Bras�lia, 15 - O Brasil apresentar� ao novo governo argentino de Mauricio Macri, em reuni�o em Buenos Aires nesta quinta-feira, 18, uma proposta de acordo de livre com�rcio no setor automotivo. "Caminhamos para o livre com�rcio no setor automotivo dentro do Mercosul. As condi��es est�o dadas", disse ao jornal "O Estado de S. Paulo" o ministro do Desenvolvimento, Ind�stria e Com�rcio Exterior, Armando Monteiro. Um acordo liberando o com�rcio automotivo foi assinado no ano passado com o Uruguai. Monteiro aposta na postura mais liberal do novo governo argentino para costurar a proposta.
O ministro avaliou que h� espa�o para que o com�rcio automotivo entre o Brasil e a Argentina possa se fortalecer, assim como em toda a regi�o. Um acordo automotivo tamb�m foi assinado com a Col�mbia em 2015. A estrat�gia brasileira � aumentar o acesso a mercados, principalmente neste momento em que a taxa de c�mbio no Brasil est� mais "amig�vel" para os produtos brasileiros.
Para ele, o aumento das exporta��es � a sa�da para as empresas enfrentarem a redu��o da demanda dom�stica, que n�o demonstra perspectiva de recupera��o r�pida. Ele avaliou que a balan�a comercial brasileira vai surpreender este ano e apresentar um resultado maior do que a previs�o de US$ 35 bilh�es de super�vit comercial.
O ministro ponderou que o setor automobil�stico n�o tem outra sa�da a n�o ser aumentar as exporta��es. "Temos que combinar a quest�o de c�mbio com a��es da pol�tica comercial brasileira para melhorar as condi��es de acesso ao mercado", disse.
A liberaliza��o do com�rcio de ve�culos com a Argentina � uma agenda antiga que sempre enfrentou resist�ncia do governo e dos empres�rios argentinos, que temem uma invas�o de carros brasileiros no Pa�s, afetando a ind�stria local. A Argentina j� deu sinais de que n�o ser� tarefa f�cil o fechamento do acordo.
O ministro brasileiro destaca, no entanto, que a ind�stria automotiva argentina tem vendido muitos ve�culos para o Brasil e que o livre com�rcio vai beneficiar os dois lados.
"Um acordo de livre com�rcio foi assinado no ano passado entre Brasil e Uruguai, um mercado muito menos expressivo e com uma ind�stria local menos forte do que a Argentina", lembrou.
O acordo automotivo entre Brasil e Argentina j� foi prorrogado v�rias vezes, com cotas, toda vez que se aproxima a data fixada para que o livre com�rcio entre em vigor. A �ltima renova��o ocorreu em 1� de julho de 2015, com vig�ncia de um ano. O acordo prev� um sistema chamado de "flex", pelo qual para cada d�lar que a Argentina exporta ao Brasil em autope�as e ve�culos, sem incid�ncia de impostos, pode importar 1,5 d�lar em produtos brasileiros.
Na reuni�o com os argentinos, Monteiro tamb�m espera discutir a troca de oferta entre Mercosul e Uni�o Europeia para o in�cio das negocia��es de livre com�rcio entre os blocos. Outro tema espinhoso. H� anos, as negocia��es se arrastam. Seja por resist�ncia do Brasil e da Argentina em abrir o mercado para produtos industriais europeus, seja por parte da Uni�o Europeia, que resiste em derrubar barreiras aos produtos agr�colas brasileiros.
Monteiro espera que a troca de ofertas - que indica os produtos e servi�os que ter�o redu��o das tarifas de importa��o at� chegar a zero - seja feita ainda no primeiro semestre deste ano. O Brasil esperava fazer essa troca de ofertas no ano passado, mas houve uma demora no fechamento da proposta do Mercosul, sobretudo por dificuldades impostas pela Argentina, ainda sob o comando do governo Kirchner. Depois foi a vez de os europeus pedirem o adiamento do processo para este ano. Monteiro acredita que uma reuni�o entre os dois blocos para fechar um cronograma deve ocorrer em mar�o.
"N�o tenho d�vida nenhuma que d� para avan�ar para viabilizar os ajustes necess�rios � oferta aos europeus no primeiro semestre", disse Monteiro, que depois da Argentina embarca no domingo para o M�xico para tentar fechar a negocia��o de acordo que pretende ampliar de cerca de 500 para 2 mil produtos o livre com�rcio bilateral.
Na reuni�o com os argentinos, tamb�m ser� discutida a reativa��o de uma comiss�o de monitoramento do com�rcio bilateral, temas fitossanit�rios e temas setoriais para acordos de l�cteos, p�ssegos e carne su�na.
Ainda como estrat�gia para ampliar mercados para os produtos brasileiros, o ministro espera avan�ar nos acordos do Mercosul com Peru e Col�mbia, que ficaram "congelados" nos �ltimos anos por conta de problemas setoriais. Ao final de 2017, a expectativa � que quase todo o nosso com�rcio com esses dois pa�ses esteja livre da tarifa de importa��o.
Segundo o ministro, o Brasil tamb�m vai trabalhar para fechar um acordo do Mercosul com o Canad� e depois ampliar com a �ndia. Hoje, a lista com os indianos � considerada muito modesta com alcance de apenas 450 produtos. Se espera aumentar para 2 mil produtos.
Proex
O ministro disse que n�o faltar� financiamento para o com�rcio exterior e descartou a possibilidade de cortes no Proex em 2016, linha administrada pelo Banco do Brasil com recursos do Tesouro. "N�o estou vendo corte no Proex", garantiu. A estrat�gia desse ano � ampliar as linhas de pr�-embarque e manter o or�amento que atenda �s necessidades. "N�o consta que algu�m deixou de exportar por falta de financiamento", frisou.
Monteiro avaliou ainda que o pre�os das commodities agr�colas, que ca�ram no ano passado, tendem a se estabilizar e que as exporta��es de produtos manufaturados devem crescer este ano, ajudadas pelo c�mbio. Segundo ele, n�o � inten��o do governo fazer um novo plano nacional de exporta��o, mas novas medidas pontuais poder�o ser anunciadas. "Queremos mais a��es. An�ncio de planos j� teve muito. Vamos agir para entregar o que est� no plano", disse.
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Brasil apresentar� a Macri proposta de livre com�rcio no setor automotivo
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