
O conglomerado argentino Corporaci�n Am�rica, que no Brasil possui participa��es nas empresas que gerenciam os aeroportos de Bras�lia e Natal, adquiriu do Grupo EBX, do empres�rio Eike Batista, a participa��o de 33,2% na Six Semicondutores. A f�brica de chips est� em constru��o em Ribeir�o das Neves e deve entrar em funcionamento em meados do ano que vem. Como o grupo EBX n�o vinha cumprindo os aportes previstos no cronograma, a entrada do grupo argentino como novo integrante do neg�cio garante a continuidade do projeto, que prev� investimentos na ordem de R$ 1 bilh�o. Desse total, 40% contar�o com financiamentos de longo prazo, em linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ�mico e Social (BNDES) e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), entre outros.
Eduardo Eurnekian, presidente da Corporaci�n Am�rica, n�o revelou o valor negociado com o empres�rio Eike Batista. O montante teria sido acordado rapidamente, ap�s os primeiros contatos entre os dois grupos. O executivo garantiu que todos os pontos iniciais previstos no contrato ser�o cumpridos. O grupo EBX j� havia investido R$ 81 milh�es, faltando ainda R$ 164 milh�es. A Six Semicondutores tem a participa��o do BNDES, BDMG, da norte-americana International Business Machines (IBM) e Matec Investimentos e Tecnologia Infinita WS-Intecs. Com a entrada do grupo argentino, as demais participa��es n�o se alteraram.
O governador de Minas, Antonio Anastasia, ressaltou que, desde que a EBX deixou o projeto, o BNDES e o BDMG fizeram um trabalho prospectivo. “A Corporaci�n Am�rica j� tem uma identidade muito forte com o segmento”, ressaltou. O grupo argentino controla a empresa Unitec Blue, que inaugurou no ano passado uma planta a 120 km de Buenos Aires, especializada na pesquisa e encapsulamento de semicondutores. A secret�ria de Desenvolvimento Econ�mico, Dorothea Werneck, ressaltou o impulso para toda a cadeia produtiva do setor. Os dois projetos, do Brasil e da Argentina, poder�o trabalhar de forma complementar , fornecendo mat�ria-prima de alta tecnologia para o mercado interno e tamb�m para exporta��o. A inten��o � que seja desenvolvido um polo de tecnologia em parceria com universidades, o que j� ocorre na f�brica da Argentina.
O Grupo Corporaci�n Am�rica � um conglomerado que atua em diversos setores, incluindo tecnologia, aeroportos, servi�os financeiros, rodovias, energia e agroneg�cio. O grupo est� presente em nove pa�ses. No Brasil, possui participa��es nas empresas que gerenciam os aeroportos de Bras�lia e Natal.
OTIMISMO
Em Ribeir�o das Neves, as obras da empresa devem ser adiantadas a partir de agora e a perspectiva da popula��o que vive no entorno da f�brica e assiste com curiosidade ao passo a passo da constru��o � de que a f�brica sirva para impulsionar a atividade econ�mica em Ribeir�o das Neves. “Hoje, a cidade � conhecida como dormit�rio porque os moradores n�o t�m emprego aqui e precisam sair para trabalhar em cidades vizinhas”, observa a dona de casa Janaina de F�tima Oliveira. Para ela, mesmo que a Six n�o gere empregos diretos para a popula��o local, ter uma f�brica de alta tecnologia vai contribuir para trazer novas perspectivas para a cidade. “Aqui � um lugar bom para se viver, o que falta � emprego e desenvolvimento. A vinda de f�bricas para c�, muda o estigma da cidade que pode se transformar em um centro de ind�strias e ser reconhecida por isso”, compara.
Outro que conta com os bons frutos da f�brica �s margens da BR-040 � o comerciante Micherlande Rocha. Dono de uma padaria pr�xima � Six, ele espera que novos clientes apare�am para o seu neg�cio e comenta que, no bairro, onde muitas ruas ainda n�o s�o asfaltadas e falta infra-estrutura b�sica, j� ronda uma especula��o quanto � valoriza��o dos terrenos no entorno da ind�stria.
A Six Semicondutores deve manter tamb�m inalterado seu modelo de neg�cios como fabricante de chips para utiliza��o em aplica��es industriais, agricultura de precis�o, cart�es inteligentes, aplica��es m�dicas de ponta e ci�ncias da vida. Seu diferencial competitivo ser� a cria��o, o desenvolvimento e a produ��o de circuitos integrados customizados, operando em nichos e obtendo, consequentemente, margens maiores do que na produ��o em massa de semicondutores.
Eus�bio da Silva � aposentado e dono de um botequim nos arredores. Ele nunca ouviu falar sobre chips customizados, mas diz que seja qual for a tecnologia que a empresa desenvolva em Ribeir�o das Neves, sua expectativa � que essa f�brica ajude a trazer mais empregos, especialmente para os jovens do munic�pio.
