A organiza��o internacional Human Rights Watch chegou a acusar o governo de esconder o total de v�timas e feridos. Segundo a entidade, mais de 300 pessoas morreram e ao menos 2 mil ficaram feridas nos choques entre manifestantes e pol�cia. O governo eg�pcio rejeitou o relat�rio da HRW.
