
Apesar de ambos disputarem o termo "patriota" e se apresentarem como "o candidato da renova��o pol�tica" em um pa�s �vido por mudan�as, o europe�sta Emmanuel Macron e a nacionalista Marine Le Pen prop�em aos franceses um futuro diametralmente oposto.
Macron, desconhecido do grande p�blico at� poucos anos, criou o movimento "Em Marcha!" para a primeira campanha eleitoral de sua vida. Marine Le Pen, que herdou o partido Frente Nacional de seu pai, personificou seu pr�prio movimento "Rassemblement Bleu Marine" ("Uni�o Azul Marinha") para conquistar o poder.
Em um pa�s que atravessa uma crise de identidade com uma alta taxa de desemprego e uma amea�a terrorista latente como pano de fundo, ambos reivindicam ser "patriotas".
Le Pen, uma advogada de 48 anos, afirma ser a candidata dos "patriotas contra os globalistas".
Macron, um ex-banqueiro de 39 anos, apresenta-se como o "candidato dos patriotas contra os nacionalistas". Seu lema: "Juntos, Fran�a!".
Em seus com�cios, seus partid�rios agitam entusiasticamente a bandeira francesa, enquanto o hino nacional (La Marseillaise) encerra seus discursos.
Ambos os candidatos citam com frequ�ncia o general Charles de Gaulle, her�i da resist�ncia francesa durante a ocupa��o nazista, exaltando a hist�ria da Fran�a, sua cultura e suas gl�rias.
E os dois pedem o fim da altern�ncia no poder entre as duas grandes fam�lias pol�ticas, os socialistas e os gaullistas, que dominam a pol�tica francesa h� mais de meio s�culo.
No primeiro turno da elei��o, em 23 de abril, surpreenderam ao eliminar da corrida presidencial a direita (Os Republicanos) e a esquerda (Partido Socialista).
Os dois candidatos alegam ser "antissistema", mas seus advers�rios os acusam de ser "herdeiros".
Macron � apontado de querer continuar com a pol�tica do atual governo socialista, do qual fez parte por dois anos como ministro da Economia, e Le Pen, de perpetuar a obra pol�tica de seu pai.
- 'Davi contra Golias' -
A eurodeputada, que assumiu a batuta de seu pai em 2011 na dire��o da Frente Nacional, est� presente na vida pol�tica francesa h� mais de 15 anos.
Formada nas grandes escolas da elite francesa, Macron deu seus primeiros passos na pol�tica em 2012, como conselheiro do presidente socialista Fran�ois Hollande, de cujo governo tornou-se ministro da Economia (2014-2016).
Enquanto Macron defende uma "Europa que protege", Le Pen quer negociar com Bruxelas a sa�da do pa�s do espa�o Schengen e prop�e um referendo sobre a perman�ncia na Uni�o Europeia.
Le Pen proibiria o v�u isl�mico e o "burkini" em espa�os p�blicos, Macron n�o. A direitista quer abolir uma lei que liberaliza o c�digo de trabalho, Macron n�o.
Na campanha entre os dois turnos, onde o tom subiu um grau, Marine Le Pen disse ser como "Davi contra Golias", frente a um candidato apoiado por uma "velha frente republicano podre".
Seu rival prometeu que n�o deixaria "um cent�metro de espa�o, nem um segundo de descanso, nem um pingo de energia" a Marine Le Pen.
O discurso de Macron, que defende o liberalismo econ�mico e social, seduz sobretudo os jovens urbanos, as classes m�dias e os c�rculos empresariais.
O discurso anti-imigra��o e anti-europeu de Marine Le Pen atrai as classes populares, a popula��o rural, os esquecidos da globaliza��o e capitaliza os franceses v�timas de um desemprego end�mico.
A atmosfera em seus com�cios tamb�m � completamente diferente. Ele defende uma "Fran�a aberta" � qual quer devolver o "otimismo", enquanto ela promete responder o medo ligado � imigra��o, ao Isl� e � seguran�a para "defender nossa civiliza��o".
Os partid�rios de Marine Le Pen falam de "demonstra��es de for�a", vaiam seus advers�rios e cantam "n�s estamos em nossa casa".
Emmanuel Macron, sem perder o sorriso, v� em seus seguidores uma "demonstra��o de inspira��o" e adverte seus militantes: "Meus amigos, aqui n�o vaiamos ningu�m."
