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Estado de Minas BECOV NAD TEPLOU

'Princesas' ucranianas em castelo tcheco sonham com volta para casa

Grupo de 22 refugiados ucranianos habita, no momento, o castelo de Becov nad Teplou, no oeste da Rep�blica Tcheca


31/03/2022 09:38 - atualizado 31/03/2022 10:52

Olga Shandyba em frente ao castelo
Olga Shandyba em frente ao castelo (foto: Michal Cizek / AFP)


Olga Shandyba nunca havia vivido em um castelo at� ser obrigada, pela guerra em curso, a fugir da Ucr�nia. Ainda assim, ela trocaria este ref�gio de conto de fadas tcheco para poder voltar � sua humilde moradia.

A costureira de 37 anos faz parte de um grupo de 22 refugiados ucranianos que habitam, no momento, o castelo de Becov nad Teplou, no oeste da Rep�blica Tcheca, gra�as a uma inciativa do Instituto Nacional do Patrim�nio.

"Nunca pensamos em viver em um castelo", disse Shandyba � AFP neste edif�cio que abriga o santu�rio de S�o Mauro, uma pe�a de arte romana do s�culo XIII.

"Nossas filhas s�o como princesas, n�s somos como princesas. Para elas, � uma aventura. E, de certo modo, � uma aventura para n�s tamb�m", reconhece.

Becov acolhe 12 crian�as refugiadas e dez mulheres de diferentes profiss�es: de uma florista a uma advogada, passando por uma pianista.

"Somos muito agradecidas pela tranquilidade, pelo aconchego, pela amabilidade", continua Shandyba, que escapou, de trem, dos fortes bombardeios em Ojtirka, no norte da Ucr�nia.

A Rep�blica Tcheca acolheu cerca de 300.000 dos quatro milh�es de refugiados ucranianos que fugiram do conflito.

O Instituto do Patrim�nio instalou 110 camas em 17 lugares hist�ricos espalhados pelo territ�rio para acolher, gratuitamente, refugiados ucranianos.

"Registramos at� agora 66 refugiados", declarou sua porta-voz, Klara Veberova.

Deste total, 22 deles est�o em Becov nad Teplou, instalados em dois edif�cios atr�s da entrada do castelo e em um dormit�rio normalmente destinado aos guias.

"Este ano, contrataremos apenas guias locais que j� tenham alojamento", afirmou o encarregado de Becov, Tomas Wizovsky.

- Azul e amarelo -

Nastya Bidkova, uma professora de canto de Dnipro (leste da Ucr�nia), tamb�m agradece pela oportunidade "absolutamente inesperada" de dormir em um castelo do s�culo XIV.

"Nos sentimos muito felizes quando chegamos � noite e vimos um bonito castelo com nossas bandeiras nas janelas. Foi realmente simp�tico", recorda.

De todos os castelos inclu�dos no projeto, Becov foi o que teve mais facilidade para instalar as bandeiras ucranianas, j� que o azul e o amarelo eram as cores de seus antigos propriet�rios, a fam�lia Questenberg, relata Wizovsky.

"J� t�nhamos no armaz�m e recuperamos as bandeiras quase no instante em que a decis�o foi tomada para mostrar nossa solidariedade", acrescentou.

Com menos de 1.000 habitantes, o povoado de Becov nad Teplou experimentou um forte aumento da popula��o com a chegada de mais de 60 refugiados ucranianos no �ltimo m�s.

Al�m dos refugiados recebidos no castelo, alguns foram alojados em hot�is e em pens�es, e outros, em casas de particulares. A prefeitura organizou uma reuni�o para dar as boas-vindas aos rec�m-chegados.

As crian�as agora frequentam a escola local. A prefeitura cuida dos vistos e dos artigos de primeira necessidade, como sabonetes e toalhas. Tamb�m busca empregos, ainda dif�ceis de encontrar, para os novos habitantes.

Os refugiados tamb�m desfrutam de uma visita gratuita do castelo com todos os seus tesouros.

- Trabalhar para n�o pensar -

A invas�o russa paira no ambiente, por�m, embora as crian�as tenham come�ado a desfrutar da nova situa��o e deixado seus medos para tr�s.

"Nos dois primeiros dias, n�o falavam. Estavam muito t�midos, muito silenciosos, depois de todo sofrimento e as viagens", relata Wizovsky. "Agora, s�o crian�as como as outras", completa.

No caso das m�es, por�m, a preocupa��o permanece. Os sorrisos minguam, enquanto buscam pequenos trabalhos para se ocuparem e n�o terem tempo de pensar na situa��o em seu pa�s.

"Sim, vivem em um castelo, mas n�o � gratificante", disse Wizovsky.

Nastya Nidkova � uma das que renunciariam, sem hesitar, a essa experi�ncia no castelo para voltar para a Ucr�nia, "reencontrar nossas fam�lias e nossos homens que lutam pela paz l�".

Olga Shandyba tamb�m quer voltar para sua casa, "se � que est� de p�".


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