
Diversos brasileiros est�o indo a Portugal para estudar em universidades do pa�s, principalmente devido aos pre�os das mensalidades e acomoda��o, em geral mais baratos do que nas institui��es privadas do Brasil.
“No Brasil, pelos quatro anos do curso, morando em uma rep�blica, eu iria gastar perto de R$ 40 mil. Aqui em Portugal, o curso vai sair por 3 mil euros (cerca de R$ 6,9 mil), e o que eu pago para me manter � muito menos do que pagaria l�”, diz Thiago Mour�o, natural de Campo Mour�o (PR), que deixou o curso de

“Como eu tenho o estatuto de igualdade de direitos entre portugueses e brasileiros, consegui uma bolsa de 180 euros por m�s, um lugar numa resid�ncia universit�ria, onde pago 80 euros por m�s, e as refei��es na cantina da universidade saem por 2,50 euros. Os livros aqui s�o mais baratos e eu gasto ao todo 450 euros (R$ 1.050) por m�s”.
Para a cearense Elisianne Campos de Melo Soares, que faz mestrado em Cultura e Comunica��o na Universidade de Lisboa, a decis�o de ir para Portugal tamb�m foi tomada na ponta do l�pis. “Havia um mestrado que me interessava na Universidade Federal da Bahia, mas seria mais caro. Era mais de R$ 1,5 mil por m�s. Aqui em Lisboa, eu pago 1,2 mil euros (R$ 2.750) por ano”. Em Portugal desde setembro, o objetivo da brasileira �, depois de terminar o mestrado, fazer o doutorado em Portugal.
Sem portugueses
Na mais tradicional faculdade de direito de Portugal, a da Universidade de Lisboa, o advogado Emanuel Anderson Martins, que veio de Curitiba, vive uma situa��o peculiar: ele n�o tem colegas portugueses. “H� dois mestrados na faculdade, o cient�fico e o profissionalizante, e os portugueses s� querem o profissionalizante. No curso de Ci�ncia Pol�tica, do mestrado cient�fico, s� h� brasileiros na classe”, diz.
Martins � advogado trabalhista, com um escrit�rio na capital paranaense. Ele afirma que um dos problemas no Brasil � o n�mero pequeno de vagas em rela��o � demanda, al�m das linhas de pesquisa pouco diversificadas. “Se formos para uma faculdade de qualidade, como a PUC de S�o Paulo ou o Mackenzie, a mensalidade mais barata fica entre R$ 2,5 mil e R$ 2,8 mil, o que daria mais de R$ 40 mil pelo curso. Em Portugal, h� excelentes universidades e o pa�s � uma refer�ncia para o desenvolvimento do direito brasileiro. Pelo curso inteiro vou pagar 3,5 mil euros, o que d� perto de R$ 8 mil”.
Dificuldades
A professora cearense L�dia Maropo, que fez o doutorado em Portugal e d� aulas de Teoria da Comunica��o em faculdades portuguesas, diz que muitos brasileiros v�o ao pa�s europeu despreparados. “Aqui em Portugal, uma boa parte da bibliografia � em ingl�s. Muitos brasileiros que chegam n�o falam nem leem em ingl�s. Eles ficam perdidos nas aulas”, afirma. “H� alunos bons e outros despreparados, com uma desinforma��o muito grande, que n�o teriam condi��es de fazer mestrado no Brasil”.
Entre as vantagens que L�dia aponta em Portugal, est� a possibilidade de ter contato com a bibliografia mais recente. “Eu recebi uma bolsa da Funda��o para a Ci�ncia e Tecnologia, de Portugal, e tinha uma verba para a compra de livros. No Brasil, comprar de livros de fora � muito caro”.
Na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, cujo MBA � considerado um das melhores da Europa, o n�mero de brasileiros � menor. “Temos crit�rios extremamente seletivos, queremos sinalizar a qualidade”, diz o diretor para Assuntos Internacionais, Amaro de Matos, que estudou na USP e na Funda��o Get�lio Vargas, em S�o Paulo.
Segundo Matos, metade dos alunos de mestrado da faculdade s�o estrangeiros, mas apenas 7,5% v�m do Brasil. “Fazemos parte da rede CEMS, na qual s� entra a melhor escola de administra��o do pa�s. Atra�mos n�o s� brasileiros, mas alunos da Europa Oriental, e at� da �sia”. Uma das caracter�sticas do MBA da Nova � que o curso � dado todo em ingl�s.
Em rela��o �s outras escolas da rede, Matos indica o custo para o aluno como uma grande vantagem. “Nas licenciaturas cobramos 900 euros por ano (R$ 2,1 mil) e nos mestrados 2,2 mil euros por semestre (R$ 5,1 mil)”, afirma.
Financeiramente, esta pode ser uma das mais baratas da rede. “Na escola da Dinamarca, os alunos da Uni�o Europeia pagam zero, mas os de fora pagam o custo real que � de 15 mil euros por ano. N�s cobramos o mesmo de todos os alunos, seja holand�s, dinamarqu�s, portugu�s ou brasileiro”.
