
� improv�vel que algum eleitor do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, o rival direto de Lula nas elei��es do pr�ximo domingo (2), se aventure neste lugar, onde jovens progressistas se re�nem para cantar cl�ssicos da MPB.
"O samba � uma forma de resist�ncia � opress�o, � a voz do povo, e o Lula representa o povo", diz Karen Gama, uma mulher negra de 24 anos que veio dan�ar com adesivos do candidato � presid�ncia do Partido dos Trabalhadores (PT) colados no corpo.
Em meio a uma elei��o polarizada, o ex-presidente, no comando entre 2003 e 2010, busca um terceiro mandato, 12 anos ap�s deixar o poder.
Em um de seus �ltimos encontros antes dos com�cios, Lula visitou no fim de semana passado a escola de samba da Portela, onde foi ovacionado por centenas de pessoas vestidas de vermelho.
- Pragmatismo -
"Ele (Lula) estar aqui � retornar � base. O samba representa o povo e o Lula representa o povo. Precisamos criar um pa�s mas igual", comenta Jo�o Diamante, morador do Rio de Janeiro que veio apoiar o candidato.
Diamante explica que conseguiu estudar gastronomia gra�as ao FIES criado durante a presid�ncia de Lula. "Eu sou fruto disso, quero essa pol�tica para que outros possam aproveitar como eu aproveitei", conta o chef que foi criado numa comunidade e se tornou um dos mais badalados da culin�ria carioca.
"A Portela � o templo do samba. Viemos aqui aclamar o �nico presidente que valorizou os pretos e as minorias. (...) Fomos muito atacados durante o mandato de Bolsonaro", diz � AFP Douglas Williams, um enfermeiro de 30 anos cujo cabelo foi estilizado com a bandeira da comunidade LGBTQIA+.
Apesar de suas origens, o samba nem sempre foi associado a ideias de esquerda, segundo Wagner Pralon Mancuso, professor de ci�ncias pol�ticas na Universidade de S�o Paulo (USP).
"S�o famosos os sambas de exalta��o ao Brasil de diversas escolas durante o regime militar", entre 1964 e 1985, indica Mancuso.
Mais recentemente, v�rias escolas de samba no Rio apoiaram Marcelo Crivella, um pastor evang�lico de direita, durante sua campanha eleitoral para prefeito da cidade em 2016.
"As escolas de samba s�o pragm�ticas, pois dependem muito dos recursos p�blicos", explica Marco Teixeira, especialista em ci�ncias pol�ticas na Funda��o Get�lio Vargas (FGV).
- "Ferramenta pol�tica" -
"Hoje as escolas est�o lembrando os minist�rios da Cultura, que foram fortes com Lula, apoiavam as manifesta��es culturais", destaca Guilherme Guaral, professor da Universidade Veiga de Almeida (UVA), que estudou as liga��es entre pol�tica e samba.
Em meados de setembro, um grupo de samba se apresentou na Barra da Tijuca com uma can��o popular durante um sarau de samba cuja letra modificada pedia a volta de Lula ao poder. Os m�sicos foram vaiados e tiveram que deixar o palco.
"Defendemos que a arte � ferramenta pol�tica essencial em nossa democracia, e o samba � pol�tico em sua ess�ncia. Ou seja, muito mais do que um g�nero musical, o samba � instrumento de transforma��o sociopol�tica. � preciso enxergar para al�m dos acordes", defendeu o grupo Samba Independente dos Bons Costumes em uma resposta publicada no Instagram.
O dono de um bar de samba no centro do Rio, Claudio Cruz, concorda que "o samba sempre foi uma forma de resist�ncia frente �s desigualdades ent�o � super normal que hoje o mundo do samba apoie o Lula.
H� uma semana, este grande admirador do ex-presidente instalou uma figura de dez metros de altura de Lula na frente de seu estabelecimento, para comemorar o anivers�rio de 13 anos de seu bar.
Ao fundo tocava "Apesar de voc�", de Chico Buarque, datada da �poca da ditadura e que antecipa a alegria do povo ap�s o fim do regime militar.
