No �ltimo trimestre antes que a pandemia de covid-19 se agravasse no Brasil, 12,646 milh�es de fam�lias ainda n�o tinham acesso � internet em casa. Cerca de 39,8 milh�es de brasileiros de 10 anos ou mais de idade n�o usavam a rede, e ainda havia 34,9 milh�es de pessoas nessa faixa et�ria sem aparelho de telefone celular.
Os dados s�o da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic�lios Cont�nua - Tecnologia da Informa��o e Comunica��o 2019, a Pnad TIC, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat�stica (IBGE).
O resultado mostra o tamanho do desafio de inclus�o digital no Pa�s, um pouco antes que a crise sanit�ria confinasse milh�es de brasileiros, provocasse o fechamento de escolas e aumentasse o n�mero de pessoas em trabalho remoto. At� mesmo o cadastro para inscri��o ao recebimento do aux�lio emergencial pago pelo governo era feito pela internet, atrav�s de um site da Caixa ou aplicativo de telefone celular.
Ao fim de 2019, a renda m�dia per capita dos domic�lios com internet era de R$ 1.527, mais que o dobro dos R$ 728 recebidos pelos que n�o usavam a rede, ou seja, as fam�lias mais vulner�veis financeiramente tinham mais dificuldade de acesso.
A coleta do IBGE foi feita no �ltimo trimestre de 2019, ressaltou Alessandra Brito, analista da Pnad TIC. "� um dado que retrata como estava o acesso � internet bem no pr�-pandemia", frisou Alessandra.
Houve melhora na inclus�o digital em rela��o ao ano anterior: a propor��o de domic�lios brasileiros em que havia uso de internet aumentou de 79,1% em 2018 para 82,7% em 2019. Entre os que permaneceram desconectados, mais da metade alegou que o acesso ao servi�o era caro (empecilho mencionado por 26,2% dos domic�lios) ou que nenhum morador sabia se conectar (justificativa de 25,7%). Quase um ter�o das fam�lias desconectadas, uma fatia de 32,9%, declarou que n�o havia interesse no servi�o.
No entanto, a aus�ncia de conex�o foi um dos empecilhos encontrados por alunos quando as escolas ficaram fechadas pela pandemia. Entre os estudantes de 10 anos ou mais, que passaram a depender de aulas e atividades educacionais remotas, 4,3 milh�es n�o acessavam a internet, quase todos eles da rede p�blica (95,9%, ou 4,1 milh�es). Na rede de ensino privada, 174 mil estudantes com ao menos 10 anos de idade estavam desconectados no pr�-pandemia.
A posse de aparelho celular era ainda menos comum, 9,7 milh�es de estudantes n�o tinham o aparelho, sendo 8,8 milh�es deles (91,7%) frequentadores da rede p�blica de ensino.
"A renda � um fator que explica ter um computador em casa, ter um tablet, um celular, ter internet no domic�lio. Para estar na rede privada, voc� tem de pagar para estudar", justificou Alessandra.
Segundo a pesquisadora, embora as vendas de equipamentos de comunica��o e inform�tica tenham aumentado durante a pandemia, n�o � poss�vel dizer que houve melhora na inclus�o digital.
"A gente teria que esperar o dado de 2020 para ver se isso foi uniforme (a aquisi��o de equipamentos). Pode ter aumentado para quem tinha dinheiro para comprar, pode ter exacerbado essa diferen�a entre rede p�blica e privada", ponderou a pesquisadora do IBGE, lembrando que houve piora no mercado de trabalho e na renda de trabalhadores no per�odo.
Em 2019, na popula��o de 10 anos ou mais de idade que usava a internet, o principal meio de acesso foi o telefone m�vel celular, citado por 98,6% dos usu�rios, seguido, por microcomputador (46,2%), televis�o (31,9%) e tablet (10,9%). Em rela��o a 2018, houve um aumento no uso da televis�o para acessar a internet (alta de 8,8 pontos porcentuais no total de men��es), mas redu��o na utiliza��o do microcomputador (4,5 pontos porcentuais) e do tablet (1,1 ponto porcentual).
O aumento na ades�o a assinaturas de servi�os de streaming tem expandido o acesso � internet pela televis�o, al�m de reduzir o uso de antenas parab�licas e TV por assinatura, disse Alessandra Brito, do IBGE.
"At� por essa substitui��o de TV de tubo por TV de tela fina, com mais tecnologia, as novas j� v�m com conversor. Est� aumentando na �rea rural o acesso � internet. Os sinais est�o chegando nessas �reas mais long�nquas", justificou Alessandra.
O porcentual de domic�lios com TV por assinatura encolheu de 31,8% em 2018 para 30,4% em 2019. A propor��o de lares sem TV por assinatura que declararam t�-la substitu�do pela programa��o dispon�vel na internet cresceu de 3,5% para 4,9% na passagem de 2018 para 2019, ante uma fatia de 1,5% em 2016.
A propor��o de usu�rios que acessavam a internet para assistir a v�deos, filmes e s�ries cresceu de 86,1% em 2018 para 88,4% em 2019, enquanto a fatia dos que fizeram chamadas de voz ou v�deo online subiu de 88,1% para 91,2%.
A pesquisa mostrou ainda que, entre os lares com internet, o uso de conex�o por banda larga m�vel subiu de 80,2% em 2018 para 81,2% em 2019, enquanto a ado��o de banda larga fixa aumentou de 75,9% para 77,9%.
Em 2019, havia televis�o em 96,3% dos 72,9 milh�es de domic�lios particulares permanentes do Pa�s. O n�mero de lares com televis�o de tela fina aumentou de 53 milh�es em 2018 para 57 milh�es em 2019, enquanto o de casas com televis�o de tubo recuou de 23 milh�es para 18 milh�es.
Embora venha melhorando o acesso da popula��o a aparelhos de TV, antenas ou conversores para recebimento do servi�o digital, ainda havia 1,7 milh�o de fam�lias no pr�-pandemia sem alternativa � televis�o anal�gica aberta, sendo 82,7% delas em �rea urbana, o equivalente a 1,4 milh�o de domic�lios.
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ECONOMIA
No pr�-covid, Pa�s tinha 12,646 milh�es de fam�lias sem acesso � internet em casa
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