Os investidores est�o intensificando a retirada de dinheiro do Tesouro Direto antes do prazo de vencimento dos t�tulos. O movimento � conhecido como "recompra", pelo qual quem investiu vende os pap�is para o pr�prio emissor - o governo. O produto que registrou maior fuga no fim de 2019 foi o Tesouro IPCA com juros semestrais (NTN-B), t�tulo p�s-fixado atrelado � infla��o, que paga dividendos por semestre.
Na compara��o de dezembro passado com o mesmo per�odo de 2018, houve aumento de 132% nos resgates antecipados desse tipo de papel. O ativo foi seguido pelo Tesouro Selic, que apresentou aumento de 108% nas retiradas; e pelos t�tulos prefixados, que aumentaram as recompras em 73% (para os que pagam juros semestrais) e em 56% (para os tradicionais).
"Muitos investidores optaram por resgatar os t�tulos antes do prazo para aproveitar a marca��o a mercado (pre�o dos t�tulos que varia como uma a��o, indicando quanto ele vale se for resgatado naquele momento)", diz o gerente do Tesouro Direto Diego Link. Ele explica que isso acontece porque cortes na Selic aumentam o pre�o dos t�tulos ligados � infla��o. Esses pap�is t�m um pr�mio predefinido sobre o IPCA. Logo, se determinado t�tulo promete render 6% a mais que a infla��o (IPCA+6%) e os juros caem, esses t�tulos ficam mais valiosos no mercado. Isso acontece porque essa remunera��o se torna mais vantajosa do que a taxa b�sica de juros.
O mesmo ocorre com a rentabilidade dos prefixados. Eles n�o t�m a infla��o em sua composi��o e, portanto, toda a sua remunera��o � predefinida. Quando a Selic cai, eles se valorizam na marca��o a mercado, pois se tornam mais vantajosos em rela��o � nova taxa.
J� o aumento da recompra do Tesouro Selic, que � p�s-fixado, tem outra explica��o. O Tesouro Direto teve 415 mil novos CPFs cadastrados no ano passado, atingindo o n�mero de 1,2 milh�o de investidores nos t�tulos de d�vida do governo. O papel mais demandado por essas pessoas em dezembro foi o Tesouro Selic, cuja participa��o nas vendas atingiu 56,2%. "O Tesouro Selic foi o que mais cresceu em compras, por isso, tamb�m foi o que mais cresceu em recompras", disse Link. "O investidor est� come�ando pelo Tesouro, pois tem alta liquidez. Com ele, � poss�vel fazer resgates para investir em outras coisas", afirma.
Tend�ncia
N�o s�o s� as pessoas f�sicas que est�o diminuindo a aloca��o em pap�is que perdem com a manuten��o da Selic. Os gestores de fundos t�m apresentado o mesmo movimento. As decis�es desses profissionais est�o ancoradas em suas leituras do que deve acontecer daqui para frente com a taxa b�sica de juros. Na �ltima reuni�o do Copom, o comunicado divulgado indicou que o BC deve suspender o ciclo de cortes na Selic no curto prazo. "J� temos reduzido nossas posi��es em prefixados faz tempo. Quando o Banco Central anuncia que n�o haver� mais cortes, acaba a oportunidade de ganhar dinheiro no curto prazo com esses pap�is", diz Andr� Perfeito, economista-chefe da Necton.
O s�cio do family office Brainvest, Dennis Kac, segue na mesma toada, mas adianta que os t�tulos p�s-fixados do Tesouro Selic tamb�m n�o s�o a solu��o do problema. "Na hora de construir uma carteira, o p�s � sempre maior que o pr�, porque reduz a volatilidade. Mas tamb�m n�o achamos que o p�s-fixado tenha um bom risco/retorno", diz. Ele conta que a gestora diminuiu em cerca de 50% a aloca��o em prefixados e em 20% as de p�s-fixados.
Retorno
O Tesouro Selic foi o t�tulo do Tesouro Direto que apresentou o menor retorno nos �ltimos cinco anos, segundo dados compilados pela Econom�tica, a pedido do Estado (mais informa��es nesta p�gina). J� o Tesouro IPCA com pagamento semestral, que se beneficiou da queda de juros, foi o que teve melhor desempenho no mesmo per�odo. Para o CEO da asset Sparta, Ulisses Nehli, os prefixados e atrelados � infla��o tiveram, de fato, rendimento excepcional no passado. "Mas isso n�o vai acontecer mais t�o cedo", diz. Ele lembra, por�m, que, para o investidor conservador, a gest�o de fundos de renda fixa ter� de ser ainda mais eficiente.
Outros caminhos
Dentre as op��es alternativas aos t�tulos do governo que n�o caminham diretamente para o risco, est�o ainda o Certificado de Dep�sito Banc�rio (CDB), Letra de Cr�dito Imobili�rio (LCI) e Letra de Cr�dito do Agroneg�cio (LCA), todos ativos emitidos por bancos e garantidos pelo Fundo Garantidor de Cr�ditos (FGC). "Percebemos que algumas institui��es come�aram a pagar taxas mais competitivas nesses tipos de ativos, porque refor�aram os seus caixas para ter mais capacidade financeira de emprestar dinheiro", disse Fabio Macedo, diretor comercial da Easynvest.
"A quest�o �: as pessoas est�o saindo dos prefixados para ir para onde? Se for para ir para a Bolsa, vemos, de fato, mais rentabilidade. Mas ainda enxergamos tamb�m oportunidades no curto prazo para os t�tulos prefixados. Acreditamos que de 3 a 6 meses eles podem ter um bom pr�mio", diz S�rgio Silva, co-gestor de estrat�gia macroecon�mica da AzQuest. Ele ainda acredita na possibilidade novos cortes da Selic passado o per�odo de an�lise anunciado pelo BC. Fernando Fridman, respons�vel pela �rea de produtos da Ourinvest, aposta em uma carteira de renda fixa diversificada. Na composi��o da carteira, 60% dos ativos s�o p�s-fixados, sem deixar de acreditar nas oportunidades de alguns CDBs e Letras de C�mbio (LC). Os outros 40% seguem divididos em t�tulos prefixados e indexados � infla��o. As informa��es s�o do jornal O Estado de S. Paulo.
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ECONOMIA
Sem mais cortes de juros, prefixados e t�tulos de infla��o perdem espa�o
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