O Brasil tem o maior programa p�blico de imuniza��o do planeta. Por ano, s�o distribu�dos mais de 300 milh�es de doses de vacinas por meio de 37 mil postos de atendimento. Durante as campanhas, o total de unidades de vacina��o chega a 50 mil, e o de Centros de Refer�ncia para Imunobiol�gicos Especiais, a 51. Este ano, o Minist�rio da Sa�de constatou que ocorreu diminui��o na cobertura vacinal no pa�s devido � pandemia do novo coronav�rus. A estimativa do governo � que houve queda de 30% na taxa de vacina��o contra doen�as preven�veis. A avalia��o � preliminar. As unidades da Federa��o t�m at� 31 mar�o do pr�ximo ano para inserir os dados de 2020 no Sistema de Informa��o do Programa Nacional de Imuniza��es (SI-PNI). Mas a retra��o foi percebida e � atribu�da ao temor das pessoas de contrair a COVID-19 nos postos de sa�de.
Apesar da redu��o at� agora registrada na imuniza��o para mol�stias preven�veis, a vacina��o contra gripe superou a meta de 90%. Entre os idosos, parcela priorit�ria da campanha, o resultado chegou a 119,72%. A vacina anti-influenza segue dispon�vel nos estados e no Distrito Federal. Outras doen�as infectocontagiosas n�o tiveram o mesmo desempenho. At� 2014, a taxa de vacina��o estava pr�ximo de 100% da meta estabelecida pelas autoridades m�dicas. A partir daquele ano, o �ndice come�ou a declinar. Em 2015, 94,5% das crian�as entre 4 meses e 5 anos receberam as gotinhas contra a poliomielite. Em 2017, o percentual caiu para 78,5%.
A redu��o se repetiu no caso de outras mol�stias preven�veis. Doen�as tidas como erradicadas voltaram a atacar a popula��o. O exemplo mais expressivo � o sarampo. Em todo o pa�s, foram notificados 11.405 casos: 4.958 (43,5%) confirmados e 1.707 est�o sob investiga��o. Ou seja, o pa�s continua sob o surto da doen�a, que pode ser contida com a vacina��o.
Desde o ano passado, o Minist�rio da Sa�de mant�m campanha para imunizar jovens entre 20 e 29 anos, a fim de interromper a cadeia de transmiss�o da doen�a. A expectativa era vacinar 9 milh�es de pessoas. H� v�rios motivos para a brusca queda nos percentuais, que v�o desde dificuldades financeiras, em raz�o das sucessivas crises enfrentadas pelo pa�s, at� a falsa percep��o de que as doen�as deixaram de existir em raz�o do �xito dos per�odos intensos de imuniza��o, o que � profundo e grave equ�voco. As doen�as est�o em circula��o em outros pa�ses, n�o h� fronteiras para elas. O novo coronav�rus foi, primeiramente, identificado no interior da China.
Em poucas semanas, desembarcou nos cinco continentes. Fake news tamb�m contribu�ram para disseminar informa��es de que vacinas s�o respons�veis por males como o autismo. A atual crise epidemiol�gica n�o deve ser barreira � vacina��o contra outras doen�as transmiss�veis. As pessoas t�m de recorrer �s medidas preventivas, como uso de m�scara, distanciamento, e, assim, manter atualizada a carteira de imuniza��o. A orienta��o vale para todas as doen�as infectocontagiosas e para todas as faixas et�rias. “O atual momento de pandemia n�o pode gerar impacto na queda da cobertura vacinal”, afirma Ana Goretti, coordenadora do Programa Nacional de Imuniza��es (PNI) do minist�rio. Vacinar � preciso.
