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Estado de Minas ECONOMIA

A pobreza como �libi para candidatos que buscam reelei��o

''Brasil carece de progresso real, n�o de macetes, se j� passam de 80 milh�es os dependentes de governos''


24/10/2021 04:00 - atualizado 23/10/2021 18:14

homem anda na rua em frente a muro com cartaz que simula uma nota de dólar com o rosto do ministro Paulo Guedes
"Se a pobreza incomodasse os governantes seria central em suas decis�es desde o dia 1� de seus mandatos, n�o na v�spera de uma elei��o em que � alta a chance de n�o se reeleger" (foto: Nelson Almeida/AFP)

O puxa-estica entre Jair Bolsonaro, seus ministros e os l�deres de partidos do Centr�o para arrancar a f�rceps dinheiros p�blicos para um programa de sedu��o do eleitor mais pobre mostra que a pobreza � s� �libi para candidatos � reelei��o, n�o preocupa��o permanente.
 
End�mica no Brasil, se a pobreza incomodasse os governantes seria central em suas decis�es desde o dia 1º de seus mandatos, n�o na v�spera de uma elei��o em que � alta a chance de n�o se reeleger.
 
N�o se pode apelar ao m�rito da ideia de ampliar o valor pago aos assistidos pelo Bolsa-Fam�lia, assim como o n�mero de atendidos, se a gera��o de emprego, a assist�ncia social, a educa��o dos filhos e a reciclagem profissional dos pais nunca foram prioridades.

Se esse fosse o foco, o crescimento econ�mico seria central ao governo de turno e n�o promessa vazia de ministro “levantador de PIB”.

Nem h� o resultado das reformas copiadas das “revolu��es liberais” de Reagan, nos EUA, e de Thatcher, na Inglaterra. Elas legaram, 40 anos depois nesses pa�ses, classe m�dia precarizada, desalento dos jovens sem emprego depois de formados e a corros�o da hegemonia do capitalismo de mercado frente ao capitalismo de Estado da China.
 
A decad�ncia � profunda nos EUA, cujos governos, desde os anos 1970, apoiaram a abertura econ�mica da China e incentivaram a migra��o de f�bricas de suas grandes ind�strias para l�, atra�das por regras ambientais e trabalhistas frouxas e, sobretudo, custos baixos.

"End�mica no Brasil, se a pobreza incomodasse os governantes seria central em suas decis�es desde o dia 1� de seus mandatos"


 
Hoje, vergados pelo peso do financismo e do baixo investimento na produ��o, especialmente na manufatura de artefatos tecnol�gicos, em que o saldo l�quido de aportes em bens de capital tem sido negativo h� anos, os EUA tentam reaver o tempo perdido, mas sem a coes�o empreendedora que os distinguiam. A polariza��o pol�tica � a sequela da ideologia de governos com baixa aten��o ao social.

Aqui � assim h� d�cadas, implicando a implanta��o de programas de transfer�ncia de renda � popula��o mais fr�gil para minorar a fome, que voltou, e a falta de empregos conforme a expans�o demogr�fica.
 
Essa � a dimens�o estrat�gica do nosso drama. Os pol�ticos v�o us�-la para disfar�ar a mesquinharia eleitoreira de um presidente incapaz. Mas sobretudo para garantir as tais “emendas do relator” da lei or�ament�ria, quase R$ 20 bilh�es distribu�dos por decis�o do comando do Congresso � revelia de controles e da transpar�ncia.

Centr�o de cambalachos

A confus�o est� armada como gran finale de um governo capenga na economia, gerida por um trade de mercado dubl� de economista e de marqueteiro liberal, que entrou gigante, tamanha a expectativa que criou, e termina como marionete dos profissionais da pol�tica.
 
A demiss�o dos quatro secret�rios da c�pula do Tesouro Nacional, a come�ar pelo titular Bruno Funchal, atesta a falta de escr�pulos de toda essa gente, que teve tempo para ajeitar a economia e n�o a fez.
 
Do  presidente, que jura seu apre�o � responsabilidade fiscal. Do ministro Paulo Guedes justificando o injustific�vel. Dos deputados, liderados pelo presidente da C�mara, Arthur Lira, gr�o-mestre do Centr�o, rasurando a Constitui��o para abrir a brecha que permitir� ao governo furar o dispositivo do teto de gasto – regra aprovada em 2016 pelo pr�prio Congresso, limitando o aumento da despesa p�blica � infla��o anual at� 2036, com revis�o do dispositivo em 2026.
 
� um cambalacho na indexa��o dessa regra, inserida na proposta de emenda � Constitui��o (PEC) que fatia o pagamento de precat�rios da Uni�o, por si, outro ardil cont�bil, que a C�mara vai aprovar para “liberar” R$ 43 bilh�es na lei or�ament�ria (LOA) de 2022 sem, em tese, o governo romper a regra do teto. Lembre-se de que por menos que isso a presidente Dilma Rousseff foi impichada em 2016.
 
Somados a outros macetes da contabilidade criativa, o governo e os aliados, sobretudo da C�mara, ter�o algo da ordem de R$ 90 bilh�es em 2022 para gastar, inclusive com as emendas n�o obrigat�rias, que vem a ser o pre�o exigido pelo Centr�o para dar apoio a Bolsonaro.

O espanto dos distra�dos

N�o se condena a extens�o e o reajuste do Bolsa-Fam�lia, cujo nome mudou para Aux�lio Brasil, noutro flagrante da inten��o eleitoreira, assim feito para Bolsonaro chamar de seu um programa que criticava.
 
Tamb�m n�o h� m�rito na regra do teto, criada para blindar o caixa p�blico dos achaques de pol�ticos e da elite do funcionalismo. Tal mecanismo apenas constata a incapacidade do governante de reformar a gest�o do Estado e a estrutura federativa, ambas obsoletas.
 
Fato � que a pobreza agride e s� distra�dos se espantam com v�deos mostrando fam�lias remexendo lixo em busca de comida e at� a�ougues passando a vender osso e pernas de frango. Ou fam�lias inteiras que est�o vivendo na rua em tendas nas grandes cidades. Tome-se a cesta b�sica em S�o Paulo: custava R$ 739,07 em setembro de 2019, e passou a custar R$ 1.094,80 em setembro �ltimo. Aumentou 48% em dois anos.
 
O sal�rio m�nimo s� teve 10,2% de reajuste nesse tempo, como diz o economista Fernando Monteiro, deixando meros R$ 5,20 para tudo mais – que tamb�m disparou: luz, g�s, passagens, aluguel. Reajustar para R$ 400 o Bolsa-Fam�lia ou Aux�lio Brasil faz sentido. N�o a forma.

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