A Cesp, empresa que atualmente opera a usina Tr�s Irm�os, no munic�pio de Pereira Barreto (SP), continuar� a receber pelo servi�o prestado com a opera��o da usina at� o novo operador assumir o ativo. A opera��o das duas eclusas e do canal de navega��o continuar� sob responsabilidade do governo estadual, controlador da Cesp, at� que seja definido quem assumir� tais atividades. O pr�prio cons�rcio Novo Oriente, vencedor do leil�o de Tr�s Irm�os realizado nesta sexta-feira, poderia ser contratado pelo governo paulista para assumir a opera��o no local, classificada como de car�ter do setor de transportes, e n�o energ�tico.
O futuro da opera��o de Tr�s Irm�os at� ser assumida pelo cons�rcio Novo Oriente - formado por Furnas e um fundo de investimento chamado Constantinopla - ser� objeto de discuss�es entre a Cesp e representantes do setor el�trico nacional. O diretor da Aneel, Andr� Pepitone, acredita que o processo de transfer�ncia de opera��o da usina ser� feito de forma satisfat�ria. A Cesp tem destacado nos �ltimos dias, por outro lado, que poderia interromper a opera��o de Tr�s Irm�os a partir do desfecho do leil�o de hoje, e tentou at� o �ltimo momento impedir a realiza��o do leil�o.
Outro ponto que ser� discutido entre Cesp e membros do setor el�trico, segundo Pepitone, � o projeto de recupera��o de uma das turbinas instaladas em Tr�s Irm�os, danificada desde o ano passado. H� um seguro, cuja franquia est� avaliada em R$ 1 milh�o, que poderia viabilizar a recupera��o da turbina, esta estimada em R$ 15 milh�es. Ainda n�o h� a decis�o, contudo, se a Cesp contratar� essa franquia ou se o seguro poderia ser endossado para o cons�rcio Novo Oriente. "N�o tenho d�vida de que teremos um trabalho proativo entre Aneel, Cesp e o Novo Oriente", previu Pepitone.
Em rela��o � opera��o das eclusas, o diretor da Aneel, Rom�rio de Oliveira Batista, salientou que o Minist�rio dos Transportes se mostrou disposto a contribuir para a defini��o do papel das empresas nesses ativos. At� o momento, as eclusas e o canal de navega��o eram operados pela Cesp, a mesma empresa que operava a usina hidrel�trica de Tr�s Irm�os. "Recebemos um posicionamento do minist�rio manifestando disposi��o de custear a manuten��o e a opera��o das eclusas", disse. Esse posi��o poderia ser mantida por um prazo de at� um ano.
O cons�rcio Novo Oriente deve assinar o contrato de concess�o de Tr�s Irm�os em 6 de agosto e ent�o ter� 6 meses para assumir a opera��o do ativo. Durante esse per�odo, as atividades devem ocorrer a partir de uma opera��o assistida, com a participa��o conjunta dos novos concession�rios e da Cesp. "O pr�prio cons�rcio j� indicou ter grande interesse em manter os atuais operadores (trabalhadores)", disse Pepitone, repetindo frase dita minutos antes pela diretora de Furnas, Olga Simbalista.
Perguntada sobre os atuais funcion�rios de Tr�s Irm�os, Olga destacou que a companhia tem interesse em aproveitar o conhecimento das pessoas que operam atualmente a usina Tr�s Irm�os.
Fundo
O fundo de investimento Constantinopla, que responde por 50,1% do cons�rcio Novo Oriente - Furnas det�m os 49,9% restantes -, � composto por cinco cotistas, dos quais dois de perfil financeiro e outros tr�s atuantes no setor el�trico, todos de capital nacional. Os nomes foram mantidos sob sigilo em coletiva de imprensa realizada ap�s a realiza��o do leil�o de Tr�s Irm�os, mas j� se sabe que a participa��o das cinco empresas n�o se d� de forma igualit�ria dentro do fundo
A Cypress � a gestora do fundo Constantinopla, que levantou "pouco menos" de R$ 200 milh�es em investimentos, segundo o gestor do fundo, Eduardo Borges.
Olga informou que o cons�rcio Novo Oriente possu�a tr�s envelopes com propostas para o leil�o de hoje. Mas, diante da aus�ncia de outras ofertas, entregou apenas uma proposta alinhada com o valor teto de R$ 31,6 milh�es exigido pelo governo. A proposta ficou menos de R$ 1,00 abaixo do pre�o teto, valor que caracteriza uma aus�ncia de des�gio em rela��o ao valor estabelecido inicialmente.
Furnas e o fundo constituir�o uma empresa de prop�sito espec�fico para operar a usina, e demonstram otimismo em rela��o � rentabilidade do projeto. "Um neg�cio novo, com parceiro novo, n�o existe se n�o houver uma margem, uma atratividade", complementou Olga.
A executiva tamb�m revelou que, durante o processo de chamada p�blica para potenciais interessados na usina de Tr�s Irm�os, "v�rias" empresas procuraram Furnas. Hoje, por�m, apenas o cons�rcio Novo Oriente entregou proposta pelo ativo.
"Pensamos inclusive em vir a esse leil�o como empreendimento corporativo de Furnas, mas por quest�o de agilidade de contrata��es e por uma maior efic�cia chegamos � conclus�o de que seria mais eficaz constituir um fundo com pessoas experientes para entrar nesse que � um novo segmento de Furnas", disse a diretora, diferenciando o modelo de operar usinas leiloadas e o modelo de construir usinas do zero e oper�-las.
