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Estado de Minas CARACAS

Trinta anos da rendi��o de Ch�vez ap�s golpe fracassado


03/02/2022 09:49

A filha do presidente estava ao telefone quando ouviu as primeiras rajadas na resid�ncia oficial. Em 3 de fevereiro de 1992, tarde da noite, eclodiu um golpe de Estado na Venezuela liderado por Hugo Ch�vez, um militar desconhecido h� 30 anos.

"Eles nos atacaram de forma cruel e terr�vel por mais de quatro horas", lembra Carolina P�rez, filha ca�ula do ex-presidente Carlos Andr�s P�rez (1989-1993), que havia deixado o pal�cio do governo minutos antes, ap�s os primeiros relatos de um revolta.

Na madrugada de 4 de fevereiro, o pal�cio presidencial de Miraflores, em Caracas, foi atacado com ve�culos blindados. Cerca de dez batalh�es do Ex�rcito em cinco cidades haviam se levantado, mas o golpe fracassou porque n�o controlaram a sede do governo. A ofensiva ao pr�dio deveria ter sido refor�ada pelas tropas comandadas por Ch�vez, que nunca chegaram.

Esse tenente-coronel de 37 anos, entrincheirado em um museu militar agora convertido em local de culto chavista, teve permiss�o para se render na televis�o.

"Infelizmente, por enquanto, os objetivos que estabelecemos n�o foram alcan�ados", disse ele, vestido com um traje camuflado e de boina vermelha. "Em Caracas n�o conseguimos controlar o poder", completou.

- "Para sempre" -

Ch�vez ficou preso at� 1994, quando recebeu um indulto que o lan�ou na pol�tica, catapultado por aquele "por enquanto". Quatro anos depois, conquistou a Presid�ncia e governou o pa�s at� sua morte, em 2013.

"O 'por enquanto' se transformou na esperan�a, no 'para sempre'", disse nesta semana seu sucessor, Nicol�s Maduro, que, assim como Ch�vez, � considerado um ditador por seus oponentes.

"Ch�vez se rebelou contra o sistema dominante, a oligarquia e o imperialismo", acrescentou Maduro, reafirmando o discurso oficial da chamada Revolu��o Bolivariana. O 4 de fevereiro � celebrado como o "dia da dignidade", com homenagens aos golpistas, muitos deles hoje no governo.

O golpe contra P�rez ocorreu em meio a uma crise social no �mbito da virada neoliberal de seu segundo governo (depois de ter presidido o pa�s entre 1974 e 1979, nos anos da Venezuela "saudita"). A mudan�a de pol�tica econ�mica deflagrou "El Caracazo", um protesto gerado pelo aumento dos pre�os dos combust�veis que foi brutalmente reprimido pelos militares.

"Cada caudilho afirma ser o portador de uma aut�ntica e verdadeira liberta��o", observa o historiador Agust�n Blanco Mu�oz.

"No caso do 4F, alega-se que sua a��o corresponde a uma suposta 'transi��o para o socialismo', mas qual socialismo, qual comunismo? Onde existe, ou existiu, isso?", completou.

- Brandy para os feridos -

Durante o ataque a La Casona, antiga resid�ncia oficial do presidente venezuelano, Carolina P�rez estava com sua m�e, Blanca, no sal�o principal. Estava acompanhada por dois sobrinhos de quatro e cinco anos e uma tia de 83 anos, e mais ningu�m. Havia mais de 200 soldados atirando.

Ela recorda as paredes perfuradas, seu carro com mais de 500 impactos, al�m dos dois morteiros que ca�ram sobre a capela e uma sala do casar�o de estilo colonial. Por sorte, os artefatos n�o explodiram.

"Trinta anos se passaram e ainda n�o entendo a selvageria", disse � AFP.

Blanca de P�rez, que faleceu em 2020, ordenou que apenas a escolta civil vigiasse a fam�lia, enquanto improvisava gaze com len��is para tratar os feridos de ambos os lados.

"Minha m�e deu a eles uma esp�cie de paracetamol e conhaque para acalmar a dor", contou Carolina, ent�o com 28 anos.

De madrugada, P�rez falou ao pa�s pela televis�o e voltou � resid�ncia ao amanhecer, com o golpe j� neutralizado. As paredes de seu quarto estavam manchadas de sangue, assim como o corredor principal.

Acusado de corrup��o, ele foi for�ado a deixar o poder e passou anos preso em La Ahumada, a casa onde Carolina ainda mora.

Em 2001, exilou-se nos Estados Unidos, at� sua morte, em 2010, para evitar um novo julgamento contra ele.

Carlos Hermoso, de 69 anos, fazia parte da ala civil que se juntou ao levante. Desde a d�cada de 1970, seu partido Bandeira Vermelha se infiltrou nas For�as Armadas para promover uma insurg�ncia que terminaria em um governo de linha comunista: "foi um movimento que teve muito calor do povo".

Com 550 homens, estava pronto para se juntar � ofensiva, mas as armas prometidas pelos militares n�o chegaram.

"Hugo Ch�vez nunca confiou em civis", disse o hoje vice-secret�rio do partido.

"E, no final, um tolo acabou fazendo o papel de her�i" sem disparar um tiro, atacou.

Carolina P�rez, que por muito tempo dormiu com uma arma mesmo sem saber us�-la, lembra quando o militar encarregado do golpe contra La Casona se rendeu. "'Voc�s ganharam (...) por enquanto', ele me disse", contou ela, referindo-se � frase repetida por Ch�vez na televis�o.


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