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Estado de Minas

Um ter�o dos devedores renegocia d�vidas, mas n�o consegue pag�-las


postado em 11/04/2016 10:26

S�o Paulo, 11 - O brasileiro endividado cortou gastos com lazer, roupas e restaurantes para quitar os d�bitos, mas, ainda assim, um ter�o da popula��o que renegociou o pagamento n�o est� conseguindo honr�-lo e voltou � condi��o de inadimplente. Para quem est� nessa condi��o, � poss�vel encontrar servi�os especializados na renegocia��o ou refinanciamento das d�vidas e at� aux�lio na parte psicol�gica.

"Falar de finan�as � um tabu, ainda mais se for sobre d�vida. As pessoas n�o sentam para olhar o quanto ganham e gastam", diz a economista-chefe do Servi�o de Prote��o ao Cr�dito (SPC Brasil), Marcela Kawauti. Pesquisa da empresa junto com a Confedera��o Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontou que seis em cada dez brasileiros n�o sabem quanto devem.

O inadimplente precisa come�ar pondo no papel todas as d�vidas, verificando as mais caras (com maior juro) e checando o sal�rio l�quido (ap�s todos os descontos). Desde 2012, a Funda��o Procon-SP oferece ajuda profissional a superendividados, aqueles cuja d�vida ultrapassa 50% dos ganhos, por exemplo. Ap�s preencher uma planilha financeira e passar por uma triagem, que seleciona os casos mais graves, o devedor recebe orienta��es. Em audi�ncias, especialistas fazem a intermedia��o na renegocia��o da d�vida com bancos e outras empresas.

Uma op��o � trocar d�vidas caras, como a do cart�o de cr�dito, cujo juro foi de 447,5% ao ano em fevereiro, por mais baratas. H� empresas que empacotam todas as d�vidas e as refinanciam, como a Novi, onde � poss�vel tomar um empr�stimo com garantia imobili�ria ou de autom�veis. No caso em que o im�vel � a garantia, a taxa de juros atual � de 18,86% ao ano e o empr�stimo soma at� 50% do valor do bem. As parcelas s�o de, no m�ximo, 30% da renda do cliente e o prazo � de at� 15 anos.

"O cliente pode tomar nosso empr�stimo para v�rios fins, mas cerca de 60% usam o servi�o para consolidar d�vidas", afirma o presidente da Novi, Luiz Pedro Albornoz. A vantagem seria o alongamento da d�vida, por um juro menor.

Uma das maneiras de trabalhar o problema da d�vida cr�nica e compulsiva � buscar apoio nos Devedores An�nimos. "Eu queria ter o dinheiro, n�o olhava juro nem quanto devia. Conforme o problema aumentou, acabei recorrendo ao �lcool", relata um membro do grupo, que preferiu n�o se identificar. Em encontros semanais, os participantes recebem o aux�lio para falar do problema e aprender a lidar com o que o grupo considera uma doen�a que n�o pode ser curada, mas detida.

Desinforma��o

Desemprego e descontrole financeiro aparecem como os principais motivos para o nome sujo na pra�a. Na pesquisa, a perda do emprego foi citada por 29,2%. "N�o deixa de ser um descontrole, pois indica que, quando estava empregada, a pessoa n�o fez nenhuma reserva", diz Marcela, do SPC Brasil.

Al�m da falta de educa��o financeira nas escolas e de conversa em casa, a desinforma��o � motivada pelo fato de o amplo acesso ao cr�dito ser um fen�meno recente, lembra Thiago Alvarez, s�cio do aplicativo GuiaBolso, que ajuda os usu�rios a controlar a movimenta��o das contas e cart�es. "O boom do cr�dito � recente, depois dos anos 2000. Trata-se de uma primeira gera��o que est� tendo acesso ao cr�dito e aprendendo a us�-lo", avalia.

A t�cnica em enfermagem J�ssica Duarte, de 27 anos, teve acesso a cart�o de cr�dito e cheque especial aos 18 anos, ap�s come�ar a trabalhar. "Eu me descontrolei por v�rios motivos: era muito nova, n�o tive aula de finan�as na escola p�blica onde estudei e moro com meus av�s e eles n�o me ensinaram, pois tamb�m n�o sabiam lidar com esses instrumentos. Os cart�es de cr�dito d�o a falsa ilus�o de que voc� tem dinheiro."

A sa�da do vermelho veio em 2014, depois que arranjou um segundo emprego. A d�vida havia chegado a seis vezes a renda l�quida de J�ssica. "Comecei a me incomodar, pois vi que eu s� gastava com bobeiras. Se precisava comprar algo um pouco mais caro, como um celular, por exemplo, tinha de pedir favor a algu�m, tinha vergonha, achava desagrad�vel. Foi a� que decidi limpar meu nome", conta.

As informa��es s�o do jornal

O Estado de S. Paulo.


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