
O Imagination, que tinha dois andares, est� abandonado �s margens do lago, num terreno vazio entre o Centro de Treinamento da Justi�a Federal (Centrejufe) e a Associa��o dos Servidores da C�mara dos Deputados (Ascade), no Trecho 2 do Setor de Clubes Sul. Transformou-se em abrigo de c�es. O cen�rio de destrui��o lembra o de um navio fantasma: ferros retorcidos, espelhos quebrados e muita sujeira somam-se a roupas, cal�ados, bolsas, chaves, entre outros objetos pertencentes a passageiros e a tripulantes, abandonados no momento em que a estrutura de 15 toneladas era sugada pelas �guas. Tudo ali traz de volta m�s recorda��es.
Ao longo da semana, o Correio foi a primeira equipe de reportagem a entrar no barco, ap�s o acidente. O segundo andar, onde dezenas de pessoas dan�avam antes do desastre, � a parte mais conservada. A grama artificial que cobre o piso de madeira permanece praticamente intacta, assim como o restante da cobertura. A escada que leva ao andar inferior do Imagination encontra-se coberta pelo barro. Na proa, o rastro de destrui��o pode ser percebido por toda parte. � direita, o chinelo de uma crian�a foi deixado ao lado de uma garrafa de u�sque. Ao olhar para o teto, observa-se um emaranhado de fios descascados e ca�dos sobre o conv�s. � esquerda, sobre um casaco masculino, uma das ocupantes deixou para tr�s uma bota de couro.
Na cozinha, o �nico utens�lio inteiro que sobrou foi um prato branco. De resto, apenas cacos de copos, vasilhames de vidro e garrafas de bebidas alco�licas. Uma blusa de frio e uma cal�a social jogados no arm�rio do material usado pelos funcion�rios do buf� confirmam que muitos personagens da trag�dia tentaram se livrar das vestes pesadas antes do naufr�gio. Nos banheiros, os vasos sanit�rios rachados acumulam �gua parada, ambiente prop�cio para a prolifera��o do mosquito da dengue, assim como as duas pias pouco danificadas.
O estado degradante do Imagination come�a a atrair a aten��o dos frequentadores do lago: praticantes de canoagem, donos de jet skis e de veleiros, al�m de condutores de lanchas. Todos cruzam com o barco devagar, num misto de curiosidade e respeito �s v�timas.
Inqu�rito parado
O inqu�rito aberto pela 10ª Delegacia de Pol�cia, no Lago Sul, respons�vel pela investiga��o das causas do acidente, est� parado. A alega��o � que o resultado do exame pericial feito pelo Instituto de Criminal�stica (IC) n�o foi conclu�do. “Temos de esperar o laudo para chegarmos a algumas conclus�es, como, por exemplo: saber se a embarca��o estava em dia com a manuten��o; se houve excesso de peso; como se comportou o motor; e outros detalhes fundamentais para o desfecho do caso”, explicou o delegado adjunto da 10ª DP, Paulo C�sar Barongeno.
Ele acredita que pelo menos tr�s pessoas ser�o indiciadas no processo: o dono do barco, Marlon Jos� de Almeida, 44 anos; o comandante da embarca��o; e um terceiro envolvido, que pode ser a organizadora da festa, Vanda Cristina Pereira, ou o respons�vel pela manuten��o.
