Um grupo de fi�is de quatro par�quias da Regi�o Episcopal Ipiranga protesta contra a transfer�ncia de seus p�rocos feita pelo cardeal-arcebispo Dom Odilo Scherer e promete recorrer ao papa Francisco, se a decis�o, anunciada no come�o de dezembro, n�o for revogada. De oito par�quias atingidas, tr�s acataram a medida sem discuss�o e uma j� empossou o novo p�roco.
O protesto tem o apoio do Conselho de Leigos da Arquidiocese de S�o Paulo (Clasp), cujo presidente, �dson Silva, afirma que d. Odilo foi intransigente e se recusa a discutir a quest�o. Al�m de recolher assinaturas nas igrejas, a mobiliza��o contra a transfer�ncia chegou �Internet pelas redes sociais com o blog Movimento Quero o Meu P�roco, que j� registrava mais de mil visualiza��es e 212 ades�es, ontem � tarde.
Dezenas de cat�licos se manifestam com elogios e cr�ticas ao protesto. O porta-voz do arcebispo, c�nego Ant�nio Aparecido Pereira, ou padre Cido, que dirige h� seis anos uma par�quia na Regi�o Episcopal Norte, disse que "alguma insatisfa��o � at� salutar, pois traduz o apre�o da comunidade pelo p�roco, mas n�o se justifica um movimento, como esse, contra transfer�ncias de rotina".
"Substitui��es ocorrem em todas as dioceses ou em regi�es episcopais e s�o feitas com cuidado,de acordo com as normas do Direito Can�nico", observou padre Cido. Segundo ele, d. Odilo poderia ouvir os argumentos dos descontentes e s� n�o faz isso porque est� fora do Pa�s, em f�rias na Europa. Mesmo quando as transfer�ncias s�o determinadas pelas bispos auxiliares, o arcebispo examina cada caso, para aprovar ou n�o. Na Regi�o Ipiranga, cujo bispo, d. Tom� Ferreira da Silva, foi removido para S�o Jos� do Rio Preto, o vig�rio episcopal interino � o padre An�sio Hil�rio.
Em reuni�o, na manh� de s�bado, com representantes das quatro par�quias descontentes - Santa Rita de C�ssia, Santo Afonso Maria de Lig�rio, Nossa Senhora do Sion e Imaculada Concei��o - padre An�sio insistiu, segundo nota da assessoria de comunica��o da Arquidiocese, que o rod�zio entre os p�rocos � processo corriqueiro e pediu que os envolvidos recebam os padres designados e que deem continuidade aos trabalhos das comunidades com tranquilidade. Al�m disso, o vig�rio episcopal informou que o discernimento para o processo das transfer�ncias foi conduzido por ele, em comunh�o com o Conselho de Presb�teros da Regi�o Ipiranga e com o cardeal d. Odilo.
Nenhum dos p�rocos transferidos quis falar sobre o movimento dos leigos que criticam d. Odilo, atribuindo ao cardeal a inten��o de afastar das par�quias aqueles que, supostamente, divergem de sua orienta��o.
Depois de ouvir um padre amigo, que lhe relatou a exist�ncia de problemas locais capazes de justificar algumas transfer�ncias, o presidente do Clasp comentou que, por essa raz�o, seria bom que o arcebispo conversasse com a comunidade. "Enquanto isso n�o ocorrer, nosso movimento vai continuar", disse Edson Silva. Pelas normas do C�digo de Direito Can�nico, "� necess�rio que o p�roco tenha estabilidade e, portanto, seja nomeado por tempo indeterminado" (C�n, 522). Se o bispo tiver de transferir o p�roco para outra par�quia ou para outro of�cio, a proposta de transfer�ncia deve ser feita por escrito. O p�roco tamb�m deve responder por escrito, se n�o aceitar a decis�o do bispo.
