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Estado de Minas POR DENTRO DO IR�

Pers�polis resiste � brutalidade das viola��es de conquistadores

Acr�pole de Parsa, chamada pelos ocidentais de 'Cidade dos Persas' , foi edificada por Dario, o Grande (522-486 a.C.) e continuada por seus sucessores


postado em 26/12/2017 06:00 / atualizado em 26/12/2017 16:02

À entrada de Persépolis, representantes de todos os povos passavam pelo Portal de Todas as Nações(foto: Bertha Maakaroun/EM/D. A Press)
� entrada de Pers�polis, representantes de todos os povos passavam pelo Portal de Todas as Na��es (foto: Bertha Maakaroun/EM/D. A Press)

SHIRAZ, IR� – T�o genial e inovador para o seu tempo quanto os qanats – elaborados t�neis para a extra��o subterr�nea e transporte de �gua –, que lan�aram as bases, h� mais de 3 mil anos, para a funda��o em meio ao deserto do maior imp�rio da Antiguidade, foi a constru��o de Pers�polis – Takht-e Jamshid para os iranianos. Elevada num plat� escavado no sagrado Monte Mithra, a joia do Imp�rio Aquem�nida, que revolucionou os campos da arquitetura e da tecnologia para o planejamento urbano, absorvendo a influ�ncia cultural e tecnol�gica de 30 na��es que compuseram o Imp�rio Aquem�nida (550 a.C. – 330 a.C. ) ainda hoje grita ao mundo. N�o apenas a genialidade persa. Mas a sua resili�ncia, apesar da brutalidade com que foi violada ao longo da hist�ria.


Pers�polis, acr�pole de Parsa – chamada pelos ocidentais de “Cidade dos Persas” , foi edificada por Dario, o Grande (522-486 a.C.) e continuada por seus sucessores. Est� encravada no cora��o da Prov�ncia de Fars, onde o Imp�rio Persa nasce, do p� das regi�es des�rticas, e floresce imortal para a hist�ria. Pers�polis destinava-se a ser, segundo alguns estudiosos, o santu�rio da Dinastia Aquem�nida e da afirma��o da imortalidade da civiliza��o persa. Segundo o arque�logo e estudioso do tema, o alem�o E. Herzfeld (1879-1948), Pers�polis era utilizada para cerim�nias especiais, como a de Nawrouz, que, na tradi��o zoroastriana, marcava a passagem do Ano Novo – o equin�cio da primavera. A tradi��o das celebra��es de Nawrouz, que se mant�m no Ir� atual e constituem uma grande festa nacional, na Antiguidade era o momento em que os povos integrados ao imp�rio prestavam tributo ao rei, conforme os entalhes da escadaria do Apadana, Pal�cio das Audi�ncias. “Pela gra�a de Ahura-Mazda (o deus �nico no zoroastrismo) esses s�o os pa�ses que eu trouxe � minha possess�o com a ajuda do Ex�rcito persa e que, por me temer, a mim prestam tributo”, dizem as inscri��es.

O imp�rio multicultural fundado por Ciro, o Grande e estendido por seus sucessores foi o maior da Antiguidade e, segundo alguns historiadores, o maior de toda a hist�ria: estendia-se por 5,5 milh�es de metros quadrados, dos B�lc�s e Leste Europeu ao vale ocidental do Rio Indo. Foi administrado a partir das capitais Pasargada, Babil�nia, Susa e Ecbatana. O legado � humanidade est� muito al�m do sistema de estradas que cortaram o Imp�rio, parte das quais integradas pelo Imp�rio Parto (140 a.C. 224) � Rota da Seda, do sistema de correios, do uso de uma l�ngua oficial por todo o territ�rio, um treinado e profissional ex�rcito, al�m das edifica��es, como Pers�polis e Pasargada, e para n�o deixar de citar, o impressionante canal aberto por Dario, que ligava o delta do Rio Nilo ao Mar Vermelho. Esse percurso � citado em fragmentos de um texto escrito em persa antigo, elamita, babil�nio e eg�pcio em cinco monumentos encontrados em  Wadi Tumilat, delta do Nilo.

Ciro, o Grande, mantinha nas edifica��es do imp�rio o trabalho remunerado – e n�o escravo – , respeitava os costumes, as religi�es dos povos conquistados, numa pol�tica de integra��o em contraposi��o � ideia da submiss�o. Descoberto em 1879, o chamado Cilindro de Ciro foi traduzido pela Organiza��o das Na��es Unidas em 1971 em seus idiomas oficiais. O edito do rei persa ap�s a sua conquista da Babil�nia, – permitindo que os povos exilados na Babil�nia regressassem �s suas terras de origem, � considerado, por muitos estudiosos, a primeira declara��o de direitos humanos do mundo.

As marcas aquem�nidas na hist�ria iraniana s�o t�o contundentes que, em 1976, o �ltimo x�, Mohammad Reza Pahlavi chegou a alterar o calend�rio persa para que o seu marco inicial fosse o reinado de Ciro, fundador da dinastia. De um dia para o outro, o Ir� saltou do ano de 1355, que se iniciava com o nascimento do profeta Mohammed, para o de 2535. Ap�s a Revolu��o de 1979, a tradi��o isl�mica voltou a constituir o marco temporal inicial da contagem do tempo – o que significa dizer que estamos por essa tradi��o no ano de 1396. Hijri Shamsi, � o nome do calend�rio solar iraniano, que tem 12 meses com os nomes das constela��es do zod�aco. Nele, o ano se inicia nas festividades de Nawrouz, o equin�cio da primavera,

Ap�s invadir a P�rsia, Alexandre da Maced�nia saqueou e ateou fogo sobre Pers�polis em 330 a.C. Com o seu ato, n�o s� retribu�a o tratamento dado por Xerxes I a Atenas, quando A incendiou por ocasi�o da segunda invas�o persa � Gr�cia (480–479 BC) em retalia��o ao fato de gregos europeus instigarem rebeli�es entre j�nicos que integravam o Imp�rio Aquem�nida (530-330 a.C). Alexandre, que tamb�m deixou saquear na primeira capital do imp�rio persa, Pas�rgada, o mausol�u de Ciro, registrava com as a��es que ali se encerrava a independ�ncia e a autonomia dessa civiliza��o. Viola��es e desrespeito foram uma constante na hist�ria iraniana. Assim foi com tantos, inclusive entre an�nimos a “ilustres” visitantes de Pers�polis, – como o embaixador alem�o na P�rsia (1922 – 1931) Friedrich Werner von der Schulenburg , que, acreditando assim ganhar a imortalidade, tratou de gravar o seu pr�prio nome naquele que foi, um dia, o magn�fico Portal de Todas as Na��es.

Patrim�nio da Humanidade

O Ir� � uma imers�o na hist�ria. Coleciona 22 s�tios listados pela Unesco, considerados patrim�nio da humanidade. Tem nada mais nada menos do que 52 s�tios listados � espera de avalia��o.

O seu potencial para registrar as conquistas civilizat�rias de seu povo ainda � prejudicado pelo preconceito ocidental em rela��o ao pa�s, sob novas san��es, o que dificulta o com�rcio e o turismo, uma vez que cart�es de cr�dito internacionais n�o s�o aceitos.

Uma infraestrutura de rodovias em bom estado, com paradas que disp�em de banheiros p�blicos e espa�os para piqueniques muito usados pelas fam�lias, aeroportos, rede hoteleira organizada e internet s�o facilidades. H� bloqueio para o uso do Facebook, mas, com os servi�os de VPN amplamente utilizados pela popula��o, a rede social � acessada.

Linha do tempo

1768 a.C.
Data aproximada atribu�da ao nascimento de Zarathustra, chamado pelos gregos Zoroastro

1500 a.C.
 O plat� iraniano foi ocupado por tribos indo-arianas, as mais importantes delas os medos, na por��o Noroeste, e os persas, regi�o Sudoeste, denominada Parsumash

550 a.C. 330 a.C.
Dinastia Aquem�nida: Primeiro Imp�rio Persa � fundado por Ciro, o Grande. Sucessores: Cambises II, Dario, o Grande, Xerxes I, Artaxerxes I, Dario II, Artaxerxes II, Artaxerxes III, Artaxerxes IV , Dario III.

330 a.C.
Alexandre da Maced�nia conquista o Imp�rio Persa antes de morrer, em 323 a.C., na Babil�nia, sem conseguir consolidar o seu pr�prio imp�r�o

312 a.C.
A maior parte da P�rsia fica sob o dom�nio sel�ucida, general de Alexandre.

140 a.C. - 224 a.C.
Imp�rio Parta, sob a dinastia Ars�cida

224 a.C. 651
Dinastia Sass�nida. Zoroastrismo � declarado religi�o oficial

 

 


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