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Estado de Minas

Ar�bia Saudita executa 47 pessoas, incluindo importante l�der religioso xiita


postado em 02/01/2016 18:16

A Ar�bia Saudita executou neste s�bado 47 pessoas condenadas por "terrorismo", incluindo jihadistas sunitas da Al-Qaeda e o cl�rigo xiita Nimr Baqir al-Nimr, uma importante figura do movimento de contesta��o contra o regime, anunciou o minist�rio do Interior.

O Ir�, pot�ncia xiita cujas rela��es com a Ar�bia Saudita s�o tensas, imediatamente reagiu �s execu��es, prometendo que Riad pagar� "um pre�o alto" pela morte do xeque Nimr al-Nimr.

"O governo saudita apoia movimentos terroristas e extremistas, e ao mesmo tempo utiliza a linguagem da repress�o e a pena de morte contra seus opositores internos (...) pagar� um pre�o alto por essas pol�ticas", declarou o porta-voz do minist�rio iraniano das Rela��es Exteriores, Jaber Ansari.

O sobrinho do xeque, Ali al-Nimr, menor de idade no momento da sua deten��o, n�o est� entre os executados, que geralmente s�o decapitados com sabre.

Os condenados - 45 sauditas, um eg�pcio, um chadiano - foram executados em doze cidades do reino, indicou o minist�rio do Interior em um comunicado oficial.

Eles haviam sido condenados, segundo as autoridades, por diferentes casos, incluindo por ter aderido a ideologia radical "takfiri" (termo geralmente utilizado para se referir a grupos radicais sunitas), por juntar-se a "organiza��es terroristas" ou ter participado de "conspira��o criminosa".

O xeque Nimr al-Nimr, de 56 anos, cr�tico ferrenho da dinastia sunita Al-Saud, foi um dos l�deres de um movimento de contesta��o que eclodiu em 2011 no leste da Ar�bia Saudita, cuja popula��o � majoritariamente xiita.

Esta comunidade, que est� concentrada na Prov�ncia Oriental, queixa-se de ser marginalizada neste pa�s predominantemente sunita.

A execu��o do xeque poderia provocar fortes rea��es nesta regi�o, segundo especialistas.

Para o irm�o do l�der religioso, Mohammed al-Nimr, "esta a��o provocar� a c�lera dos jovens" xiitas na Ar�bia Saudita. "Espero que aja um movimento de contesta��o pac�fico", acrescentou.

Por sua vez, o ramo estudantil da mil�cia Bassidji, ligada aos Guardi�es da Revolu��o, a unidade de elite das for�as armadas iranianas, convocou uma manifesta��o no domingo em frente � embaixada saudita em Teer�.

O xeque Nimr tinha sido condenado � morte em outubro de 2014 por "motim", "desobedi�ncia ao soberano" e "porte de armas" por um tribunal de Riad especializado em casos de terrorismo.

Sua pris�o em julho de 2012 ocorreu de maneira turbulenta e dois dos seus partid�rios foram mortos durante as manifesta��es que se seguiram.

"Sangue ser� derramado"

Entre os executados neste s�bado tamb�m est�o jihadistas sunitas condenados por envolvimento em ataques mortais reivindicados pela rede Al-Qaeda de Osama bin Laden no final de 2003 e 2004.

A lista inclui o nome de Fares al-Shuwail, que a imprensa saudita apresenta como um l�der religioso da Al-Qaeda na Ar�bia Saudita, preso em agosto de 2004.

Em 2011, as autoridades sauditas montaram tribunais especiais para julgar dezenas de sauditas e estrangeiros acusados de pertencer � Al-Qaeda e de envolvimento em uma onda de ataques sangrentos (mais de 150 mortos) no reino entre 2003 e 2006.

Foi o atual pr�ncipe herdeiro, Mohammed bin Nayef, que supervisionou a repress�o contra a Al-Qaeda e que sobreviveu a uma tentativa de assassinato.

Em 1� de dezembro, o ramo da Al-Qaeda no I�men amea�ou "derramar sangue" se as autoridades sauditas decidissem executar os jihadistas detidos.

"N�s ouvimos falar de execu��es, de que o governo dos Al-Saud pretende praticar contra os irm�os mujahideens atualmente detidos. N�s nos comprometemos a sacrificar nosso pr�prio sangue para salv�-los", afirmou a Al-Qaeda na Pen�nsula Ar�bica (Aqpa).

Essas s�o as primeiras execu��es de 2016 neste reino ultra-conservador que executou 153 pessoas no ano passado, de acordo com uma contagem da AFP com base em n�meros oficiais.

O n�mero de execu��es em 2015 excedeu em muito o registado em 2014 (87).

Terrorismo, assassinato, estupro, assalto � m�o armada, apostasia e tr�fico de drogas s�o pun�veis com pena de morte na Ar�bia Saudita, um pa�s governado por uma vers�o rigorosa da sharia (lei isl�mica).

Segundo a organiza��o de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, o reino saudita est� entre os pa�ses que mais executam pessoas junto com a China, o Ir� e os Estados Unidos.

Em uma declara��o no final de novembro, a Anistia expressou preocupa��o com a execu��o iminente de mais de 50 prisioneiros sauditas, incluindo o xeque Nimr, "condenados em julgamentos injustos".

A Uni�o Europeia (UE) tamb�m expressou suas preocupa��es quanto � liberdade de express�o e s direitos civis, principalmente em rela��o ao caso d xeque Nimr al Nimr, segundo declarou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.


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