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Estado de Minas CHECAMOS

V�deo � tirado de contexto para sugerir que Barroso quer "confiscar" investimentos da classe m�dia

O ministro Lu�s Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), n�o defendeu o 'confisco' de investimentos de pessoas de classe m�dia, ou que seus rendimentos sejam inferiores aos da poupan�a, para financiar pol�ticas sociais. Essas alega��es, que circulam com um trecho de uma fala do magistrado, foram visualizadas mais de 4 mil vezes nas redes sociais desde 8 de maio de 2023. Mas, na verdade, ele comparou a rentabilidade dos investimentos da classe m�dia � do Fundo de Garantia por Tempo de Servi�o (FGTS) para argumentar que os trabalhadores n�o podem ter rendimentos t�o baixos.


11/05/2023 17:09 - atualizado 15/05/2023 09:08

O ministro Lu�s Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), n�o defendeu o 'confisco' de investimentos de pessoas de classe m�dia, ou que seus rendimentos sejam inferiores aos da poupan�a, para financiar pol�ticas sociais. Essas alega��es, que circulam com um trecho de uma fala do magistrado, foram visualizadas mais de 4 mil vezes nas redes sociais desde 8 de maio de 2023. Mas, na verdade, ele comparou a rentabilidade dos investimentos da classe m�dia � do Fundo de Garantia por Tempo de Servi�o (FGTS) para argumentar que os trabalhadores n�o podem ter rendimentos t�o baixos. 

'Uma 'Expropria��o' no atacado est� sendo gestada no STF. Significa que todos investimentos, privatiza��es, contratos na Bolsa e investimentos agora pode sofrer CONFISCO mas � pelo social', diz uma das publica��es compartilhadas no Facebook e no Kwai junto a um v�deo em que Barroso defende sua posi��o em uma vota��o do STF. 

Recorrendo � mesma grava��o, outros usu�rios alegam que o STF pretende criar uma lei para colocar 'a taxa de juros abaixo da poupan�a'. 

O conte�do tamb�m foi encaminhado ao WhatsApp do AFP Checamos, para onde os usu�rios podem enviar temas vistos em redes sociais, se duvidarem de sua veracidade.

Captura de tela feita em 11 de maio de 2023 de uma publicação no Facebook
Captura de tela feita em 11 de maio de 2023 de uma publica��o no Facebook

No entanto, nenhuma das duas alega��es compartilhadas pelas publica��es virais podem ser depreendidas da fala do magistrado. 

Uma busca no Google pelos termos 'Barroso', 'investimentos' e 'classe m�dia' levou a uma mat�ria sobre o voto do ministro no julgamento, realizado em 20 de abril de 2023, de uma a��o requerida pelo partido Solidariedade que questiona o uso da taxa referencial (a taxa de juros aplicada a algumas modalidades de investimentos, como a caderneta de poupan�a) para o reajuste dos dep�sitos do FGTS.

Segundo o texto, o ministro ressaltou que a remunera��o por dep�sitos no FGTS est� muito abaixo de outras oferecidas pelo mercado e rende menos at� do que a caderneta de poupan�a. 

Uma pesquisa pela data do julgamento e pelos termos 'FGTS' e 'STF' levou � transmiss�o da sess�o da Suprema Corte, na qual � poss�vel conferir o voto de Barroso na �ntegra.

Ao contr�rio do que sugerem as publica��es virais, o magistrado refutou a justificativa apresentada pela Uni�o e pelo Banco Central do Brasil (Bacen) de que o rendimento do FGTS � baixo porque os recursos do fundo s�o usados para financiar projetos de interesse p�blico. 

Aos 23 minutos e 49 segundos, Barroso diz: '� essa a pergunta que temos que fazer: se consideramos leg�timo que a poupan�a dos trabalhadores [o FGTS] seja remunerada de maneira desfavor�vel em rela��o � menor rentabilidade do mercado, que � a da caderneta de poupan�a, para financiar projetos de interesse p�blico'.

Mais adiante, aos 25 minutos e 3 segundos da sess�o, Barroso prossegue com a fala viralizada fora de contexto, comparando o argumento trazido pela Uni�o e pelo Bacen ao debate com a hip�tese meramente ilustrativa de a classe m�dia tamb�m receber rendimentos menores em suas aplica��es para que se investisse em pol�ticas p�blicas:

'Aqui, eu pediria, presidente, �s pessoas de classe m�dia alta, uma gota de empatia, que n�o � dif�cil nesse caso. Imagine a alta classe m�dia brasileira, que investe em renda fixa, em fundos de a��es, em fundos de multimercado e em c�mbio, e tem l� os seus investimentos, se de repente viesse uma regra que dissesse assim: 'todas essas suas aplica��es ter�o uma rentabilidade pr�-determinada, abaixo da poupan�a, porque o pa�s est� precisando fazer investimentos sociais importantes'. O que aconteceria se hoje se editasse esta norma dizendo isso? O mundo ia cair. 'Confisco, viola��o ao direito de propriedade, coletivismo', da� para baixo'. 

Barroso continua, deixando clara a compara��o:

'Pois � exatamente isso que est� acontecendo aqui, � exatamente isso que se faz aqui. Uma aplica��o financeira compuls�ria muito semelhante � poupan�a em que os cotistas s�o for�ados a aceitar uma remunera��o extremamente baixa e inferior a qualquer outra aplica��o de mercado sem ter liquidez. Porque a poupan�a, o titular da poupan�a pode tirar o dinheiro l� e colocar em a��es, se ele quiser, colocar em c�mbio, mas o titular do FGTS n�o pode'.

Em nenhum momento da sess�o Barroso defendeu qualquer tipo de confisco ou que outros tipos de investimento sejam remunerados a uma taxa abaixo da praticada com as cadernetas de poupan�a. 

As publica��es virais foram desmentidas pelo STF.

O conte�do tamb�m foi verificado pelo Projeto Comprova, pela Reuters e pelo Boatos.org.  

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