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Estado de Minas BOGOT�

Novos protestos antecedem di�logos para superar a crise na Col�mbia


19/05/2021 20:54 - atualizado 19/05/2021 20:55

O movimento de protesto voltou �s ruas da Col�mbia nesta quarta-feira (19) antes de retomar o di�logo com o governo para negociar uma eventual sa�da para a crise que explodiu em 28 de abril, e ati�ou os abusos policiais reconhecidos parcialmente pelo presidente Iv�n Duque.

Em Bogot�, Cali, Medell�n e outros pontos do pa�s se mobilizaram para exigir pol�ticas mais solid�rias que aliviem os efeitos da crise econ�mica provocada pela pandemia e que castiga duramente os jovens.

Os protestos antecederam o encontro que dever� ser celebrado entre o governo e a frente mais vis�vel do protesto que, no entanto, n�o re�ne todos os setores descontentes.

As partes acordaram negociar uma sa�da para a crise, que implodiu um projeto j� retirado para aumentar impostos, mas que aumentou a repress�o nas ruas.

Depois de duas rodadas de di�logos, o governo e o chamado Comit� da Paralisa��o continuam divididos sobre os excessos da for�a p�blica, denunciados por organiza��es locais e internacionais.

Duque se concentrou em assegurar a libera��o das vias bloqueadas, o que provoca o desabastecimento em alguns pontos, sobretudo no sudoeste do pa�s. Ao mesmo tempo, fez ofertas para que no pr�ximo semestre os jovens acessem gratuitamente a universidade e obtenham cr�ditos para moradia. Diariamente as vias ficam cheias de manifestantes quando o pa�s atravessa um novo pico da pandemia.

O governo "est� dilatando as negocia��es, ignorando as propostas e o clamor do povo, e al�m disso, est� atacando o povo", disse � AFP Viviana Clemente, uma comerciante de 41 anos que foi protestar em Bogot� com a filha de 15 com um cartaz que dizia "a luta de poucos vale pelo futuro de todos".

- "Precisamos de mais gestos" -

Em 21 dias de protestos morreram pelo menos 42 pessoas, a grande maioria civis, mas tamb�m foram registrados mais de 1.700 feridos entre manifestantes e uniformizados. At� o momento, a procuradoria determinou que 15 das v�timas morreram por sua participa��o nas mobiliza��es e investiga outros 11 casos.

Tr�s dos crimes envolvem membros da for�a p�blica, segundo o organismo. Uma plataforma de direitos humanos chefiada pela ONG Temblores d� conta de "43 homic�dios" nas m�os de agentes estatais.

O ministro da Defesa, Diego Molano, ter� que responder ao Congresso por estas mortes e "as omiss�es em que tenha podido incorrer" no cargo, declarou o l�der sindical Francisco Malt�s, ao apoiar a mo��o de censura contra o funcion�rio, prevista em 25 de maio.

A ONU, a Uni�o Europeia, os Estados Unidos e ONGs internacionais denunciaram os excessos das autoridades colombianas.

No entanto, Duque � resistente em admitir uma repress�o generalizada e se concentra em rejeitar "casos" de abuso policial, enquanto condena o "vandalismo" e o bloqueio de vias que causam destro�os e perdas milion�rias.

Nesta quarta-feira, o ex-presidente colombiano e pr�mio Nobel da Paz, Juan Manuel Santos, sugeriu ao governo que assuma com "humildade" os abusos policias ocorridos durante os protestos.

"Precisamos de mais gestos, precisamos que das diferentes partes saia mais empatia e mais humildade, que o Estado reconhe�a, 'veja, cometemos abusos'", disse o ex-presidente � W Radio.

Segundo Santos, "este gesto �nico j� geraria uma rea��o muito favor�vel da contraparte neste conflito muito espec�fico".

- "Copa de Sangue" -

A estrat�gia de Duque "� dilatar a negocia��o ao n�o aceitar garantias b�sicas solicitadas" pelo Comit� Nacional da Paralisa��o, destacou a l�der universit�ria Jennifer Pedraza.

"Aposta em que o protesto se desgaste (...) Engana-se. Tem paralisa��o por um bom tempo", escreveu no Twitter antes de se unir �s manifesta��es.

A crise atingiu a Copa Am�rica, prevista para ser celebrada conjuntamente na Col�mbia e na Argentina em menos de um m�s. Na entrada do est�dio El Camp�n, em Bogot�, torcedores exibiram uma faixa denunciando "a Copa de sangue".

Pedimos "que n�o se fa�a" o torneio "enquanto est�o massacrando nossos jovens", disse � AFP Juan Sebasti�n Urrea, de 24 anos, membro da organiza��o Fiebre Amarill,a que se reivindica como "torcida oficial da Sele��o Col�mbia".

A pandemia afetou a economia do pa�s. Em um ano, o percentual de popula��o pobre passou de 35,7% a 42,5%, e quase um ter�o dos colombianos (27,7%) entre os 14 e os 28 anos n�o estuda, nem trabalha, segundo o �rg�o estatal de estat�stica.

Os jovens pedem para n�o ser mortos, um Estado mais solid�rio e uma reforma da pol�cia que comece por tir�-la da �rbita do minist�rio da Defesa, ap�s d�cadas de combate � guerrilha e ao narcotr�fico.

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