S�o Paulo, 01 - Os resultados do Bradesco e do Santander Brasil no primeiro trimestre confirmaram as expectativas de um cen�rio mais desafiador para os grandes bancos no Pa�s, com calotes crescentes e encolhimento dos empr�stimos. A demanda ainda mais fraca associada � desvaloriza��o do d�lar, que fechou mar�o em R$ 3,59, influenciado pelo contexto pol�tico no Pa�s, contribuiu para que as carteiras diminu�ssem at� mesmo no comparativo anual.
O al�vio veio das receitas com tarifas e seguros, fora as margens financeiras, que seguiram sendo impulsionadas pela reprecifica��o das carteiras por conta dos juros altos. Apesar disso, n�o foram suficientes para evitar a queda no resultado, em linha com a expectativa de analistas que j� anteviam a piora dos n�meros do setor em meio ao aprofundamento da crise pol�tica e econ�mica no Brasil.
O Bradesco, por exemplo, reportou nesta semana a primeira queda anual em seu lucro l�quido em mais de quatro anos. O resultado cont�bil da institui��o somou R$ 4,121 bilh�es, cifra 2,9% menor do que a vista em id�ntico intervalo de 2015, de R$ 4,244 bilh�es. A queda ocorreu, principalmente, por conta da constitui��o de uma provis�o espec�fica para uma grande empresa do setor de �leo e g�s, no valor de R$ 836 milh�es. O banco n�o revelou o nome, mas, segundo analistas, seria a Sete Brasil, prestes a entrar com pedido de recupera��o judicial.
Luiz Carlos Angelotti, diretor gerente e de rela��es com investidores do Bradesco, disse que esse cr�dito estava 10% provisionado, mas foi feito um ajuste para 70% por agrava��o de rating. Embora tenha descartado provis�o do mesmo montante no pr�ximo trimestre, admitiu que, se necess�rio, novos colch�es ser�o constitu�dos. "Entendemos que n�o deve se repetir todo trimestre, mas pode ocorrer em um trimestre futuro. O restante dos clientes s�o mais pulverizados", explicou Angelotti, em teleconfer�ncia com a imprensa.
A Sete Brasil tem R$ 14 bilh�es em d�vidas. Do total, R$ 12 bilh�es foram tomados com Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Ita� Unibanco, Santander e Standard Chartered, dos quais R$ 4 bilh�es j� teriam sido recuperados. O restante, por�m, deve ser provisionado nos balan�os dos credores. A fatia equivalente ao Santander n�o � cr�dito, mas equity. Deve, portanto, impactar no patrim�nio do banco. Questionado, S�rgio Rial, presidente da institui��o, disse a jornalistas que n�o comentaria sobre casos espec�ficos.
Em termos de cr�dito, tanto Bradesco quanto Santander viram suas carteiras encolherem. Segundo Angelotti, os baixos volumes contribu�ram para o aumento da inadimpl�ncia, considerando atrasos acima de 90 dias, que subiu de 4,06% em dezembro para 4,22% em mar�o, impactada, principalmente, pelas pequenas e m�dias empresas, que sofrem mais com a crise no Pa�s. No banco espanhol, os calotes foram a 3,3% no primeiro trimestre, ante 3,2% nos tr�s meses anteriores.
Angel Santodomingo, vice-presidente executivo e CFO do Santander, afirmou que, diante do cen�rio macroecon�mico desafiador, a carteira de cr�dito deve permanecer em territ�rio negativo nos pr�ximos trimestres. Analistas tamb�m projetam queda dos empr�stimos para o Bradesco, que preferiu n�o mexer nos seus guidances. O banco espera que sua carteira cres�a entre 1% e 5% neste ano.
Despesas com calotes
Puxadas pela PDD espec�fica, as despesas com provis�es do Bradesco saltaram 30% ao final de mar�o ante dezembro e mais de 50% em um ano, totalizando R$ 5,448 bilh�es. O banco, no entanto, preferiu n�o revisar os guidances do ano. De acordo com Angelotti, ainda � cedo para mudan�as. Acrescentou, contudo, que no caso dos gastos com calotes, o teto da faixa de R$ 16,5 bilh�es a R$ 18,5 bilh�es passa a ser mais fact�vel.
Na dire��o contr�ria, o Santander Brasil reduziu seu colch�o para perdas com cr�ditos duvidosos. Rial classificou o ajuste como natural e garantiu que a pol�tica de provisionamento n�o mudou. "N�o h� preocupa��o com a inadimpl�ncia diferente daquela que j� v�nhamos tendo. O cen�rio n�o se tornou muito pior. Os sinais de desemprego j� eram claros em 2015", destacou ele, em coletiva de imprensa.
O espanhol, que colhe mais tardio os frutos da mudan�a de mix de cr�dito no Pa�s, anunciou ontem lucro l�quido gerencial, que n�o exclui o �gio da compra do Real, de R$ 1,660 bilh�o no primeiro trimestre, cifra 1,67% maior que a vista em um ano, de R$ 1,633 bilh�o. Foi, de acordo com Rial, o oitavo resultado crescente da institui��o em nove trimestres.
O motor para a expans�o do lucro foi, conforme o executivo, novos clientes e a vincula��o de correntistas existentes ou at� ent�o inativos e que passaram a consumir mais produtos com o Santander. Negou, por�m, que o lucro tenha crescido em cima do aumento de tarifas. "N�o h� ambiente para isso", disse. No Bradesco, receitas e seguros sustentaram dois d�gitos de crescimento no trimestre.
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Bradesco e Santander encolhem cr�dito
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