O indicador nacional tamb�m deve superar o de 2012 (5,83%) e o de 2013 (5,91%). O balan�o ser� divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat�stica (IBGE) na sexta-feira e vale recordar que o IPCA de janeiro a novembro acumula alta de 6,56%, em 12 meses no pa�s. Por outro lado, n�o h� unanimidade entre os especialistas de que o indicador vai superar o teto da meta. “Ficar� bem perto do teto, sendo um pouco menor ou um pouco maior”, avaliou o economista Eduardo Antunes, da Funda��o Ipead/UFMG.
Em junho, em conversa com rep�rteres em Bras�lia e diante de cr�ticas da oposi��o de que a disparada dos pre�os comprometia o crescimento da economia, a presidenta Dilma Rousseff garantiu que o drag�o estava sob controle: “Quero dizer para voc�s que a infla��o est� sob controle, que o pa�s tem todas as condi��es de manter um crescimento constante e cont�nuo a partir de agora, e que tudo que plantamos vamos colher”. J� em setembro, durante a campanha eleitoral, ela rifou Guido Mantega, ent�o ministro da Fazenda.
Nova conta Para 2015, por�m, tanto ele quanto outros especialistas acreditam, pelo menos nesse momento, que o IPCA vai superar o teto de 6,5% definido pelo Pal�cio do Planalto. “Este ano ser� de ajustes. Acho dif�cil ficar abaixo. Gostaria muito de queimar a l�ngua porque quem paga a conta � o consumidor. Mas, neste m�s, por exemplo, dever� ocorrer reajuste em torno de 6% no valor da energia el�trica”, prev� Eduardo. O �ltimo boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central (BC) com base na opini�o dos principais especialistas do mercado, estipulou o IPCA nacional de 2015 em 6,56%.

“Ap�s surpreender a totalidade dos analistas em outubro, aumentando a Selic em 0,25 ponto percentual, para 11,25%, o Copom (Comit� de Pol�tica Monet�ria do BC) decidiu, em dezembro, intensificar o ritmo do aperto monet�rio, elevando a Selic a 11,75%. Diante dessa decis�o, reafirmamos o nosso cen�rio de juros, que j� previa um aperto monet�rio total de 150 pontos-base, elevando a Selic a 12,5% ao ano. O ciclo de aperto dever� manter o gradualismo. O Copom deixou essa quest�o em aberto, ao mencionar ‘que o esfor�o adicional de pol�tica monet�ria tende a ser implementado com parcim�nia’”, avaliou o economista Fl�vio Combat, da Conc�rdia.
Viagens
Em Belo Horizonte, levando-se em conta os produtos e servi�os individuais, o maior impacto na alta do IPCA no ano passado foi causado pelo item excurs�es (varia��o de 71,36%). Em raz�o da alta do d�lar ao longo de 2014, muitos brasileiros trocaram as viagens internacionais pelas dom�sticas, puxando pre�os de hot�is e dos transportes para cima.
Para se ter ideia, a m�dia mensal da moeda americana oscilou 12,3% de janeiro (R$ 2,35) a dezembro (R$ 2,64). O reflexo da disparada do d�lar no pre�o das excurs�es internas atrapalhou as f�rias que Luciene Pereira de Jesus, de 37 anos, havia planejado com a fam�lia para Natal (RN) daqui alguns meses. “Decidi que vamos ficar por aqui, passear por aqui, porque ficaria uma viagem muito cara”. Em julho de 2014, ela foi para Porto Seguro (BA) com os filhos e se surpreendeu com o pre�o das mercadorias na regi�o: “Paguei mais de R$ 30 num PF (prato feito). N�o quero que isso ocorra novamente. Por isso suspendi a viagem para Natal”.
O aumento dos pre�os, ali�s, levou Luciene a mudar o estilo de vida: “Semana passada fui ao sacol�o e sa� de l� com alguns produtos em duas sacolas m�dias. Desembolsei R$ 80. � um valor muito alto. H� alguns meses, eu gastava o mesmo valor, mas sa�a com maior n�mero de produtos e sacolas. Mudei tamb�m o n�mero de idas ao sal�o de beleza. Eu ia toda semana. Fazia cabelo e unhas. Hoje, n�o vou com tanta frequ�ncia”.
Outra mudan�a que ela tem em mente � alterar o modo de transporte do bairro onde mora, o Renascen�a, para o local em que trabalha, o Santa Efig�nia. “Quero comprar uma moto, pois a passagem do �nibus na capital est� muito cara. Pago R$ 3,10 para ir ao trabalho e mais R$ 3,10 na volta para casa. � um pre�o alto para a qualidade do transporte. O coletivo passa cheio e muitas vezes fora do hor�rio”, reclama a funcion�ria de uma pizzaria. O transporte que ela faz quest�o de reclamar ajudar� a impactar a infla��o na capital mineira em janeiro.
Isso porque o reajuste das tarifas do transporte coletivo na cidade ocorreu em 29 de dezembro, quando a maioria das linhas teve o valor do bilhete aumentado em 8,7%, de R$ 2,85 para R$ 3,10. “Haver� ainda o impacto do IPTU, matr�cula escolar…”, lembrou o economista da Funda��o Ipead/UFMG.

