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Estado de Minas MOSCOU

Ativistas russos dos direitos humanos n�o se deixam levar pela decep��o


31/03/2022 09:42

Oleg Orlov, figura conhecida na defesa dos direitos humanos na R�ssia, acreditava que j� conhecia as p�ginas mais sinistras e dif�ceis da hist�ria moderna de seu pa�s. Mas estava enganado.

"Acho que nunca vivi um per�odo mais sombrio", diz o homem que come�ou a campanha na d�cada de 1980 distribuindo panfletos contra a guerra sovi�tica no Afeganist�o.

"O que est� acontecendo agora n�o � compar�vel ao que poderia ter acontecido antes (...) um pa�s que saiu do sistema totalit�rio est� retornando a ele", diz Orlov, 68.

Para ele e outros experientes ativistas da sociedade civil russa, a ofensiva na Ucr�nia marca o fim da era de abertura iniciada pelo �ltimo l�der sovi�tico, Mikhail Gorbachev, em meados da d�cada de 1980.

Quase 40 anos depois, soldados russos lutam, morrem e matam na casa de um vizinho, opositores do Kremlin s�o presos, os �ltimos ve�culos de comunica��o independentes s�o for�ados a fechar e milhares de russos optam pelo ex�lio.

- Totalit�rio -

"Nossas esperan�as se foram, as decep��es s�o terr�veis", diz Svetlana Gannuchkina, 80, outra figura de direitos humanos na R�ssia p�s-sovi�tica. "Hoje n�o podemos mais dizer que estamos em um sistema autorit�rio, j� � um regime totalit�rio", acrescenta.

Oleg Orlov e Svetlana Gannuchkina est�o entre as poucas vozes cr�ticas que ainda falam alto e claro enquanto permanecem na R�ssia e ambos dizem que querem continuar.

No entanto, para Orlov, a aposta promete ser dif�cil, j� que a Memorial, sua prestigiosa e respeitada ONG, foi banida em dezembro. Hoje, em seu escrit�rio, a biblioteca est� vazia, as mesas est�o limpas e as caixas de mudan�a est�o empilhadas no ch�o.

"N�o me vejo fora da R�ssia, sempre quis viver e morrer neste pa�s", diz este ex-bi�logo.

A Memorial foi fundada na queda da URSS para documentar os crimes do sistema sovi�tico. Ent�o, nas d�cadas de 1990 e 2000, seus ativistas investigaram o que foi cometido pelas autoridades russas durante as duas guerras na Chech�nia. Em 2007, ele foi sequestrado e espancado na Inguch�tia, uma rep�blica russa no C�ucaso, vizinha da Chech�nia.

Ap�s um breve per�odo em meados dos anos 2000 em uma comiss�o de direitos humanos do Kremlin, ele continuou criticando o presidente Vladimir Putin.

Em 6 de mar�o, ele foi preso por protestar contra a ofensiva russa na Ucr�nia. Como ele, milhares de russos foram interrogados durante manifesta��es contra o conflito desencadeado por Moscou em 24 de fevereiro.

- Purifica��o -

A repress�o levou milhares de russos, muitas vezes jovens, a emigrar, especialmente depois que Putin, em meados de mar�o, pediu uma "autopurifica��o" da sociedade.

"N�o me lembro de nada parecido. Isso realmente mudar� o cen�rio pol�tico e social", diz Orlov.

Svetlana Gannuchkina, uma ex-professora de matem�tica cuja ONG Comit� de Assist�ncia C�vica ajuda imigrantes, n�o esconde sua preocupa��o. "Esses jovens em quem depositamos tanta esperan�a se sentem em perigo, est�o desesperados, por isso v�o embora. E n�s ficamos aqui diante dessa loucura."

No entanto, ela tamb�m � firme em seu compromisso. "Eu n�o vou embora", insiste, mas reconhece o al�vio que seus filhos e netos vivem no exterior. "Estou feliz que eles n�o estejam aqui, porque me permite dizer o que penso em todos os lugares e para todos", admite.

Embora a mulher pense que a R�ssia desperdi�ou a chance de se tornar democr�tica, espera que um dia a roda gire... "Mas � muito prov�vel que eu n�o esteja mais por perto para ver isso."


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