A declara��o do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o governo articula um projeto para acabar com os gastos obrigat�rios nos or�amentos federal, estaduais e municipais, deixando a defini��o dos gastos nas m�os dos pol�ticos, foi recebida com reservas. Um l�der de partido da base aliada chamou a proposta de "ilus�o", e cobrou gestos mais concretos do governo na dire��o de conseguir apoio � reforma da Previd�ncia.
Os l�deres partid�rios tamb�m acham dif�cil o ministro sensibilizar os parlamentares com a sinaliza��o de que d� para ceder no ponto mais pol�mico da reforma da Previd�ncia - o que muda as regras do benef�cio assistencial para idosos de baixa renda. O Congresso segue resistente a qualquer mudan�a no chamado BPC e pretende manter inalterado o modelo atual.
Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada no domingo, 10, Guedes defendeu que os pol�ticos devem ter poder para controlar 100% do or�amento da Uni�o, Estados e munic�pios, em vez de discutir apenas uma fatia menor das despesas que contemple as emendas parlamentares.
Mas, para um l�der de partido aliado ao governo (que pediu anonimato), Guedes est� "vendendo ilus�o" ao dizer que dar� prest�gio ao Congresso com controle total sobre o Or�amento. Para ele, os parlamentares n�o embarcar�o nessa ideia sem algo concreto. Na avalia��o desse l�der, o governo e a equipe econ�mica precisam deixar o discurso da campanha de lado e "fazer gestos" antes da reforma.
A proposta de Guedes para o Or�amento tamb�m foi recebida com reservas entre economistas, que alertam para a dificuldade de delegar efetivamente a decis�o sobre todo o R$ 1,5 trilh�o - o tamanho s� do or�amento federal.
"Eles (parlamentares) n�o podem realocar os R$ 600 bilh�es da Previd�ncia, ou os R$ 300 bilh�es de pessoal", diz o economista Guilherme Tinoco, especialista em finan�as p�blicas. "Seria melhor que o ministro falasse onde quer cortar, porque no final o que importa � onde vai conseguir diminuir a despesa."
Benef�cio assistencial
Na entrevista, Guedes disse tamb�m acreditar que uma altera��o na proposta para o benef�cio assistencial aos idosos facilitaria a aprova��o da reforma da Previd�ncia no Congresso. Hoje, os idosos de baixa renda t�m direito a um sal�rio m�nimo a partir dos 65 anos. O governo quer elevar essa idade para 70 anos, mas antecipando um valor de R$ 400 a partir dos 60 anos. Para o ministro, com patamares de 62 anos para o recebimento inicial e 68 anos para atingir um sal�rio m�nimo e elevando o valor de partida para R$ 500 ou R$ 600, a medida "passa".
O l�der do PSL na C�mara, Delegado Waldir (GO), avalia que Guedes demonstrou "maturidade no trato com o Parlamento". "Sem d�vida nenhuma o ministro age de forma muito inteligente e diplom�tica ao sinalizar com di�logo", afirma.
Para o l�der do PR na C�mara, Jos� Rocha (BA), por�m, a mudan�a no benef�cio assistencial deve acabar sendo exclu�da do texto da reforma da Previd�ncia, mesmo que Guedes emplaque as flexibiliza��es sugeridas na entrevista. "Acho que dificilmente o BPC passar� como est� colocado, ou com modifica��es. Deve ser mantido como est� hoje, a n�o ser que o pr�prio benefici�rio concorde que a mudan�a trar� ganhos", afirma.
O l�der do DEM na C�mara, Elmar Nascimento (BA), tamb�m prev� que as resist�ncias continuar�o. "Aposentadoria rural e BPC n�o tem sa�da. N�o vai mudar (a regra atual)", diz. As informa��es s�o do jornal O Estado de S. Paulo.
Publicidade
ECONOMIA
Plano de Guedes � recebido com reserva
Publicidade
