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Estado de Minas Editorial

Centro-Oeste muda a cara do Brasil


02/07/2023 04:00
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Os dados do Censo de 2022 confirmaram o Centro-Oeste como a nova fronteira econ�mica do Brasil. N�o por acaso, a regi�o tem atra�do cada vez mais habitantes, destoando das demais �reas do pa�s, que veem a popula��o estagnar ou mesmo encolher. Desde 2010, o n�mero de cidad�os que vivem no Centro-Oeste avan�ou, em m�dia, 1,2% ao ano, mais que o dobro da m�dia nacional, de 0,52% – a menor da hist�ria, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat�stica (IBGE). Esse processo de interioriza��o do Brasil, dizem especialistas, � irrevers�vel. Al�m de trabalho, as pessoas est�o buscando melhores condi��es de vida.

O Centro-Oeste do pa�s est� sendo impulsionado pelo agroneg�cio, que cresce a taxas expressivas ano a ano. O Brasil figura entre os tr�s principais produtores de alimentos do mundo e � na regi�o que est� a maior �rea agricult�vel do planeta. Para sustentar o plantio e a colheita, os produtores t�m sido obrigados a investir cada vez mais na tecnologia e na contrata��o de m�o de obra especializada. Em determinadas cidades, h� falta de trabalhadores, ao contr�rio do que ocorre nas periferias das grandes cidades, em que o desemprego encosta dos 10% e a viol�ncia � uma rotina que atormenta as fam�lias.

Dois dos principais exemplos de debandada da popula��o s�o Salvador, que, em uma d�cada, perdeu quase 10% de sua popula��o, e Rio de Janeiro, que encolheu em quase 110 mil habitantes. Essas capitais est�o entre as mais violentas do pa�s e as que ostentam �ndices de desocupa��o acima da m�dia nacional. Em contrapartida, duas das quatro cidades que mais cresceram em termos populacionais est�o no Centro-Oeste – Senador Canedo (Goi�s), onde o n�mero de habitantes avan�ou 84,3%, e Sinop (Mato Grosso), com salto de 73,4%. Os outros dois munic�pios ficam em regi�es produtoras de gr�os: Lu�s Eduardo Magalh�es (Bahia), que ganhou 79,5% a mais de moradores, e Fazenda Rio Grande (Paran�), com alta de 82,3%.

O agroneg�cio n�o movimenta apenas o campo. Com a renda gerada pelo plantio, toda a economia dos munic�pios produtores de alimentos se movimenta, puxando, sobretudo, o setor de servi�os, com especial destaque para o com�rcio. O impacto tamb�m se irradia pelo setor p�blico, que � obrigado a ampliar o quadro do funcionalismo para atender a demanda maior por servi�os. � a� que reside o principal desafio das administra��es: garantir que, com o afluxo maior de pessoas, as condi��es de vida que todos valorizam n�o se degradem. Sa�de, educa��o, infraestrutura e seguran�a exigem cada vez mais investimentos.

Encravada na regi�o, Bras�lia tamb�m se beneficia do potencial agr�cola, registrando os maiores �ndices de produtividade de gr�os por hectare do pa�s. A cidade j� � a terceira do Brasil em termos populacionais, atr�s apenas de S�o Paulo e do Rio de Janeiro. � fundamental, portanto, que o Congresso mantenha os repasses para o Fundo Constitucional do Distrito Federal. Qualquer altera��o na transfer�ncia de recursos por parte da Uni�o significar� menor capacidade do governo local de garantir atendimento em hospitais, postos de sa�de, escolas e bem-estar social. A geografia do Brasil mudou e isso deve ser levado em conta pelos gestores.

Mesmo em termos macroecon�micos, � poss�vel medir como o Centro-Oeste tem feito a diferen�a. As exporta��es de gr�os s�o, hoje, a maior fonte de entrada de d�lares no Brasil, que, al�m de refor�arem as reservas internacionais, empurram os pre�os da moeda norte-americana para baixo e ajudam no controle da infla��o. Tentar ignorar essa realidade � n�o compreender que o pa�s escolheu um novo caminho para crescer, gerar empregos, distribuir renda e garantir uma vida melhor � popula��o. O Centro-Oeste, inclusive, est� mexendo com o mapa pol�tico na na��o. Os pr�ximos anos mostrar�o o que esse movimento reserva. E n�o ser� nada trivial. Fiquemos atentos.


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