A derrocada do grupo X enterrou o projeto de constru��o de um imp�rio industrial verde e amarelo. Sem cr�dito na pra�a, Eike Batista acabou encontrando em investidores externos a solu��o para uma sa�da honrosa das companhias que idealizou, mas n�o tirou do papel.
O saldo at� aqui inclui a transfer�ncia de ativos ou participa��es a sete grupos: a turca Yildirim, a alem� E.On, a americana EIG, a su��a Acron, a argentina Corporaci�n Am�rica, a holandesa Trafigura e o Mubadala, fundo soberano de Abu Dabi.
Apontado muitas vezes como megaloman�aco, Eike resgatou a imagem do empreendedor nacionalista e o “esp�rito animal” constantemente evocado pelo ministro Guido Mantega em momentos de crise.
Carism�tico, imprimia um tom ufanista a seus discursos e encerrava fatos relevantes de suas empresas com express�es como “Viva o Brasil!”. Se tivesse entregado o que prometia, o Pa�s teria hoje uma “mini-Petrobr�s” (a petroleira OGX), uma “mini-Vale” (MMX), a “Embraer dos mares” (OSX) e o “Roterd� dos tr�picos” (Porto do A�u).
Antes de cair em descren�a, o controlador da EBX recebeu elogios do Planalto e amealhou forte capital pol�tico, al�m do apoio de banqueiros e a admira��o de seus pares na ind�stria nacional. A pergunta no ar � por que nenhum grupo nacional disputou para valer os ativos ofertados em meio � crise do grupo?
Alguns deles acabaram vendidos na chamada “bacia das almas”. Foi o caso das minas de carv�o da CCX na Col�mbia, que ser�o alienadas ao grupo turco Yildirim por US$ 125 milh�es. O acordo divulgado no dia 3 tem valor 72% inferior ao que constava no memorando assinado entre as duas companhias em outubro. O montante de US$ 450 milh�es estava sujeito � an�lise operacional do neg�cio e acabou reduzido, revelando a fragilidade do projeto.
X da quest�o. Para Cl�udio Frischtak, s�cio da Inter.B Consultoria Internacional de Neg�cios, um dos X da quest�o est� justamente no fato de muitas dessas companhias ainda serem pr�-operacionais. Isso se soma a um momento em que o investidor brasileiro est� com o freio de m�o puxado diante da economia menos aquecida, do cen�rio de indefini��o pol�tica e de juros em alta, abrindo a janela para aplica��es financeiras em detrimento de apostas no setor real.
“H� uma percep��o de risco alta em rela��o a empresas que n�o performaram. Depois da maior debacle da hist�ria empresarial do Pa�s, as pessoas est�o mais cautelosas. � mais dif�cil um ‘projeto de papel’ decolar”, diz Frischtak.
De acordo com fontes que participaram do processo de venda de ativos, grupos nacionais fizeram propostas por alguns ativos, mas quase sempre indecorosas do ponto de vista estrat�gico e de pre�o.
A Odebrecht tentou comprar uma �rea do Porto do A�u que pode operar como base de apoio offshore para o setor de petr�leo e g�s. Eike recusou porque seria como vender o fil� mignon do gigantesco complexo.
Se loteasse o A�u, o empres�rio ficaria com um elefante branco na m�o. Com a venda do controle da LLX, dona do porto, para a americana EIG, ele manteve 20,9% do neg�cio.
J� no caso da mineradora MMX, Eike acabou aceitando separar os ativos e vender somente o controle do Porto do Sudeste, por onde escoaria o min�rio de ferro da MMX, � trading holandesa Trafigura e ao Mubadala. O fundo soberano de Abu Dabi det�m uma fatia da EBX e chegou a ter exposi��o de US$ 2 bilh�es ao grupo, um fator que certamente pesou nas tratativas.
“O tombo aqui foi muito forte e o julgamento dos brasileiros sobre o Eike mais duro. O distanciamento permitiu aos estrangeiros enxergar o potencial de recupera��o dos ativos”, diz um investidor internacional.
N�o foi s� isso. O apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ�mico e Social (BNDES) pesou 100% na an�lise dos estrangeiros. A americana EIG Global Energy Partners j� tem engatilhado novo pedido de financiamento para o A�u. Na Eneva (ex-MPX) e na SIX Semicondutores o banco det�m participa��es relevantes (10,34% e 33,02%, respectivamente). No caso do Hotel Gl�ria, o financiamento de R$ 190,6 milh�es depende apenas de documenta��o para ser repassado � Acron.
Apesar de contar com fian�as banc�rias para garantir os empr�stimos dados �s empresas X, o banco ficaria em situa��o desconfort�vel caso n�o houvesse uma solu��o ordenada que viabilizasse os projetos. Os juros subsidiados do BNDES ajudaram na hora de fechar a conta de d�vida dos novos s�cios das empresas.
O professor de economia da PUC-SP Antonio Correa de Lacerda destaca que o Brasil � o 5.º no ranking global de atra��o de Investimento Estrangeiro Direto (IED), por isso � natural que o capital externo esteja atento �s oportunidades de investimento no Pa�s. Al�m disso, Eike Batista sempre fez quest�o de dar visibilidade �s companhias no exterior, onde fez uma s�rie de road shows.
Para Lacerda, a desnacionaliza��o do grupo X preocupa por reduzir a inser��o do Pa�s nas cadeias globais de produ��o. A aquisi��o de fatias das empresas X foi uma porta de entrada desses grupos para o Brasil ou em um novo setor. As informa��es s�o do jornal
O Estado de S. Paulo
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Imp�rio "verde e amarelo" de Eike vai para multis
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