S�o Paulo, 03 - A suspens�o de contratos, falta de pagamentos e fal�ncia de empresas sat�lites � cadeia de �leo e g�s da Petrobras e das empreiteiras devem pesar nos balan�os do primeiro trimestre dos bancos m�dios, sobretudo aqueles focados no cr�dito corporativo. Mas esse n�o � �nico desafio do nicho. A desacelera��o econ�mica e a queda nos pre�os das commodities agr�colas igualmente ficar�o evidentes nos n�meros dessas institui��es, que provavelmente come�am o ano com lucros e retornos limitados.
Embora praticamente todas as institui��es de nicho tenham citado baixa exposi��o em rela��o as suas carteiras de empr�stimo as empresas citadas na Lava Jato e � cadeia de �leo e g�s da Petrobras no trimestre passado, sabe-se que o risco est� no efeito domin� de tal crise, ou seja, clientes dessas institui��es. Ao mesmo tempo, as tr�s companhias do setor de constru��o pediram recupera��o judicial, OAS, Grupo Galv�o e Schahin Engenharia t�m cr�ditos tomados nesses bancos, como o caso do Pine, que deve dobrar suas provis�es no primeiro trimestre.
Os analistas esperam aumento de provis�o tamb�m no Banco ABC Brasil e no Bicbanco, que assim como o Pine t�m sua carteira de cr�dito concentrada no cr�dito para empresas corporate (com faturamento acima de R$ 500 milh�es ao ano). Tirando esses tr�s, os demais bancos de nicho t�m carteiras um pouco mais diversificadas. Daycoval est� focado nas empresas de menor porte e concentrado em prazos de empr�stimos de at� um ano, al�m do cr�dito consignado ter importante participa��o da carteira como um todo. O Banco Banrisul tamb�m diversifica no consignado e em sua opera��o com adquir�ncia e cart�es, enquanto o BI&P tem buscado crescer no cr�dito agr�cola. Analistas esperam que essas institui��es tamb�m reforcem provis�es.
O provisionamento ser� pesado no primeiro trimestre", prev� o economista e analista de bancos da Lopes Filho Consultoria, Jo�o Augusto Salles. Ele explica que no primeiro trimestre os bancos n�o tinham visibilidade dos problemas da Petrobras sobre o potencial das perdas para o setor produtivo. "Existia incerteza sobre as perdas da Petrobras com propina, o valor de baixa dos ativos, implica��es na sua opera��o e investimentos, o que se refletia na amplia��o do risco da cadeia de �leo e g�s e das empreiteiras", observou o analista.
Ele destaca que a divulga��o do balan�o da petroleira trouxe luz a tais quest�es e deve levar os bancos a melhor mensurar as provis�es. "O risco n�o diminuiu, mas as provis�es, ainda que permane�am em patamar elevado, podem desacelerar de ritmo no segundo semestre, com o destravamento nas opera��es da Petrobras", calcula. De todo modo, acrescenta, a din�mica das provis�es continuar� consumindo a lucratividade dos bancos m�dios.
Salles diz que diante desse desafio, os bancos m�dios v�o seguir mostrando caixa elevado. "Essas institui��es s�o testadas pelo mercado em momentos como este, al�m de elevar as provis�es, desaceleram o cr�dito e mostram caixa para tranquilizar as assets, que s�o as provedoras de funding", afirmou.
Os analistas do GBM disseram que as despesas com provis�es devem ser o maior problema para os bancos de m�dio porte, reduzindo a lucratividade desse segmento no trimestre. Segundo comentaram em entrevista, o fator positivo para tais institui��es � que conseguiram reprecificar os cr�ditos na esteira de uma menor competi��o com os bancos maiores. "Mesmo assim, isso n�o ser� suficiente para compensar o efeito adverso das provis�es", observam.
O GBM acredita que as provis�es do Pine subir�o 270% no primeiro trimestre em rela��o ao mesmo per�odo do ano passado, para R$ 46 milh�es, e que o lucro cair� 80% no mesmo per�odo para R$ 7 milh�es. O ABC Brasil deve elevar em 80% das provis�es para R$ 46 milh�es no primeiro trimestre, mas ainda assim registrar aumento anual de 15,4% em seu lucro para R$ 81,4 milh�es. Para o Bicbanco, a proje��o do GBM � de eleva��o de 50,6% das provis�es para R$ 95,1 milh�es, enquanto o resultado previsto � de preju�zo de R$ 50 milh�es. Para o Daycoval, a previs�o do GBM � de queda de 14,2% nas provis�es em um ano para R$ 108,7 milh�es no primeiro trimestre, enquanto o lucro l�quido deve subir 47,2% para R$ 103,9 milh�es.
Os analistas do Banco Votorantim acreditam que o ABC fechar� o trimestre com provis�es de R$ 52 milh�es e lucro l�quido de R$ 84 milh�es. Para o Banrisul, os analistas estimam provis�es em R$ 223 milh�es e um lucro l�quido de R$ 186 milh�es. O Votorantim espera que o Daycoval apresente provis�es de R$ 111 milh�es no primeiro trimestre e lucro l�quido de R$ 95 milh�es.
J� os analistas do BTG Pactual calculam o lucro l�quido do Pine no primeiro trimestre em R$ 17 milh�es, para o Banco ABC Brasil um lucro l�quido de R$ 79 milh�es, enquanto avaliam que o Banrisul mostrar� lucro l�quido de R$ 192 milh�es e o Daycoval, de R$ 87 milh�es.
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Balan�o de bancos m�dios deve mostrar peso da crise na Petrobras
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