A Pol�cia Civil e a Pol�cia Militar abriram procedimentos para investigar a conduta de seus agentes ao atenderem caso de estupro coletivo de uma mulher de 34 anos. A v�tima foi conduzida � delegacia ao lado dos seus agressores e voltou a ser molestada no carro da PM. Na delegacia, o agente escreveu termos vulgares ao registrar a ocorr�ncia, como "s� gritou quando empurraram um galho de �rvore na sua bunda". Dois adolescentes foram apreendidos pelo crime. Era o quarto ataque sexual que a mulher sofria do mesmo grupo.
Mais � frente, os policiais encontraram os adolescentes, que foram reconhecidos pela mulher. Eles foram detidos e sentaram na mesma viatura, ao lado da v�tima. No caminho para a delegacia, um deles alisou sua perna e a amea�ou: "Fica tranquilinha, vai dar tudo certo".
A vendedora foi levada para a 74ª Delegacia de Pol�cia (Alc�ntara), que n�o tem N�cleo de Atendimento � Mulher nem seguiu o novo protocolo da Pol�cia Civil para atendimento de v�timas de viol�ncia sexual, que prev� "atendimento humanizado � v�tima, proporcionando condi��es necess�rias para que ela possa comunicar a viol�ncia sofrida".
No registro de ocorr�ncia, o policial escreveu express�es como "boquete triplo", "fizeram anal e vaginal", "n�o usaram camisinha, no pelo", e ainda "que a declarante s� gritou quando empurraram um galho de �rvore na sua bunda".
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"N�o � f�cil. Durante o depoimento, fiquei muito desconcertada. Tinha acabado de acontecer tudo aquilo comigo. Estava sentindo dor e ainda muito abalada. Depois, fui para casa e me senti muito abandonada", disse a vendedora, em entrevista ao Extra.
A vendedora contou que h� quatro anos um ex-namorado divulgou v�deo �ntimo gravado sem consentimento na favela onde ela mora. Depois disso, os traficantes a estupraram quatro vezes, em quatro anos.
"Estou me sentindo completamente desamparada. Eu tinha medo de que justamente isso pudesse acontecer se eu registrasse o caso. Minha vida est� devastada. Eu e minhas filhas n�o podemos ir para casa. As amigas das minhas filhas foram a minha casa e encontraram tudo revirado. Tentaram levar at� a minha m�quina de lavar", disse ao jornal.
A pol�cia abriu inqu�rito e tenta localizar os outros criminosos. A Chefia de Pol�cia Civil determinou a redistribui��o do inqu�rito policial � Delegacia Especial de Atendimento � Mulher (DEAM) de S�o Gon�alo. O caso segue em sigilo e est� sendo acompanhado pela Comiss�o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos. A mulher est� na casa de amigos.
"A Pol�cia Civil destaca que, diante de eventual descumprimento do protocolo de atendimento e da conduta do policial civil veiculada pela imprensa, o delegado titular da 74ª Delegacia de Pol�cia instaurou procedimento para apurar a ocorr�ncia de infra��o disciplinar", informou a Pol�cia Civil, em nota.
J� a PM informou que outras viaturas estavam ocupadas em outras ocorr�ncias, "por se tratar de �rea de risco". "A a��o da PM foi fundamental para que acusados de envolvimento neste crime fossem presos. Todavia, as circunst�ncias da ocorr�ncia em que a v�tima foi atendida e que dois suspeitos foram presos ser�o apuradas."
Estupro coletivo
Em maio, uma adolescente de 16 anos foi v�tima de estupro coletivo numa favela da zona norte e os criminosos divulgaram v�deos e fotos da jovem desacordada. Ela chegou a dizer que "acordou com 33 homens em cima" dela.
A pol�cia, no entanto, entendeu que, "por perturba��o ou trauma", ela fez a confus�o. Ra� de Souza e Raphael Duarte Belo est�o em pris�o preventiva pelo crime de estupro. O traficante Mois�s Camilo Lucena, acusado do mesmo crime, est� foragido.
