Em um cen�rio de preocupa��es em todo o mundo com o crescimento econ�mico, ap�s o surto de coronav�rus na China, o Banco Central do Brasil voltou a cortar juros na noite de hoje. A institui��o reduziu a Selic (a taxa b�sica da economia) em 0,25 ponto porcentual, de 4,50% para 4,25% ao ano. Em sua decis�o, no entanto, o BC deixou claro que, apesar do aumento da incerteza no exterior, n�o planeja reduzir novamente os juros em seu pr�ximo encontro de pol�tica monet�ria, marcado para meados de mar�o.
O corte de hoje foi o quinto consecutivo e fez a Selic atingir um novo piso da s�rie hist�rica. A decis�o, tomada pelo Comit� de Pol�tica Monet�ria (Copom) - formado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pelos oito diretores da autarquia -, era esperada pelos economistas do mercado financeiro. De um total de 58 institui��es consultadas pelo Proje��es Broadcast, 47 esperavam por um corte de 0,25 ponto. Onze casas aguardavam manuten��o da taxa b�sica em 4,50% ao ano.
Ao justificar sua decis�o, o BC n�o citou explicitamente a epidemia de coronav�rus, que tem levado as institui��es financeiras a revisar suas proje��es de crescimento para a China e mesmo para emergentes como o Brasil. Por�m, a autarquia reconheceu que houve um "recente aumento de incerteza" no cen�rio externo.
Ao mesmo tempo, o BC ponderou que o fato de os juros estarem em n�veis baixos nas economias centrais ainda produz um "ambiente relativamente favor�vel para economias emergentes". Na pr�tica, o Copom n�o v�, at� o momento, o coronav�rus como um grande perigo para o crescimento do Pa�s. Para o BC, os dados de atividade econ�mica "indicam continuidade do processo de recupera��o gradual da economia brasileira".
O BC tamb�m voltou a indicar que o cen�rio para a infla��o � favor�vel. As proje��es da autarquia para o IPCA - o �ndice oficial de pre�os - s�o de 3,5% para 2020 e de 3,7% para 2021. Estes porcentuais foram calculados com base em um c�mbio constante a R$ 4,25 e na Selic esperada pelo mercado financeiro para os pr�ximos meses. As duas proje��es est�o dentro das metas de infla��o perseguidas pelo BC neste e no pr�ximo ano.
Apesar de a infla��o estar sob controle, o BC sinalizou que, em mar�o, n�o reduzir� a Selic. Isso porque a autarquia j� vem promovendo cortes desde meados do ano passado, com efeitos que ser�o sentidos ao longo de 2020. "Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comit� v� como adequada a interrup��o do processo de flexibiliza��o monet�ria", disse o BC, em sua linguagem t�cnica.
"Chega um momento em que n�o d� para ficar olhando os dados correntes, de curt�ssimo prazo. � preciso esperar a economia reagir", disse o superintendente de pesquisas macroecon�micas do Santander, Maur�cio Oreng, sobre a inten��o do BC de n�o mexer na Selic em mar�o. "� poss�vel que, numa surpresa baixista (da economia) muito forte, o BC volte a cortar juros. Mas n�o � nosso cen�rio", acrescentou.
Com a Selic em 4,25% ao ano - o menor patamar j� visto -, o Brasil j� tem uma taxa real de juros (descontada a infla��o) inferior a 1%. Levantamento do site MoneYou e da Infinity Asset mostra que o juro real est� hoje em 0,91% no Brasil, o que o coloca na nona posi��o entre os pa�ses com as maiores taxas do mundo. No topo da lista est�o M�xico (3,20%), Mal�sia (2,30%) e �ndia (2,28%).
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ECONOMIA
BC reconhece incerteza maior no exterior, mas indica fim do ciclo da Selic
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