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Estado de Minas ECONOMIA

'Temo que essa aventura arru�ne o liberalismo', diz Eduardo Giannetti

Um dos respons�veis pelo programa econ�mico da candidata derrotada Marina Silva (Rede), Giannetti pondera que talvez o programa de Paulo Guedes n�o chegue a ser implantado


postado em 04/11/2018 08:07 / atualizado em 04/11/2018 09:32

(foto: Jacksn Romanelli/EM/D.A Press - 16/8/16)
(foto: Jacksn Romanelli/EM/D.A Press - 16/8/16)

Diante do projeto "neoliberal radical" do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, o economista Eduardo Giannetti se diz preocupado com o pr�prio liberalismo no pa�s. "Temo que essa aventura neoliberal radical, se n�o tiver o m�nimo de sensibilidade social, possa arruinar a reputa��o do liberalismo no Brasil", afirmou ao Estado. Um dos respons�veis pelo programa econ�mico da candidata derrotada Marina Silva (Rede), Giannetti pondera que talvez o programa de Guedes n�o chegue a ser implantado, dado o hist�rico nacionalista e corporativista do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. v� o programa de Bolsonaro?

� gen�rico. H� pontos positivos, como a abertura econ�mica. Eles t�m ci�ncia da gravidade da situa��o fiscal, mas subestimam a dificuldade de implementa��o. Quando vejo essa equipe dizendo que vai zerar o d�ficit prim�rio em um ano, fico muito incr�dulo. Isso � improv�vel, tangenciando o pensamento m�gico. A ideia de usar receitas excepcionais, como de privatiza��es, para cobrir rombos � vender a prata da fam�lia para jantar fora. O problema essencial do Brasil � que os gastos obrigat�rios est�o crescendo em um ritmo acima do PIB, � insustent�vel. Temos seis meses para apresentar um programa fiscal cr�vel. Caso contr�rio, vamos entrar em uma situa��o de inadimpl�ncia do Estado e colapso financeiro. A�, h� duas alternativas, ambas p�ssimas: calote ou infla��o. Essa ancoragem fiscal depende de medidas que v�o ter de ser tomadas no in�cio do mandato. A reforma da Previd�ncia � a primeira.

Em rela��o � agenda liberal do novo governo, o sr. acredita que ela ser� realmente implementada? Bolsonaro j� desautorizou Paulo Guedes...

Tenho d�vidas, porque ela � totalmente inconsistente com a trajet�ria do Bolsonaro durante sete mandatos na C�mara. Ele sempre votou ao lado dos corporativistas, dos nacionalistas e dos estatizantes. � muito estranha essa convers�o (de Bolsonaro) �s v�speras da elei��o ao ide�rio neoliberal radical. Em rela��o ao Paulo Guedes, eu me lembrei de uma frase: 'Os economistas podem ser mais ing�nuos sobre a pol�tica do que os pol�tico sobre a economia'. As inten��es dele s�o boas, mas temo que n�o saiba onde est� se metendo.

H� uma onda internacional crescente do populismo de direita. O que explica isso?

Sem d�vida, Bolsonaro � parte de um processo que tem tomado conta de muitas democracias. Domesticamente, um elemento importante foi que, tanto PT quanto PSDB, cujos programas s�o, a grosso modo, social-democratas, nunca cooperaram um com o outro. Cada um, no poder, preferiu se aliar ao que h� de mais sinistro na pol�tica brasileira (o Centr�o) a conversar para enfrentar a desigualdade e obter crescimento sustent�vel. Isso abriu espa�o para aventureiros. Tamb�m beneficiou o Bolsonaro a for�a do sentimento antipetista, a raiva da popula��o diante do establishment pol�tico e o medo que a inseguran�a gera. Bolsonaro tem parentesco com o que aconteceu nos EUA, com Donald Trump. � um tipo de populismo de direita que funciona muito bem nas m�dias sociais. Ele tem um parentesco no seu lado autorit�rio e meio autocr�tico com democracias de fachada, como R�ssia e Turquia.

H� riscos para a democracia?

Uma defini��o estreita de democracia � a renova��o peri�dica dos governantes pelo voto universal e secreto. Isso n�o est� em risco. Uma defini��o mais abrangente de democracia inclui o imp�rio da lei, o respeito � divis�o de poderes, a liberdade de imprensa e de express�o, o respeito aos direitos das minorias e o respeito �s oposi��es. Esses elementos suscitam d�vidas quanto a essa aventura na qual o Brasil est� entrando.

Nenhum desses componentes havia sido amea�ado antes?

Algumas propostas do PT amea�avam tamb�m. Por exemplo, a liberdade de imprensa e de express�o e mesmo a autonomia dos poderes. Agora, a amea�a � maior com Bolsonaro. O Brasil vai viver duas coisas. Primeiro, um teste das institui��es democr�ticas. O segundo ponto � uma aventura da sociedade em uma agenda ultraconservadora nos costumes, que amea�a direito de minorias, e que, se materializada, vai ser um retrocesso. H� uma outra aventura nessa agenda neoliberal radical que a equipe econ�mica est� propondo. Uma agenda com pouca sensibilidade para quest�es ligadas � equidade, a grupos sociais vulner�veis e que me fez lembrar uma hist�ria da Revolu��o Russa. (� �poca), Max Weber era professor de Georg Luck�cs, fil�sofo marxista do s�culo 20. Weber disse a ele: 'Temo que os russos arru�nem a reputa��o do marxismo por um s�culo.' Eu temo que essa aventura neoliberal radical, se n�o tiver o m�nimo de sensibilidade social e de compromisso com a ideia de justi�a, arru�ne a reputa��o do liberalismo no Brasil por muito tempo.

Com base nessa an�lise, Bolsonaro pode ser considerado de ultradireita?

N�o tenho a menor d�vida.

O sr. tem estudado sociedades fortemente polarizadas, inclusive a Rep�blica de Weimar, que deu origem ao regime nazista. H� paralelos com o Brasil de hoje?

Eu me interessei em entender como uma sociedade se divide e chega ao tipo de polariza��o raivosa que o Brasil chegou. H� muitos precedentes na hist�ria. A Fran�a teve a Revolu��o Francesa; a Espanha, a Guerra Civil; a Alemanha, a Rep�blica de Weimar. H� muitos paralelos, mas n�o estou dizendo que isso deve ser ipsis litteris aplicado ao Brasil. Quando essa polariza��o estabelece, n�o permite nada que n�o esteja em um dos polos. Isso destr�i o processo democr�tico eleitoral e a possibilidade de di�logo. Na Alemanha, voc� era bolchevique ou nazista. E a elite financeira e industrial alem�, com medo do bolchevismo, topava qualquer aventura. Encontrei declara��es de banqueiros e industriais alem�es dizendo que Hitler n�o era problema porque, depois de eleito, eles o domesticariam.

O que aconteceu com a Marina, que come�ou a corrida eleitoral bem, mas terminou na lanterna?

Fixou-se na imagina��o do eleitorado brasileiro a ideia de que ela � fr�gil. E essa polariza��o raivosa exclui o surgimento de uma for�a que prega o di�logo e a converg�ncia. Ela foi v�tima dessa din�mica. Foi por isso que fui estudar essa populariza��o raivosa que tomou conta da sociedade.


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