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Escreviv�ncia: um movimento necess�rio


17/05/2021 04:00

Angela Dannemann
Superintendente do Ita� Social

‘’A Escreviv�ncia surge de uma pr�tica liter�ria cuja autoria � negra, feminina e pobre. Em que o agente, o sujeito da a��o, assume o seu fazer, o seu pensamento, a sua reflex�o, n�o somente como um exerc�cio isolado, mas atravessado por grupos, por uma coletividade”.

O trecho acima traduz o conceito de “Escreviv�ncia” inaugurado por Concei��o Evaristo, escritora e autora dos livros “Ponci� Vic�ncio”, “Becos da mem�ria”, “Olhos d'�gua”, em sua disserta��o de mestrado, h� 26 anos. Renovando a literatura nacional com uma possibilidade de cria��o inovadora, a Escreviv�ncia prop�e a articula��o entre o fazer liter�rio e a vis�o de mundo de quem escreve. 

Escrever � uma forma de express�o e um ato pol�tico. Tecer as vozes por meio da escrita mostra um pa�s como ele verdadeiramente �. A pr�tica de registrar ou publicar escritos estimula os nossos sentidos, nos liberta e proporciona amplo reconhecimento e compreens�o da vida, al�m de contribuir para a constru��o de uma hist�ria diversa e mais completa da sociedade.

Diante do contexto de encolhimento de alguns direitos b�sicos, como educa��o e sa�de, a Escreviv�ncia desponta como um recurso poderoso, capaz de ampliar a voz dos mais variados grupos sociais por meio de express�es liter�rias e, por isso, mais reconhecidas pela sociedade do conhecimento. 

A Escreviv�ncia surge entre n�s como um ato liter�rio, de forma��o pr�tica e que promove e assegura a leitura e, principalmente, a escrita como um direito essencial. Afinal, todos n�s temos algo para compartilhar, assim como para contribuir, narrar, registrar, indagar, proferir e superar.

A pot�ncia de narrativas tem viabilizado o rompimento de estruturas sociais opressivas e estimulado as pessoas a se apropriarem cada vez mais da letra e da interpreta��o como indispens�veis lugares de fala.

Sabemos que, historicamente, moradores de periferias de grandes cidades, mas tamb�m de regi�es distantes dos centros urbanos, foram apartados do acesso � leitura e do protagonismo na escrita de suas pr�prias narrativas – um efeito do longo per�odo durante o qual essas popula��es n�o tiveram acesso � educa��o, pois esse direito s� foi garantido no princ�pio do s�culo 21 e apenas para aqueles entre 7 e 14 anos. Aqui vale destacar o trabalho realizado por bibliotecas comunit�rias para suprir uma lacuna deixada pelo poder p�blico no acesso a livros e na forma��o de leitores.

A pesquisa “O Brasil que l�: bibliotecas comunit�rias e resist�ncia cultural na forma��o de leitores” revelou que 87% das bibliotecas comunit�rias est�o situadas em zonas perif�ricas de �reas urbanas – regi�es com altos �ndices de pobreza, viol�ncia e exclus�o de servi�os p�blicos; 13% est�o em zonas rurais; 0,7% em �reas ribeirinhas; sendo 66% delas idealizadas por coletivos, grupos de pessoas do territ�rio e movimentos sociais. 

Estes dados revelam a corresponsabilidade que temos de trabalhar sobre um entendimento mais republicano da leitura e da escrita. Precisamos, todas e todos, despertar a nossa consci�ncia de que o acesso ao texto escrito e � literatura precisa ser um direito universal, sem distin��o de ra�a ou condi��o socioecon�mica, do mesmo modo que liberdade, alimenta��o e seguran�a tamb�m o s�o. Todo pa�s que alcan�ou uma condi��o mais avan�ada de civilidade e direitos, sem falar de riqueza, assegurou � sua popula��o uma condi��o de acesso pleno � cultura letrada.

Apoderar-se dos bens culturais e sociais � um direito fundamental que n�o pode ser negado. A apropria��o e aplica��o do conceito da Escreviv�ncia, principalmente entre nossas crian�as, adolescentes e jovens, contribuir� de maneira relevante para alcan�armos essa condi��o.

Tamanha � a contribui��o do conceito-experi�ncia concebido por Concei��o nesse sentido que, mais uma vez, diferentes estudiosos se debru�aram sobre ele no livro “Escreviv�ncia: a escrita de n�s”. Os textos de especialistas em literatura negra contempor�nea, educa��o, cr�tica liter�ria e comunica��o foram base para as reflex�es compartilhadas durante o semin�rio on-line “A Escreviv�ncia de Concei��o Evaristo” ao final de 2020.

Concei��o cresceu mais rodeada de palavras que de livros, mas foi pela leitura, pela educa��o e, mais que tudo, pela resist�ncia, que come�ou a publicar as suas hist�rias e as hist�rias de muitas mulheres quando j� era uma professora experiente a caminho do seu mestrado, com quase 50 anos.

Pensando na garantia desse direito essencial, lembro a todos que conhecem professores que a Olimp�ada de L�ngua Portuguesa est� com inscri��es abertas. Com o objetivo de apoiar professores a aprimorarem suas pr�ticas de ensino de leitura e escrita, este programa estimula alunos de escolas p�blicas de todo o pa�s, a cada dois anos, a “escrevivenciar” com o tema “O Lugar Onde Vivo”.

Os estudantes devem refletir e retratar suas realidades locais por meio de poemas, mem�rias liter�rias, cr�nicas, document�rios e artigos de opini�o. O prop�sito n�o � delimitar o horizonte do estudante, mas trazer refer�ncias do seu local de viv�ncia, estimulando um novo olhar que enrique�a e amplie seu repert�rio cultural, respeitando as peculiaridades regionais do seu local, como determina a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), documento normativo que define o conjunto de diretrizes pedag�gicas a serem trabalhadas ao longo da educa��o b�sica.

Precisamos valorizar e disseminar o poder da palavra como instrumento de inser��o na sociedade, pelo registro de mem�rias afetivas, do cotidiano, de sentimentos e opini�es. Independentemente do lugar onde vivem ou conjuntura socioecon�mica, � dever das redes de ensino, dos familiares e da sociedade como um todo despertar o desejo e o entusiasmo pela leitura e pela escrita, desde a inf�ncia.


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