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Estado de Minas PENSAR

Acontecimentos: oceano de poesia mineira

Leia trechos de poemas de Clara Delgado, Daniel Arelli, Nath�lia Lima, Edimilson de Almeida Pereira e Prisca Agustoni, semifinalistas do Pr�mio Oceanos 2023


14/10/2023 04:00 - atualizado 14/10/2023 01:23
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Oceano de poesia mineira

Clara Delgado, Daniel Arelli, Nath�lia Lima, Edimilson de Almeida Pereira e Prisca Agustoni, cinco poetas semifinalistas do Pr�mio Oceanos 2023, participam de uma noite de leituras e conversas em Belo Horizonte sob a coordena��o do tamb�m poeta e jurado do pr�mio, Fabr�cio Marques.

“Cada autor ler� poemas e falar� de aspectos importantes de seu livro, em uma excelente oportunidade de os leitores conhecerem mais de perto cinco dos livros semifinalistas do Oceanos”, antecipa Fabr�cio.

A conversa ser� na sexta-feira (27/10), das 19h �s 21h, na Livraria Jenipapo. Outros dois poetas que vivem em Minas, Ricardo Aleixo e Iacyr Anderson Freitas, est�o entre os semifinalistas do pr�mio.

“Chamou a aten��o uma lista com tantos poetas residentes em Minas Gerais, por isso resolvemos celebrar”, diz Selma Caetano, diretora da premia��o. O evento ser� filmado e ficar� dispon�vel nas redes sociais do Oceanos. Leia, a seguir, poemas dos cinco semifinalistas que estar�o na Jenipapo.
 
Clara Delgado 
(“Arranjos vazios para letras cheias”)

“� falsa ard�ncia dos ossos”
Se fal�ssemos todos a l�ngua
interna, aquela
e fiz�ssemos parar a dor
pl�stica da pele
ouvir�amos
o serm�o dos ossos
saber�amos
a peleja dos pilares
 
 
Edimilson de Almeida Pereira 
(“A vida n�o funciona como um rel�gio”)

“Aventura”

Tr�s entre as �rvores
como se cada um
fosse
trezentas vezes tr�s.
 
 
 
Daniel Arelli 
(“O pai do artista”)

Sair para ver o mundo
mas n�o como se l�
um livro
uma carta
um jornal
da esquerda para a direita
de cima para baixo
com sinais de pontua��o que s�o como
sinais de tr�nsito
instru��es para inspirar
expirar
fazer sil�ncio
fazer sentido

Sair para ver o mundo
como se v�
isto �,
como um pintor

Um mundo presente
e simult�neo
em que tudo
est� � vista:

duas ou tr�s peras verdes
um a�ucareiro branco
uma x�cara azul
 
 
Nath�lia Lima 
(“Istmo”)


“duelo”

� urgente estender o ch�o a falha sem rumo
o medo de quebrar
as v�rtebras e as palavras mi�das
� urgente
medir a altura das fendas
a paragem de �guas n�o escritas
a linha rubra pendurada no escuro
era urgente
entrar e sair sem contorno
ver o seu nome cair
novelo insone e profundo
nesse canto imposs�vel do punho
� perigoso
inutil�ssimo
no final
guardar por muito tempo um outro corpo no papel
 
 
Prisca Agustoni 
(“O �mido centro do homem”)

em c�rculo depor gr�os de arroz
e feij�o
pedras pequenas
em c�rculo cercar o fogo
dizer para a terra, �s nossa
aqui � onde nascemos
onde nascem ra�zes aos ossos,
rebentos �s batatas

em c�rculo se juntar
e entoar o canto que invoca
o �mido centro do homem
 
 
“Uma ideia de planta” 

Goethe nos ensina 
sobre a metamorfose
das plantas (ou seria 
dos corpos?)

 — a flor simples 
tantas vezes 
altera-se numa 
flor duplicada 
— tal qual a vida se duplica em const�ncia 

ritual de passagem � infloresc�ncia. 

Contrariamente �s plantas de Goethe 
confundimos os processos 
n�o vemos a transmuta��o ou vemos? 
como se dela nos ausent�ssemos por um tempo 
ou como se qualquer sistema de ramifica��o
terminasse em topo. 

Plantas 
quando crescem, tamb�m ensinam 
e ensinam porque sabem olhar 
n�s humanos, por�m, n�o olhamos os seus n�s 
e, por isso, n�o compartimos, n�o aprendemos. 

� preciso ent�o tomar de posse 
uma ideia de planta, cultiv�-la desde a semente at� os 
frutos para com ela aprender a formar 
demoradamente — sendo meta, sendo forma.

(Poema de “Olho de boi”, livro de Giovanna Soalheiro Pinheiro pela editora Reformat�rio, com lan�amento na pr�xima quarta-feira, 18/10, das 19h �s 21h, na Livraria Quixote, na Savassi) 
 
 
Qual foi a sua leitura  mais marcante dos �ltimos tempos?
 
“Ioga”, do Emmanuel Carr�re. � um livro em que ele escreve sobre ele, sobre sa�de mental, de um jeito literariamente, me pareceu, muito inovador, bonito. E na verdade, � sobre literatura que ele est� falando. A tradu��o da Mariana Delfini est� incr�vel e espetacular.
 
Natalia Timerman, autora de “As pequenas chances” 


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