Lanchas, jet skis e veleiros. Nadadores, esportistas e pescadores. Ricos, pobres e gente de classe m�dia. O Lago Parano� � um dos lugares mais democr�ticos do Distrito Federal. Por essa raz�o, � grande a procura por divers�o nos 111 quil�metros de margem que ele oferece. Sem espa�os delimitados para a pr�tica de cada atividade, as �guas se tornam trai�oeiras. Com a ajuda da Federa��o N�utica de Bras�lia (FNB), do Corpo de Bombeiros e da Marinha do Brasil, o Correio mapeou 19 pontos (Veja na p�gina ao lado) considerados perigosos de Norte a Sul do espelho d’�gua. S�o 11 �reas de risco para banhistas e oito vulner�veis a colis�o entre embarca��es.
A barragem do Parano� � o local mais amea�ador do lago. Situada pr�ximo � cidade do Parano�, ela se tornou um ponto de encontro nos finais de semana. Em um s�bado de sol, chegam a ficar atracadas no local cerca de 50 embarca��es. Como se n�o bastasse, moradores do Parano� e de S�o Sebasti�o costumam fazer piqueniques e nadar na regi�o — a mais funda do lago, com cerca de 40 metros de profundidade. Al�m do risco de mortes por afogamento, existe a possibilidade de algum barco atropelar quem se arrisca a nadar por l�. H� tamb�m chances de a h�lice de uma embarca��o ferir algum desavisado.
O presidente da Federa��o N�utica, Marcos Carraca, conta que pequenas colis�es entre lanchas s�o normais. “S�o comuns batidas no lago, mas as estat�sticas n�o mostram porque normalmente os envolvidos resolvem na hora. Conduzir uma lancha exige experi�ncia e cuidado. Ocorre que muitos bebem al�m da conta e saem pilotando um ve�culo que pode chegar a 100km/h. Se ele n�o estiver atento, pode passar por cima de algu�m numa embarca��o menor ou atropelar pessoas que estejam nadando”, alertou Carraca.
No dia do acidente com o Imagination, v�rios passageiros relataram que uma lancha navegava a poucos metros da embarca��o superlotada, que afundou domingo passado matando nove passageiros e deixando mais de 100 sobreviventes. Em depoimento � pol�cia, muitos disseram ter visto a embarca��o menor bater no barco maior, mas os peritos descartaram que a suposta colis�o tenha sido o fator determinante para o naufr�gio.
Mortes
O condutor, Davi C�ndido Torres, 26 anos, n�o possu�a habilita��o. Ele ainda responde ao processo em liberdade. A irresponsabilidade dos donos de embarca��es amea�a fam�lias inteiras que usam o lago como lazer. Nos dois quil�metros de margem do Parque Ecol�gico Dom Bosco, pescadores, banhistas, crian�as e at� casais de namorados passam o tempo nas �guas do lago. Quase todos t�m uma hist�ria de perigo para contar. Moradores de S�o Sebasti�o, os amigos Cleiton Fernandes, 28 anos, e Rafael Galena, 26, v�o ao lago pelo menos tr�s vezes por m�s. Eles contam que j� passaram por apuros. “Tem gente que passa muito perto da margem, principalmente de jet ski”, afirmou Cleiton. “Uma vez, n�s quase fomos atropelados. O cara veio t�o r�pido que n�o viu a gente nadando. Escapamos por pouco”, disse Rafael. Os dois tomavam banho pr�ximo � Ermida Dom Bosco.
Nas proximidades da Pen�nsula dos Ministros, a aten��o dos condutores de barco movido a motor deve ser redobrada. Isso porque ali existe uma escola de windsurf. Segundo o vice-presidente de n�utica da Associa��o Atl�tica Banco do Brasil (AABB), Jos� Neto, em dia de aula, muitos alunos cruzam o lago no sentido norte / sul, e ficam em rota de colis�o com as embarca��es que saem dos p�eres dos clubes. “Era preciso delimitar espa�o e hor�rio para a pr�tica de cada atividade. � necess�rio ficar muito atento ao passar perto da escolinha para n�o atropelar um aluno”, disse.
Ponto mais concorrido do Lago Parano�, o Pont�o tornou-se tamb�m um dos mais perigosos. Isso porque muitos jovens querem chamar a aten��o dos frequentadores fazendo manobras radicais sobre suas lanchas e jet skis. O comandante da Delegacia Fluvial de Bras�lia, capit�o de corveta Rog�rio Leite, garante que a fiscaliza��o da Marinha do Brasil � r�gida. De acordo com ele, as abordagens se tornaram mais frequentes este ano depois que a corpora��o adquiriu duas embarca��es mais r�pidas, capazes de perseguir ve�culos que atinjam alta velocidade na �gua. Ao todo, oito barcos s�o respons�veis por manter a ordem no lago. “A Marinha tem pessoal e embarca��es suficientes para manter uma fiscaliza��o rigorosa. Diariamente abordamos condutores inabilitados, lanchas sem os equipamentos de seguran�a, pessoas com a habilita��o vencida. � uma fiscaliza��o eficiente”, afirmou o oficial da Marinha.
Diante da grande concentra��o de usu�rios nos fins de semana, muitos praticantes de esportes passaram a frequentar o lago em dias �teis, quando o movimento � bem menor. � o caso do policial civil Galeno Santana, 28 anos, que faz remo h� seis meses. “O clube que eu frequento nem deixa a gente sair nos fins de semana. � muito perigoso, tem muita gente embriagada conduzindo lanchas. Prefiro praticar durante a semana, que � bem mais tranquilo”, disse.
Frota
Pelo menos dois mil barcos circulam pelo Lago Parano�, o que coloca o Distrito Federal entre os estados com maior frota n�utica do Brasil. A Marinha mant�m pelo menos quatro fiscais, que circulam 24 horas por dia .
