O economista Paulo Tafner, que � um dos pais de uma das propostas de reforma da Previd�ncia que est�o sendo analisadas pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, defende que os militares das For�as Armadas tenham direito a se aposentar mais cedo, mas sem receber a totalidade do sal�rio ao irem para a reserva.
Segundo ele, o Brasil n�o tem mais 20 anos para fazer a transi��o entre as regras atuais e o novo regime. Esse tempo foi fixado na reforma enviada pelo ex-presidente Michel Temer. Na proposta de Tafner e do ex-presidente do BC Arminio Fraga, o tempo sugerido � de 10 a 12 anos. Como o Estad�o/Broadcast noticiou, especialistas que formam um conselho consultivo sobre Previd�ncia sugeriram um per�odo de transi��o entre 8 e 14 anos.
Com o economista Pedro Fernando Nery, Tafner est� lan�ando o livro Reforma da Previd�ncia: por que o Brasil n�o pode esperar, que procura desmistificar o rombo do sistema previdenci�rio e a necessidade da reforma para colocar as contas p�blicas em equil�brio.
Qual a mensagem principal do livro?
� transmitir um conjunto amplo de informa��es sobre o sistema previdenci�rio brasileiro e perspectiva comparada com outros pa�ses. Buscamos mostrar a necessidade de reformar nosso sistema previdenci�rio. Ele tem virtudes, mas tem v�rios e graves defeitos. Quer�amos desmistificar alguns mitos, que foram disseminados durante o debate dos �ltimos dois anos e apresentamos a proposta que foi montada pelo grupo que tive a honra de coordenar e que foi apelidada de proposta Arminio/Tafner. Mostramos que a reforma � poss�vel e vi�vel. Feita a reforma, que n�o pode mais ser adiada, a gente recomp�e a trajet�ria previdenci�ria brasileira de modo a garantir que o sistema sobreviva.
O sr. v� chance maior para aprova��o da reforma neste momento?
Sim, estou muito otimista de que aprovaremos no primeiro semestre.
A sua proposta defende uma reforma mais ampla. Esse � o melhor caminho?
Acho que isso at� aumenta a chance de aprova��o. Na nossa proposta, diferente da do Temer, nenhum grupo laboral, nenhuma categoria, fica de fora da reforma. Trabalhadores da iniciativa privada, servidores civis, For�as Armadas, policiais militares, professores. Todo mundo dentro. Isso d� uma sensa��o � popula��o de que todos est�o contribuindo.
Como o sr. v� a mobiliza��o dos militares para ficarem de fora da reforma?
N�o � exatamente isso que tenho ouvido por parte das principais autoridades das For�as Armadas. O que eles t�m dito, isso sim, � que para as For�as Armadas t�m de ser consideradas peculiaridades. Nessa medida, eles t�m raz�o. Existem peculiaridades absolutamente diferentes que justificam um tratamento diferenciado. As For�as Armadas n�o podem estar sujeitas a um processo de envelhecimento demogr�fico. Soldado velho n�o � soldado.
Como funcionaria a quest�o dos militares?
Um soldado n�o � mais soldado depois de 35, 40, 45 anos, n�o tem mais for�a f�sica. Pilotos de ca�a, por exemplo, depois de 35 anos saem da linha de combate. Alguns viram instrutores, mas nem todos. A carreira para ele fecha. Ent�o, tem de haver a possibilidade de os membros das For�as Armadas sa�rem mais cedo, e isso n�o � uma peculiaridade do Brasil. Em todas as For�as Armadas que n�s estudamos em dezenas de pa�ses h� a possibilidade de os militares irem para a reserva em idade mais precoce do que os demais trabalhadores. O que � peculiar no Brasil � eles irem para a reserva com 100% do vencimento. Isso n�o encontra paralelo no mundo. � isso que tem de ser corrigido. Que ele possa sair mais cedo, mas que n�o receba a totalidade do vencimento. Seria bom que a proposta de Jair Bolsonaro incorporasse alguma coisa nessa linha. O que n�o faz sentido � que tenhamos membros das For�as Armadas saindo com 47, 48 anos com a integralidade dos vencimentos. Abre um d�ficit que � indesej�vel para o Pa�s. E, ao fazer essa corre��o, de nada afeta o desempenho das For�as Armadas.
Que imagem se pode ter do futuro se a reforma n�o for feita agora?
N�o precisa ser para o futuro. � s� olhar o que est� acontecendo hoje em alguns Estados. Simplesmente, os Estados est�o falidos, porque parcela muito grande dos impostos arrecadados est� indo para pagar aposentadoria, pens�es e servidores ativos e n�o tem dinheiro para manter a rede de sa�de, seguran�a, escolas. � s� olhar, � a fal�ncia, � o caos social. At� chegar a um ponto em que a sociedade n�o sobrevive. Vamos ter uma situa��o de total fal�ncia do Estado e da sociedade brasileira. A� vai ser uma reforma nos trancos. A� n�o tem jeito, ou vamos desaparecer enquanto na��o, ou teremos de fazer nos trancos, como foi no caso da Gr�cia, que foi esticando, esticando, esticando, chegou um momento em que a reforma foi feita da pior forma poss�vel, pegando cidad�o de 70 anos ou 80 anos e perguntando: �Quanto voc� ganha, 5 mil? Voc� n�o ganha mais 5 mil, ganha agora 1,5 mil�. As informa��es s�o do jornal O Estado de S. Paulo.
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ECONOMIA
'Militar deve se aposentar antes, mas sem receber 100%', diz Paulo Tafner
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