O pa�s continua at�nito – e ainda em busca de respostas, al�m dos corpos de 155 pessoas que continuam desaparecidas –, passadas exatas tr�s semanas da trag�dia que se abateu sobre Brumadinho, na Regi�o Metropolitana de Belo Horizonte. Todos os esfor�os de recupera��o da �rea devastada t�m de ser feitos pelas autoridades e pela Vale, empresa propriet�ria da barragem da Mina do C�rrego do Feij�o que se rompeu, levando com o mar de lama que se formou a vida de mais de uma centena de pessoas – 166 corpos j� foram resgatados pelos incans�veis bombeiros mineiros e de outros estados da Federa��o.
A sociedade brasileira, especialmente a mineira, exige puni��o exemplar a todos os respons�veis pela cat�strofe que destruiu fam�lias e sonhos, pois ainda est� viva na mem�ria trag�dia semelhante ocorrida em Mariana, com o estouro da Barragem do Fund�o, causando a morte de 19 pessoas e um dos piores desastres ambientais do mundo. Quase nenhum respons�vel pela cat�strofe na cidade hist�rica foi punido, e os processos contra a empresa Samarco, s�cia da Vale naquele empreendimento, se arrastam na Justi�a. S�o a��es protelat�rias atr�s de a��es protelat�rias, prejudicando, h� mais de tr�s anos, os atingidos.
� preciso ressaltar que, a par da severa puni��o aos respons�veis pelos crimes de Brumadinho e de Mariana, a economia de Minas Gerais, em grande parte voltada para a ind�stria extrativa mineral, depende da perenidade das empresas mineradoras, respons�veis pela gera��o de dezenas de milhares de empregos em Minas e de centenas de milhares em todo o Brasil. S�o, tamb�m, as principais geradoras de impostos para muitos munic�pios espalhados pelo pa�s. A economia n�o pode prescindir das atividades das companhias do setor miner�rio, mas elas devem ter, como compromisso primeiro, s� operar sob garantias absolutas de seguran�a. A popula��o n�o ir� tolerar uma terceira trag�dia de tamanhas propor��es.
N�o � compreens�vel que a seguran�a em �reas de risco, como as de barragens de rejeito de minera��o, ainda usem obsoletos sistemas de alerta baseados em sirenes, que n�o funcionaram ap�s o rompimento da barragem da Mina C�rrego do Feij�o. Chega a ser um acinte que empresas da magnitude da Vale – uma das maiores mineradoras do planeta – ainda se fiem em alarmes usados h� mais de 70 anos, nos bunkers ingleses, durante a Segunda Guerra Mundial. O que se exige s�o sistemas modernos como os utilizados em pa�ses com tradi��o miner�ria, como o Canad� e a Austr�lia, onde nunca ocorreram desastres como os de Brumadinho e Mariana.
A Vale, um dos principais sustent�culos da economia mineira e com atua��o em v�rios estados, n�o pode ficar parada. Deve voltar a operar com urg�ncia, mas somente depois de ressarcir as v�timas da cat�strofe, totalmente, e em completas condi��es de seguran�a. O mesmo se aplica � Samarco. Que os respons�veis pelas trag�dias sejam punidos exemplarmente, sem qualquer condescend�ncia. Mas que tamb�m sejam restauradas as condi��es para que as empresas voltem a operar dentro da normalidade, pois a economia de Minas tem de voltar a funcionar plenamente. O que � bom para o estado e todo o Brasil.
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Puni��o e recupera��o
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