Uma viola na m�o, uma ideia na cabe�a e um hobby que se transformou em profiss�o. Aos 15 anos, Samuel Vignoli aprendia a dedilhar suas primeiras m�sicas, quando teve a ideia de compartilhar as tradicionais cifras em uma p�gina na internet. De Raul Seixas aos cantores sertanejos da moda, todos eram inclu�dos na p�gina, que, de tanto sucesso, o for�ou a sair da ag�ncia de publicidade que trabalhava para se dedicar com exclusividade ao site. E a decis�o mostrou-se acertada: o endere�o eletr�nico se confirmou como o maior do segmento no pa�s e os mais de 32 milh�es de visitantes mensais foram convertidos em valores poderosos.
Num universo de 150 mil brasileiros que se beneficiam da publicidade gerada pelo AdSense (programa da gigante de tecnologia Google que captura an�ncios para editores de sites e blogs), o mineiro Samuel, hoje aos 30 anos, � apontado como o n�mero 1 em faturamento no pa�s. Apesar de n�o revelar os rendimentos, ele tem 65 funcion�rios, que foram contratados para mais uma inova��o: criar v�deoaulas para ensinar iniciantes a tocar viol�o, bateria e contrabaixo. “A minha ideia inicial era fazer o que a Wikipedia fez anos depois: criar uma p�gina para compartilhamento de cifras”, afirma Samuel, que ampliou o Cifra Club e passou a disponibilizar tamb�m letras de m�sicas, garantindo que as visitas se multiplicassem por cinco.
O mineiro se enquadra entre os 20% que faturam aproximadamente 80% do mercado de publicidade gerada por interm�dio do Google. Nesse nicho est�o tamb�m grandes empresas de not�cia e gera��o de conte�do. Mundo afora, em 2011 o AdSense gerou US$ 6,5 bilh�es – a empresa n�o fornece os dados brasileiros. Mas a fatia restante, que � dividida entre os outros 80% de editores de web cadastrados no programa, � significativa: US$ 1,3 bilh�o.
Depois de criar suas p�ginas, os internautas se cadastram na ferramenta e lhes s�o oferecidas publicidades para dividir o espa�o com o conte�do criado. O respons�vel pelo endere�o pode escolher em que local posicionar� o banner e a quantidade. At� o tema da propaganda � poss�vel selecionar. A cada clique do visitante no an�ncio, o site pode ouvir o barulhinho da m�quina registradora e o Google tamb�m. Dois ter�os do valor s�o destinados ao empres�rio e o restante fica com a multinacional norte-americana. Assim, quanto mais visitantes maior as possibilidades de eles clicarem nos banners e maior tamb�m os lucros do site.
Nessa parcela de criadores da internet que abocanha um quinto da receita gerada pelo AdSense est�o os irm�os e os professores Evandro e Fabr�cio Marques de Oliveira. Nascidos na pequenina Guidoval, na Zona da Mata, criaram, em 1999, um site de educa��o, com dados de vestibulares de todo o pa�s (datas de inscri��o e provas, simulados etc), dicas e material de ensino para apoiar nos estudos. Uma d�cada depois da cria��o, eles implementaram a ferramenta para capta��o de an�ncios e atualmente arrecadam R$ 9 mil por m�s. O valor � um interessante complemento de renda. At� o fim do ano, quando Fabr�cio deve concluir o doutorado em qu�mica, eles pretendem abandonar os empregos e aumentar os ganhos do site. E d�o a f�rmula de como conseguir sucesso na internet: buscar setores pouco explorados.
No caso deles, n�o s�o as publica��es referentes �s faculdades do Sudeste que garantem mais acessos, e sim aqueles referentes �s universidades do Par�, Amazonas e Roraima. Como h� poucas informa��es dispon�veis sobre esses concursos, eles ocupam um espa�o pouco explorado e conseguem picos de acessos que USP, UFMG e UFRJ n�o lhes d�o. “As redes sociais tamb�m ajudam muito a aumentar a visibilidade. Antes de entrarmos no Facebook e no Twitter t�nhamos 700 mil visitantes por m�s. Hoje, s�o mais de 4 milh�es, com picos de 6 milh�es em meses de corre��o do Exame Nacional do Ensino M�dio (Enem)”, afirma Evandro.
Potencialidade o mercado
At� 2015, mais pessoas ir�o acessar a internet pelo celular que pelo computador convencional, segundo estudos do Google, e o Brasil deve representar o segundo maior mercado de internet m�vel, atr�s apenas da China. Esse cen�rio mostra a potencialidade do mercado e aponta um horizonte promissor para aqueles publishers que decidirem adequar o formato de seus sites tamb�m para smartphones. O diretor do AdSense na Am�rica Latina, Alberto Menone, alerta para a necessidade de se adaptar para outro tipo de plataforma: “Se demorar muito, tem grande risco de perder esses usu�rios”, afirma. Pesquisas mostram que daqui a tr�s anos o investimento em publicidade m�vel deve aumentar 600% no Brasil.
