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Estado de Minas

O elevador quebrado

O principal problema da educa��o no Brasil � a diferen�a gritante entre escolas p�blicas e privadas


postado em 18/02/2020 04:00



Paulo Arns da Cunha
Presidente da Divis�o de Ensino da Positivo Educacional
 
 
 
 
 
Voc� sabe qual o meio de transporte mais seguro do mundo? N�o, n�o � o avi�o. � o elevador. Essa inven��o fant�stica permite que voc� suba ou des�a os andares de um edif�cio de modo r�pido e seguro. � poss�vel dizer que a educa��o � o elevador capaz de promover a ascens�o social de uma pessoa, de uma fam�lia ou de um pa�s inteiro.

Os n�meros explicam. Pesquisa da Organiza��o para a Coopera��o e o Desenvolvimento Econ�mico (OCDE) apontou que quem tem um diploma de ensino superior ganha, em m�dia, mais que o dobro (156%) de quem s� cursou o ensino m�dio; com p�s-gradua��o, pode-se ganhar um sal�rio mais de quatro vezes maior (350%).

O ensino superior influencia gera��es. Crian�as com pelo menos um dos pais diplomado t�m 60% de chances de chegar � universidade, probabilidade que cai para 15% quando os pais n�o completaram o ensino m�dio. O problema � que o Brasil �, hoje, um dos pa�ses da OCDE com o maior n�mero de habitantes sem ensino m�dio. Mais da metade dos adultos (52%) com idade entre 25 e 64 anos n�o t�m esse n�vel de forma��o. E apenas 15% da popula��o brasileira tem curso superior. 

Duplicar o sal�rio por meio de um diploma de gradua��o significa uma evolu��o de renda tentadora no Brasil e que, vista pelo lado positivo, pode ajudar jovens de baixa renda a ascender socialmente. S� que a possibilidade � limitada. Cerca de 75% dos alunos que est�o cursando uma gradua��o, hoje, frequentam institui��es privadas. Com menos vagas, as universidades p�blicas acabam por absorver apenas os alunos que tiveram a melhor educa��o b�sica – e, mais uma vez, os jovens que frequentaram escolas p�blicas ficam de fora.

A desigualdade social � t�o grande que, para se ter uma ideia, os 5% mais ricos do Brasil t�m renda mensal equivalente aos outros 95% juntos. Igualado � �frica do Sul e � frente apenas da Col�mbia, o Brasil ocupa a segunda pior posi��o em mobilidade social, de acordo com o estudo "O elevador social est� quebrado? Como promover mobilidade social",  destaca a OCDE. Os dados escancaram que o futuro de uma crian�a brasileira est� condicionado � escolaridade e ao n�vel de renda dos pais. Segundo o estudo, um brasileiro nascido entre os 10% mais pobres levaria  225 anos para alcan�ar a renda m�dia do pa�s, de R$ 1.370. Uma crian�a da menor classe social no Brasil levaria nove gera��es para chegar � classe mais alta.

Ao contr�rio de muitos pa�ses, no Brasil, h� fatores mais decisivos que as pol�ticas educacionais para reduzir o impacto da desigualdade de renda na mobilidade intergeracional. Como, por exemplo, que crian�as em desvantagem social possam estudar com filhos de fam�lias com condi��es socioecon�micas melhores. Isso porque estudantes mais pobres tendem a ter piores performances que os estudantes mais ricos. A prova disso � que crian�as de 15 anos com pais de estratos socioecon�micos mais baixos fizeram 451 pontos no Pisa em matem�tica, sendo que as com pais mais escolarizados fizeram 535 pontos. Essa diferen�a equivale a nada menos que tr�s anos a mais de escolaridade.

A pesquisa da OCDE aponta, nitidamente, que o principal problema da educa��o no Brasil � a diferen�a gritante entre escolas p�blicas e privadas. Como o sistema privado ter� sempre a barreira monet�ria, s� existe um modo de consertar o nosso elevador social quebrado: melhorar a qualidade do sistema p�blico de ensino. Assim, inclusive os filhos dos mais ricos poderiam, como nos pa�ses mais avan�ados, frequentar as escolas p�blicas e conviver com os filhos dos mais pobres.

Se o elevador social brasileiro est� quebrado, ent�o n�o h� nada que possamos fazer por enquanto? Depende. Sempre digo que quem quer d� um jeito e quem n�o quer d� uma desculpa. Desculpas diversas – e bem embasadas – est�o listadas acima. � muito f�cil para as escolas particulares assistirem de camarote ao cen�rio da educa��o brasileira e cruzar os bra�os. Mas tamb�m � poss�vel promover a inclus�o, seja diretamente, com bolsas de estudos e outras formas de absorver parte dos estudantes de escolas p�blicas; ou indiretamente, ajudando munic�pios com consultorias em gest�o escolar, treinamento de professores, entre outras a��es.

Ou seja, enquanto muitos esperam a melhora da educa��o e a consequente diminui��o da desigualdade social na fila do elevador, h� quem prefira usar a escada. Cansa mais, mas o resultado � recompensador.


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