
As respostas para a trag�dia que deixou nove pessoas mortas, entre elas um beb� de sete meses, ter�o duas an�lises diferentes. Al�m da Pol�cia Civil, que tem o prazo de dois meses para concluir o laudo, a Marinha investigar� a situa��o do barco. Os dois engenheiros navais da for�a naval, vindos do Rio de Janeiro (RJ), come�am hoje pela manh� a fotografar, medir e vistoriar a estrutura do Imagination. “O que aconteceu n�o foi planejado, mas ajudou muito a per�cia”, afirmou o delegado fluvial Rog�rio Leite. O resultado da an�lise da Marinha pode demorar at� tr�s meses.
De cabe�a para baixo, o casco do Imagination, onde est�o os tubul�es, ficou na superf�cie da �gua, e o teto da estrutura quase tocou o fundo do lago. � mostra, os oito equipamentos que o mantinham flutuando antes do acidente apresentam sinais de desgaste, como pontos de perfura��o e amassados. “A per�cia acha que o problema foi nos tubul�es que sustentam o barco. Visualizamos alguns buracos, alguns vazamentos neles. Mas os peritos � que est�o realmente atentos a isso”, ponderou o comandante operacional do Corpo de Bombeiros, coronel Luiz Brumm.
O Imagination se encontra a 150m da margem, em um ponto de 8m de profundidade. Mesmo sem acompanhar os trabalhos dos militares, segundo Brumm, o propriet�rio ter� de arcar com a retirada da estrutura de dentro do lago. Com o fim da atua��o dos peritos, prevista para hoje, os bombeiros tentar�o desvirar a embarca��o e guinch�-la at� a orla. Da forma como est�, ela traz risco para os frequentadores do Parano�. Por isso, ainda ser� movida, mas continuar� na �gua. “A responsabilidade de tir�-la do lago � do dono”, explicou o comandante operacional.
Os mergulhadores posicionaram os globos de eleva��o de cargas subaqu�ticas no in�cio da manh�. Quando foram inflados para ajudar na opera��o de reboque, um ter�o da embarca��o estava para fora do lago. Era poss�vel ver toda a proa. Um dos bal�es, no entanto, encheu com menos intensidade do que os demais e desequilibrou os restantes. Em poucos minutos, o Imagination tombou para o lado direito e quase sumiu na �gua. Os bombeiros tiveram de amarrar novamente as boias para vir�-lo de cabe�a para baixo. A estrutura permanece na posi��o horizontal, s� que invertida, at� o fim das per�cias.
Investiga��o
Os investigadores da 10ª Delegacia de Pol�cia, no Lago Sul, ouviram ontem mais depoimentos de sobreviventes do naufr�gio — mais de 70 foram prestados. Respons�vel pela apura��o da maior trag�dia do Lago Parano�, o delegado Adval Cardoso trabalha com a hip�tese de indiciar por homic�dio culposo (sem inten��o de matar) o dono e o comandante da embarca��o. No entendimento de Cardoso, ambos descumpriram as obriga��es de evitar a superlota��o do Imagination e de orientar os passageiros e os tripulantes sobre o uso adequado dos equipamentos de seguran�a em caso de acidente. O delegado tamb�m desconfia de falta de manuten��o por causa das constantes falhas mec�nicas e el�tricas na embarca��o.
Superlota��o e imprud�ncia
Uma confraterniza��o entre amigos no barco Imagination acabou em trag�dia no �ltimo dia 22, no Lago Parano�. Uma hora e meia ap�s iniciada a festa, a embarca��o naufragou, jogando 110 pessoas nas �guas frias e escuras. Dezenas de passageiros n�o sabiam nadar, mas acabaram salvos pelo piloto de uma lancha particular que estava pr�xima ao barco. Nove pessoas morreram, entre elas uma crian�a de 10 anos e um beb� de sete meses.
Ap�s as buscas dos corpos, que encerrou-se na quarta-feira passada, equipes da Marinha iniciaram a retirada da embarca��o da �gua. S�o mais de cinco dias de tentativas frustradas de i�ar o Imagination. Investiga��es policiais comprovaram que a embarca��o estava superlotada. Havia pelo menos 20% a mais que a capacidade m�xima, de 92 pessoas. V�deo do barco feito pela per�cia da Pol�cia Civil do DF apontou ainda que muitos coletes salva-vidas n�o estavam acess�veis a todos os passageiros — ficaram amarrados em um compartimento.
Com isso, come�am a surgir os culpados do acidente. Investigadores da 10ª Delegacia de Pol�cia, no Lago Sul, respons�veis pela apura��o, ouviram mais de 70 depoimentos para tentar entender as causas do naufr�gio. Um dos esclarecimentos revelou poss�veis avarias na embarca��o antes do acidente. Uma mangueira da bomba d’�gua, por exemplo, teria sido remendada com massa ep�xi. Os agentes pretendem indiciar o piloto e o dono da embarca��o por homic�dio culposo (sem inten��o de matar). O inqu�rito deve ser conclu�do em 60 dias.
