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Estado de Minas HONG KONG

Hong Kong se tornou menos livre e mais desigual durante mandato de Carrie Lam


05/05/2022 08:25

Hong Kong se tornou uma cidade mais desigual, menos livre e sem brilho internacional ap�s cinco anos de lideran�a de Carrie Lam, cujo mandato foi marcado por protestos pr�-democracia e pela covid, segundo analistas.

No pr�ximo domingo, John Lee, ex-chefe de seguran�a da cidade, ser� confirmado como o pr�ximo chefe executivo de Hong Kong por um comit� seleto de 1.463 pessoas.

Lam, que deixar� o cargo no final de junho, foi a primeira mulher a liderar Hong Kong, e assumiu o cargo prometendo curar divis�es e resolver problemas de qualidade de vida, especialmente a persistente crise habitacional.

Mas seu mandato foi dominado por grandes protestos pr�-democracia e uma subsequente repress�o por parte de Pequim, seguida pela pandemia de coronav�rus e pela implementa��o de uma estrat�gia de covid zero que isolou esse centro financeiro internacional.

De fato, Lam deixar� o cargo com os piores �ndices de qualquer l�der desde a entrega � China da ex-col�nia brit�nica.

- Pobreza -

Seu governo sobreviveu aos protestos em massa de 2019, mas � visto por muitos como incapaz de entregar as melhorias sociais prometidas que, mesmo de acordo com o poder comunista, est�o no centro dos "conflitos arraigados" da cidade.

No ano passado, 1,65 milh�o de habitantes de Hong Kong (quase um quarto da popula��o) vivia abaixo da linha da pobreza do governo, fixada em cerca de US$ 560 por m�s, um valor que representa um ter�o do aluguel de um apartamento de 40 m2 na zona mais barata da cidade.

A pobreza n�o atingiu esses n�veis desde que essas estat�sticas come�aram a ser compiladas h� 12 anos.

"A base tem sido muito negligenciada", diz Sze Lai-shan, vice-diretor da ONG Society for Community Organization.

"�s vezes parece que (o governo) vive em um planeta diferente".

Mesmo os pr�-governo expressam decep��o.

"Pode-se dizer que (Lam) trabalhou muito, mas conseguiu pouco para resolver os problemas de qualidade de vida que est�o se deteriorando", disse � AFP Lau Siu-kai, assessor de Pequim nesta cidade.

Em julho passado, o encarregado do governo chin�s para assuntos de Hong Kong, Xia Baolong, fez um discurso demonstrando a impaci�ncia de Pequim com a crise habitacional, uma quest�o que ainda n�o foi resolvida desde a devolu��o de 1997.

A cidade deve "dizer adeus" aos quartos min�sculos em apartamentos compartilhados onde vivem cerca de 220.000 pessoas, disse Xia.

Hong Kong � o mercado imobili�rio mais caro do mundo h� anos, com um pre�o m�dio dos im�veis 23 vezes mais altos do que a renda familiar m�dia, de acordo com um estudo deste ano.

Embora Lam tenha aumentado as moradias populares, a demanda cresceu ainda mais e a lista de espera por essas casas chegou a seis anos.

- �xodo -

Os �ltimos dois anos do mandato de Lam viram um �xodo hist�rico de moradores fugindo da repress�o pol�tica ou das restri��es da pandemia, que est�o entre as mais duras do mundo.

As sa�das foram acentuadas este ano quando a variante �micron causou um forte surto com mais de 9.000 mortes, a maioria idosos n�o vacinados.

Um total de 160.000 pessoas deixaram Hong Kong no primeiro trimestre do ano, marcado por um endurecimento das restri��es sanit�rias e temores de isolamento e separa��o de fam�lias se algum membro testar positivo.

Lam reconheceu recentemente que essas medidas causaram um �xodo de talentos importantes nas muitas empresas estrangeiras da cidade.

Al�m disso, muitos moradores optaram por deixar a cidade com medo dos esfor�os de Pequim para conter as liberdades que deu a esta cidade na devolu��o de 1997.

Depois dos protestos de 2019, a China imp�s uma lei de seguran�a nacional que criminalizou a dissid�ncia e permitiu a pris�o de 182 pessoas.

A maioria dos l�deres pr�-democracia de Hong Kong est� na pris�o ou foi para o ex�lio.

No relat�rio anual de liberdade de imprensa da Rep�rteres Sem Fronteiras (RSF) divulgado esta semana, Hong Kong caiu de 80� para 148�.

Frances Hui, uma dissidente exilada nos Estados Unidos, descreve Lam como "uma capanga obediente" na agenda do presidente chin�s Xi Jinping.

"Ela acelerou a supress�o das liberdades", disse � AFP.

A di�spora de Hong Kong est� crescendo progressivamente em lugares como o Reino Unido, Canad� e Estados Unidos.

"Eu n�o esperava que participar do ativismo me levasse a buscar asilo", comentou Hui. "Isso mostra o qu�o baixo Hong Kong caiu", completou.


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