“Tenho depress�o e n�o tenho preconceito com medicamentos. Gosto mais de mim com o rem�dio. Aprendi que, com ele, n�o deixo de ser eu mesma. Passo a ser quem eu sou.” Assim, Let�cia, psic�loga e professora, de 34 anos, define sua rela��o com os antidepressivos, mercado que n�o para de crescer e s� no ano passado movimentou R$ 1,85 bilh�o, junto com os estabilizadores de humor. A alta � de 16,29% em rela��o a 2011, quando movimentou R$ 1,59 bilh�o.
Os dados fazem parte de levantamento feito para o Estado de Minas pelo IMS Health, instituto de pesquisa que faz auditoria para o mercado de medicamentos. Foram 42,33 milh�es de caixas vendidas em 2012 dos rem�dios que ajudam a amenizar desde depress�o at� a ins�nia de quem n�o consegue relaxar, tamanho o estresse do dia – alta de 8,72% em rela��o a 2011, quando foram vendidas 38,94 milh�es de caixas. � como se um a cada cinco brasileiros consumisse uma caixa de antidepressivo ou estabilizador de humor por ano.
Com pre�os que podem ir de R$ 8 a mais de R$ 200, a venda de antidepressivos e ansiol�ticos coloca o Brasil na lideran�a mundial. Medicamentos como o clonazepam, princ�pio ativo do ansiol�tico Rivotril, est�o entre os mais vendidos do pa�s, � frente at� mesmo de p�lulas anticoncepcionais e analg�sicos. Depois de investir bilh�es de d�lares, a ind�stria farmac�utica, para muitos, desvendou a qu�mica da felicidade. No pa�s, o faturamento com a comercializa��o desses medicamentos cresceu mais de 200% nos �ltimos seis anos. Os n�meros s�o favor�veis para a ind�stria, entretanto desafiam especialistas em sa�de.
Ass�dio
“H� uma simplifica��o do tratamento. Muita gente acaba reduzindo-o ao consumo de rem�dio, o que muitas vezes provoca distor��o”, afirma Maur�cio Le�o de Rezende, presidente da Associa��o Mineira de Psiquiatria (AMP) e diretor-secret�rio da Associa��o Brasileira de Psiquiatria (ABP). “O consumo de antidepressivo tanto na rede privada quanto na p�blica � em fun��o da irracionalidade da prescri��o. Al�m disso, a investida da ind�stria farmac�utica continua acirrada”, completa Rilke Novato P�blio, vice-presidente da Federa��o Nacional dos Farmac�uticos (Fenafar).
Para efeito de compara��o, neste ano, 900 mil turistas devem espantar a tristeza em quatro dias de carnaval no Rio de Janeiro – para o mundo, s�mbolo da alegria brasileira. A estimativa � de que eles gastem R$ 665 milh�es, ou seja, menos da metade do valor desembolsado para a p�lula da felicidade em 2012.
H� oito anos em tratamento, Let�cia est� em �tima fase. Encontrou o medicamento certo, que tem como princ�pio ativo a bupropiona. Com despesa de R$ 150 ao m�s, ela conta que conseguiu controlar o que � mais que uma tristeza, “uma aus�ncia de sentimentos”. Como o rem�dio � uma droga moderna, ainda n�o est� dispon�vel para distribui��o gratuita. O custo/benef�cio vale a pena. “No in�cio, j� tive resist�ncia, mas agora n�o, o rem�dio me ajudou a me encontrar”, revela.
Em 2007, a ge�loga Luiza de Barros iniciou um tratamento para vencer a depress�o e a ansiedade. Ela diz que a despesa com dois rem�dios, bupropiona associada ao cloridrato de venlafaxina, soma R$ 200 no seu or�amento mensal. O peso � consider�vel, mas o custo/benef�cio compensa, j� que medica��o mais barata n�o mostrou os mesmos resultados. “Sempre busquei tratamento com especialistas na �rea. Hoje me sinto melhor, e bem mais tranquila”, diz.
Sobre os ombros
O aquecimento da constru��o civil fez crescer a demanda para muitos profissionais da �rea, mas junto com o pacote avan�a tamb�m o estresse. Com a press�o de alguns pr�dios sobre os ombros, o engenheiro Ant�nio Jo�o, de 42 anos, foi parar no m�dico com dor no est�mago, ins�nia e pesadelos. A receita para tamanha ansiedade foi o ansiol�tico lorazepan, prescrito pelo cl�nico. Depois do rem�dio, os problemas n�o resistiram ao sono, e dormir ficou mais f�cil. “O tratamento durou dois meses, mas por conta pr�pria substitu� o rem�dio por um esporte, mudei a alimenta��o e passei a olhar para os problemas de outra forma. O desembolso n�o era alto, cerca de R$ 20 ao m�s. Meu medo era de viciar no rem�dio.”
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Brasileiro gasta R$ 1,8 bi com antidepressivos e estabilizadores de humor
Avan�o na venda de antidepressivos e ansiol�ticos ultrapassa 42 milh�es de caixas e p�e o pa�s na lideran�a mundial. � como se um a cada cinco brasileiros tomasse esses rem�dios
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