O governo central exibiu um resultado geral ruim das contas p�blicas no primeiro quadrimestre e, neste ritmo, o super�vit prim�rio do setor p�blico consolidado ficar� longe da meta de R$ 66,3 bilh�es para 2015, comentou ao Broadcast, servi�o em tempo real da Ag�ncia Estado, Jos� M�rcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista-chefe da Opus Gest�o de recursos. No caso espec�fico do governo central, a meta para o ano � de R$ 55,2 bilh�es em 2015.
Al�m de ter registrado um d�ficit de R$ 35,4 bilh�es no acumulado em 12 meses at� abril, o equivalente a 0,63% do PIB, o governo central teve alta real de 3,7% das despesas de janeiro a abril, enquanto as receitas ca�ram 3,3%, descontada a infla��o, neste per�odo. "Esses n�meros indicam que o prim�rio do setor p�blico consolidado chegar� a 0,5% do PIB neste ano. Embora seja uma melhora em rela��o ao d�ficit de 0,6% do Produto Interno Bruto registrado em 2014, n�o � suficiente. A d�vida bruta dever� subir em 2015, com alta dos juros e retra��o do PIB, o poder� lev�-la para 68% do Produto Interno Bruto em dezembro", comentou.
"No primeiro quadrimestre, a queda real das receitas se deveu � recess�o que o Pa�s enfrenta", destacou Camargo. "Contudo, a alta nominal de 12,2% das despesas, o equivalente a quase 4% de eleva��o sem a infla��o, indica que o governo precisa cortar gastos com pressa", destacou. Para ele, nessa categoria o principal candidato a redu��es ser�o os investimentos.
"O quadro atual das contas p�blicas tamb�m indica que o Poder Executivo vai aumentar mais impostos", destacou. Entre os tributos que poder�o entrar na mira do Tesouro Nacional poderiam estar PIS e Cofins, al�m de juros sobre o capital pr�prio.
Para Camargo, caso o governo gere um super�vit prim�rio de 0,5% do PIB neste ano, esse fato poder� acender uma luz amarela para as ag�ncias de classifica��o de risco, o que poderia retomar com for�a a especula��o de que o Brasil poder� perder a nota grau de investimento em 2016.
Opini�o semelhante tem Fl�vio Serrano, economista s�nior do Besi Brasil. Para Serrano, mesmo com o resultado mensal positivo, o super�vit acumulado no primeiro quadrimestre deste ano ainda� fraco frente � meta fiscal do setor p�blico consolidado prometida pelo governo.
"O resultado tem mais a ver com calend�rio do que com qualquer outra mudan�a", disse Serrano, que projetava super�vit de R$ 13,2 bilh�es em abril. O economista chamou a aten��o para o aumento das despesas de custeio, que surpreendeu o economista ao virem acima do previsto. Em abril, as despesas de custeio somaram R$ 21,631 bilh�es. "No acumulado do ano, o resultado ainda n�o � bom. O super�vit prim�rio acumulado s� do governo central daria 0,8% do PIB", afirmou.
Serrano lembra que o super�vit em abril se deu principalmente devido � arrecada��o mais forte, sobretudo do Imposto de Renda (IR) e da Contribui��o sobre Lucro L�quido (CSLL).
