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Estado de Minas

Primavera �rabe: a trilha sonora original em dez can��es revolucion�rias


30/11/2020 06:55

Das "Freedom Songs" do movimento americano pelos direitos civis a "Bella Ciao" da resist�ncia italiana, os revolucion�rios ao longo da hist�ria sempre se uniram em torno de um hino. Em 2010-2011, a Primavera �rabe n�o se desviou desta tradi��o.

Os manifestantes que tomaram as ruas da Tun�sia no final de 2010 e depois aos poucos em outros pa�ses produziram can��es revolucion�rias mesclando revolta, humor e criatividade, depois de muito tempo silenciados.

Confira a seguir uma lista das can��es revolucion�rias que marcaram a Primavera �rabe em dez pa�ses que foram palco de movimentos, inclusive durante a segunda onda, em 2019.

- TUN�SIA - 'Rais Lebled' -

A Tun�sia foi a primeira a viver uma contesta��o popular de envergadura contra o regime, fazendo de "Rais Lebled" a trilha sonora da Primavera ent�o em forma��o.

(Confira em )

O sucesso sombrio e cru do rapper "El G�n�ral" (Hamada Ben Amor, seu nome de registro) pinta um triste quadro do estado do pa�s no comando de Zine El Abidine ben Ali, com esta frase em loop: "Sr. presidente, seu povo est� morrendo".

"Rais Lebled" ("o presidente do pa�s" em �rabe) enumera todos os males que levaram o vendedor ambulante Mohamed Bouazizi a atear fogo em si mesmo em 17 de dezembro de 2010 em Sidi Bouzid (centro).

O rapper de 21 anos lan�ou sua m�sica em 7 de novembro, anivers�rio da ascens�o de Ben Ali ao poder, em 1987.

Poucos dias ap�s o in�cio dos protestos, ele lan�ou outro sucesso e foi brevemente preso antes que a revolta derrubasse Ben Ali.

Em 2011, Ben Amor foi classificado entre as 100 pessoas mais influentes do ano pela revista Time.

Sua carreira nunca decolou, mas sua m�sica, "Rais Lebled", fonte de inspira��o na regi�o, � considerada "o hino da Primavera �rabe".

- EGITO - "Irhal" -

As multid�es na pra�a Tahrir, no Cairo, jubilosas ao som do hit de Ramy Essam, simbolizaram a euforia do in�cio da "Primavera" eg�pcia.

(Confira em )

O cantor tinha apenas 24 anos quando subiu ao palco, no final de janeiro de 2011, para cantar seu sucesso diante dos manifestantes que acampavam na principal pra�a da capital.

"Estou em d�vida com a revolu��o", diz.

"Antes de 2011, n�o me via como m�sico ou artista (...): era um manifestante com um viol�o que acabou por utiliz�-lo como ferramenta em benef�cio do movimento", acrescenta.

Desconhecido do grande p�blico at� ent�o, Ramy Essam n�o podia sonhar com um palco maior na �poca e sua m�sica, "Irhal" (Fora), tendo como alvo o presidente Hosni Mubarak, rapidamente se tornou o hino dos revolucion�rios.

Se suas estrofes engajadas o impeliram para a frente do palco, tamb�m o levaram a ser preso e torturado.

"Tive a chance de participar dessa revolu��o. Ela me ensinou sobre a vida, a liberdade", diz hoje � AFP da Su�cia, onde se refugiou ap�s a chegada ao poder de Abdel Fattah al-Sissi em 2013-2014.

- L�BIA - "Zenga Zenga" -

A revolta na L�bia gerou um dos sucessos mais improv�veis dos levantes �rabes: um v�deo viral estrelado por Muammar Khaddafi em um remix extravagante dirigido por... um israelense.

(Confira em )

Depois da Tun�sia e do Egito, os ventos da mudan�a n�o pouparam o mais antigo ditador regional, no poder desde 1969.

Em fevereiro de 2011, em face de uma revolta sem precedentes, ele fez um discurso abatido na televis�o.

O t�tulo da can��o vem da palavra usada por Khaddafi para designar a "rua", quando ele jura "purificar a L�bia" do inimigo, ca�ando dissidentes em cada casa e em cada "rua".

Tendo se tornado motivo de chacota na web, os internautas repetiam sem parar um remix intitulado "Zenga, Zenga", no qual as palavras de Khaddafi foram ritmadas com a melodia de uma can��o do rapper americano Pitbull.

Os l�bios perderam um pouco a anima��o quando descobriram que o v�deo havia sido produzido pelo m�sico israelense Noy Alooshe. Mas isso n�o impediu sua propaga��o no Youtube, com mais de cinco milh�es de visualiza��es.

- I�MEN- "Hourriya" -

No in�cio da revolu��o muitas vezes esquecida no I�men, a can��o otimista de Khaled al-Zaher, "Hourriya" (Liberdade), prevaleceu.

(Confira em )

Combinando ritmos tradicional e samba, o refr�o "Liberdade, liberdade, somos um povo livre", teve um breve sucesso no in�cio de 2011. A m�sica se destacou entre uma infinidade de can��es revolucion�rias.

O cantor Khaled al-Zaher j� era conhecido em seu pa�s por suas can��es patri�ticas e revolucion�rias. Mas sua fama teve o mesmo destino da revolu��o iemenita, a distante mem�ria de uma breve esperan�a em um pa�s dilacerado pela guerra civil.

- S�RIA - "Yalla Erhal ya Bachar" -

A contesta��o na S�ria foi pontuada por uma variedade de can��es revolucion�rias, muitas vezes inspiradas em melodias tradicionais.

Uma delas, uma cria��o original que se tornou o hino indiscut�vel da revolta, simboliza o desejo profundo de mudan�a, mas tamb�m o destino tr�gico do movimento.

(Confira em )

O v�deo noturno e borrado de uma multid�o reunida na cidade de Hama (centro), entoando slogans contra o presidente Bashar al-Assad, lembra o risco de morte sofrido por cada participante da manifesta��o.

Ibrahim Qachouch, que foi creditado por "Yalla Erhal ya Bashar" ("Fora Bashar"), tornou-se ent�o o her�i sem rosto de uma luta �pica contra o regime.

Em �reas controladas pelos rebeldes, o refr�o inebriante chamando Assad de "mentiroso" e "burro" costuma ser tocado no volume m�ximo em micro�nibus, cantado pelos combatentes como um grito de guerra, adotado como toque de chamada do celular.

Este ataque contra o presidente Assad, Qachouch pagou com a vida. Poucos meses depois, aquele que foi batizado de "p�ssaro zombeteiro da revolu��o" foi encontrado morto em um rio, com a garganta cortada, as cordas vocais arrancadas.

Em 2016, uma investiga��o revelou que Ibrahim Qachouch n�o era o autor da m�sica, composta por Abdel Rahmane Farhoud, que ficou em sil�ncio ap�s saber da tr�gica morte de seu colega.

- MARROCOS - "Iradat al Hayat" -

A contesta��o no Marrocos, conhecida como "movimento 20 de fevereiro", tamb�m teve sua can��o cult, um poema tunisiano adaptado para o dialeto local e transformado em can��o por um rapper de Casablanca.

(Confira em )

"Iradat al Hayat" ("A vontade de viver"), foi composta pelo rapper "Lhaqed" ("o rancor") a partir do famoso poema de Abu el Kacem Chebbi.

O artista, chamado Mouad Belghawat, cumpriu v�rias senten�as de pris�o ap�s a difus�o de clipes e atualmente mora na B�lgica, onde obteve asilo pol�tico.

- IRAQUE - "Thayl Awaj" -

O Iraque experimentou uma "Primavera tardia", com dezenas de milhares de pessoas protestando pelo pa�s em outubro de 2019. O movimento foi resumido em uma m�sica viral.

(Confira em )

"Thayl Awaj" significa "rabo torcido" e se refere, no jarg�o iraquiano, aos aliados pol�ticos de Teer�, vistos como "tent�culos" do regime iraniano.

A can��o e o videoclipe foram exibidos na emissora alem� Deustche Welle como parte do "Al Basheer Show", um programa sat�rico muito popular e influente, cujo apresentador Ahmad al-Basheer est� exilado na Jord�nia.

O clipe destaca todos os s�mbolos do levante - do "restaurante turco" que se tornou o "centro de comando" de fato dos manifestantes aos tuk-tuks que transportam os feridos.

O v�deo se tornou extremamente popular, com quase 15 milh�es de visualiza��es no YouTube.

- L�BANO - "Hela Ho" -

Provavelmente n�o � a can��o revolucion�ria mais po�tica, mas se tornou uma das mais cantadas durante o movimento de protesto lan�ado em 17 de outubro de 2019 no L�bano.

(Confira em

"Hela ho" tem como alvo espec�fico Gebran Bassil, genro do presidente Michel Aoun, ent�o ministro das Rela��es Exteriores e l�der do partido-chave da alian�a no poder. E enumera os males denunciados pela rua: corrup��o, nepotismo, incompet�ncia.

Durante semanas, o refr�o foi entoado por manifestantes e nas redes sociais. � inspirado em uma can��o da d�cada de 1970 popularizada pelos f�s do gigante do futebol eg�pcio Al-Ahly e na famosa can��o eg�pcia multil�ngue "Ya Moustafa" (Querida, eu te amo).

- ARG�LIA - "Libert�" -

Quando o rapper argelino Soolking lan�ou seu hit "Libert�" em mar�o de 2019, as ruas de Argel ferviam e clamavam por liberdade e democracia.

(Confira em )

Co-produzida com o coletivo Ouled El Bahdja, que re�ne simpatizantes da Uni�o esportiva de la m�dina d'Alger (USMA) e � uma das pontas de lan�a do movimento, a m�sica rapidamente se tornou viral.

Escrita em franc�s, atinge todos os componentes da sociedade representados nas ruas de Argel, onde as multid�es gritam "a liberdade, a liberdade, a liberdade, est� em primeiro lugar em nossos cora��es".

O hino, que cruzou fronteiras, totalizou quase 250 milh�es de visualiza��es no YouTube.

Criado em um sub�rbio de Argel, Soolking desfrutou do sucesso p�s-revolu��o que refor�ou sua aura. Mas um show durante o qual uma debandada deixou v�rios mortos em agosto de 2019 e uma homenagem nas redes ao falecido chefe do ex�rcito Ahmed Ga�d Salah manchou sua imagem como �cone da "revolu��o".

- SUD�O - 'Blood' -

Um dos momentos mais fortes das revoltas �rabes aconteceu no centro de Cartum em 2019, quando o rapper sudan�s Ayman Mao subiu ao palco.

(Confira em )

Chegando dos Estados Unidos no dia 25 de abril, o artista seguiu direto do aeroporto para a pra�a principal da contesta��o.

Com bon� preto, ele canta "Blood", uma de suas can��es mais conhecidas, diante de um oceano de manifestantes iluminando o c�u com seus smartphones. Ap�s cada frase, a multid�o canta "Thawra" ("Revolu��o").

A energia liberada naquela noite encoraja os manifestantes a continuar sua luta, apesar da repress�o.

Poucas semanas depois, o t�tulo do que se tornou o hino da revolu��o ganha seu sentido original. No dia 3 de junho, no mesmo local, as for�as de seguran�a reprimiram de forma sangrenta uma manifesta��o contra o poder.


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