As companhias que deixarem os Estados Unidos em busca de custos menores em outros pa�ses enfrentar�o "consequ�ncias" - amea�ou nesta quinta-feira (1�) o pr�ximo presidente americano, Donald Trump, que tamb�m ofereceu corte de impostos e regulamenta��es empresariais.
"As companhias n�o v�o abandonar os Estados Unidos sem consequ�ncias. N�o vai acontecer", disse Trump, durante visita � f�brica de aparelhos de ar condicionado Carrier em Indiana, que se recusou a reposicionar mil postos de trabalho no M�xico.
Em sua proposta para conter a fuga de empresas, Trump prometeu reduzir impostos e cortar as regulamenta��es que "esmagam" as ind�strias e os pequenos neg�cios.
"Seus impostos estar�o no mais baixo e suas regulamenta��es desnecess�rias desaparecer�o. Precisamos de regulamenta��es por seguran�a e pelo ambiente. Mas a maioria das regulamenta��es n�o faz sentido", disse o bilion�rio republicano.
Ao ressaltar que seis das oito companhias americanas de ar condicionado est�o realocadas no M�xico, Trump insistiu: "N�o toleraremos mais".
"Abandonar o pa�s vai ser muito, muito dif�cil", insistiu.
"Gostamos do M�xico. Estive h� tr�s meses com o presidente do M�xico, um cara incr�vel, mas devemos ter um tratamento justo. N�o recebemos nada", afirmou, reiterando as cr�ticas de campanha contra o Acordo de Livre-Com�rcio da Am�rica do Norte (Nafta, na sigla em ingl�s).
"Temos o Nafta, que � um desastre total", afirmou.
Trump tamb�m reiterou sua promessa de construir um muro na fronteira com o M�xico.
"Acreditem em mim, vamos construir esse muro", afirmou.
O magnata nova-iorquino fez da Carrier um s�mbolo desde que a f�brica anunciou que n�o vai transferir os mil empregos para o M�xico, garantindo na �ltima ter�a-feira no Twitter ter "chegado a um acordo com o presidente eleito".
Em nota publicada depois, a empresa explicou que os "incentivos propostos pelo Estado (de Indiana) tiveram um papel importante" na decis�o.
"O estado de Indiana ofereceu a Carrier um pacote plurianual de US$ 7 milh�es, acompanhado de condi��es de emprego, de manuten��o de postos de trabalho e de investimentos financeiros", relatou a filial do gigante United Technologies, nesta quinta-feira.
Segundo ve�culos da imprensa americana, tamb�m receber� benef�cios fiscais por seis anos.
Indian�polis foi a primeira parada de Trump em uma "turn� da vit�ria" por estados industriais, onde pavimentou seu caminho � Casa Branca com a mensagem de que devolver� empregos em uma regi�o deprimida pela realoca��o de empresas para outros pa�ses.
Acompanhado de seu vice-presidente, Mike Pence, que tamb�m � governador de Indiana, Trump narrou em detalhe como, durante um telefonema, for�ou o bra�o do presidente do grupo United Technologies, Gregory Hayes, presente na sala.
Tamb�m ironizou aqueles que o criticam por menosprezar, com essa postura, a fun��o presidencial.
"Eles dizem que n�o � presidencial ligar para esses grandes l�deres empresariais. Acho, pelo contr�rio, que � muito presidencial e, se n�o for, tudo bem", minimizou.
Os empregos salvos representam, por�m, apenas uma m�nima parte do problema. No Twitter, o economista Paul Krugman calculou que um acordo similar semanal durante quatro anos devolveria apenas 4% de todos os postos de trabalho desaparecidos desde 2000.
A proposta de Trump abarca, principalmente, reduzir impostos, de 35% a 15% "com sorte", e eliminar regula��es "sem sentido" que "esmagam" os neg�cios.
O ex-pr�-candidato democrata � presid�ncia Bernie Sanders denunciou uma "solu��o que apenas piora o problema de desigualdade nos Estados Unidos".
"Em vez de um (pagamento de) impostos, a empresa vai-se beneficiar de uma redu��o de impostos. Uau! (...) Como � que isso pune as companhias que se mudam dos Estados Unidos?", ironizou.
Na localidade de Huntington, 700 empregados de uma f�brica de microprocessadores pertencente � United Technologies temem por sua estabilidade, j� que a empresa planeja deslocar a produ��o para o M�xico em 2018.
A taxa de desemprego � de 4,4% em Indiana, onde as empresas buscam pessoal altamente qualificado, como nos setores de Tecnologia da Informa��o, ou fabrica��o automatizada.
A "turn�" de Trump continuou, nesta quinta, no tamb�m industrial estado de Ohio.
