
Jo�o Dewet Moreira de Carvalho
Engenheiro-agr�nomo
O s�culo 21 tem sido testemunha da ocorr�ncia de v�rios casos macabros perpetrados por v�timas do nefasto bullying. No entanto, isso j� era comum, h� mais de 2.600 anos. Pelo menos � o que conta Arist�teles sobre a hist�ria de um ilustre s�bio, cuja vingan�a foi realizada atrav�s de um caso de especula��o financeira.
Assim escreveu o grande fil�sofo no seu livro A pol�tica: "H� uma anedota acerca de Tales de Mileto. Todos o censuravam e faziam zombaria por sua pobreza, provavelmente para mostrar que sua filosofia era in�til. De acordo com a hist�ria, o conhecimento que ele tinha dos astros permitiu-lhe prever que haveria uma excelente colheita de olivas. Juntando todo o dinheiro que conseguiu, ele arrendou a bom pre�o (pois n�o havia concorrente), ainda no inverno, todas as prensas de �leo de Quios e Mileto. Quando chegou o tempo da colheita, muitos vieram ao mesmo tempo para conseguir as prensas; ent�o, Tales as alugou pelo pre�o que bem entendeu, amealhando com isso uma soma consider�vel".
Tanto naquele tempo antigo, quanto hoje em dia, o que a vida mais necessita � de pessoas racionais, equilibradas e capazes. Afinal, os desafios da modernidade crescem e se acumulam. Escancarando todas as fragilidades da vida humana frente �s in�meras adversidades. Inclusive, no presente aumento exponencial da popula��o, com seus aglomeramentos, tornando-se o meio perfeito para o surgimento e propaga��o de in�meras doen�as. Al�m de ser um crescente desafio a fim de ser alimentado.
Fatos evidenciados por essa atual pandemia do coronav�rus e as futuras consequ�ncias econ�micas que dela advir�o. Que, se n�o tratadas com estrat�gias adequadas, provocar�o danos profundos, inclusive, no Brasil. No entanto, a solu��o econ�mica reside, justamente, onde se dar� uma enorme confus�o que o futuro pr�ximo vai explicitar. Qual? Na futura coexist�ncia entre a profunda recess�o econ�mica mundial com um enorme ac�mulo de capital dispon�vel no mercado.
Por isso, cabem ser feitas algumas considera��es sobre a extrema import�ncia de se distinguir que a prognosticada recess�o n�o ocorrer� por aus�ncia de capital dispon�vel para investimentos. Mas devido a uma necess�ria reacomoda��o do ponto de equil�brio entre a oferta de produtos e a menor demanda futura esperada. Ou seja, os produtores ser�o obrigados a diminuir a produ��o. Caso contr�rio, haver� sobra dos seus produtos devido � falta de liquidez do excedente, que no cen�rio pr�-crise do coronav�rus era absorvido pelo mercado. Portanto, o indutor da futura recess�o ser� o aumento da restri��o de consumo pelas fam�lias. Pois prevalecer� na mente das pessoas expectativas negativas em rela��o ao futuro.
No entanto, quanto ao capital dispon�vel, ele sempre existir�. Pois � fruto de parte da imensa riqueza acumulada at� hoje, em todo o mundo. Afinal, o predom�nio do capitalismo nos �ltimos 300 anos gerou, distribuiu e acumulou imensa riqueza decorrente do empreendedorismo humano e da sua engenhosidade criativa, associada ao progresso constante das ci�ncias. Hoje em dia, essa imensa riqueza � evidenciada no enorme ac�mulo de capital de posse de milhares de indiv�duos, ativos investidores, distribu�dos por todos os cantos.
Onde se encontra esse imenso capital dispon�vel? Encontra-se alocado em diversos ativos. A maioria de baixo risco e diminutos retornos. Portos seguros nos momentos de crise. Por isso, passadas as turbul�ncias, ele estar� sempre pronto para seguir em busca de novos projetos com boas perspectivas de longo prazo e melhores taxas de retorno. Afinal, o lema de qualquer investidor � a busca pela maior efici�ncia financeira, expressa na otimiza��o constante dos lucros. Portanto, cabe t�o somente ao Brasil aproveitar com sabedoria as oportunidades dispon�veis.
No entanto, existe uma nuvem negra de imenso engano econ�mico se formando no horizonte brasileiro. Qual? O ressurgimento de uma ideia econ�mica insustent�vel. A da a��o do Estado como indutor do reaquecimento e crescimento da economia. Falsa solu��o que nunca resolveu nada. Ao contr�rio. S� resultou, at� hoje, em inefici�ncia econ�mica de dif�cil equaliza��o futura. Ali�s, uma das poucas coisas realmente verdadeiras ditas pelo economista John M. Keynes foi que � mais dif�cil esquecer os velhos h�bitos do que se adquirirem novos. Ent�o, que essa m�xima de Keynes seja aplicada �s suas pr�prias ideias econ�micas. Pois � do conhecimento geral que muitas ideias irrespons�veis, normalmente, s�o implementadas a despeito dos grandes malef�cios finais que elas produzem, desde que no curto prazo amenize certos problemas.
Portanto, que tudo isso sirva de alerta ao Brasil. Pois o que o pa�s precisa � de renovar e desenvolver seu capitalismo de mercado. Melhorando-o bastante. Ent�o, que o atual momento de crise possa ser o ponto de partida para ado��o antecipada de s�bias estrat�gias vencedoras que atraiam esses capitais dispon�veis. E possibilitando, com esses investimentos e capacidade administrativa, o surgimento de uma na��o mais eficiente e, ao mesmo tempo, mais consciente de sua imensa responsabilidade social. Afinal, a verdadeira sabedoria nunca desvaloriza a vida, pois sabe que toda vida � de incompar�vel valor.
